10
de maro de 2010
quarta

Secretária de Saúde, Aparecida Barbosa - Foto: Alan Alonso

Secretária de Saúde, Aparecida Barbosa - Foto: Alan Alonso

Leandro Rabelais

A secretária de Saúde, Aparecida Barbosa, concedeu uma entrevista coletiva na manhã de ontem no auditório do DIP do Hospital Municipal Nelson Sá Earp (HMNSE) para esclarecer alguns assuntos. Foram abordados temas como à ação movida pela Defensoria Pública que obriga o município a oferecer mais 12 leitos de UTI, a reestruturação de toda rede municipal de Saúde, o modelo de gestão do Hospital Alcides Carneiro (HAC), a situação da falta de pediatras nos plantões aos sábados nos hospitais municipais e sobre os casos de gripe A na cidade.

Como a secretária vê a ação movida pela Defensoria Pública?

Aparecida Barbosa: Em primeiro lugar, parece que não houve por parte da Defensoria uma avaliação de quanto custa implementar uma unidade de UTI e o tempo que esse processo demanda. É preciso contratar equipes especializadas, adequar os espaços corretamente, e isso não é feito da noite para o dia. Assusta também o fato da Defensoria não embasar sua cobrança sem possuir detalhes de custo, de tempo, de que forma funciona o trâmite para a instalação de uma UTI. Não sou mágica, não tenho uma varinha de condão para poder atender a exigência no tempo estipulado. Não posso ser hipócrita e indulgente em assumir um compromisso que a Secretaria de Saúde não poderá cumprir. Em uma visão regional, podemos pactuar leitos dentro da rede credenciada ao SUS, mas esse processo também demanda tempo. Por isso, a Procuradoria do Município entrará com um recurso para que haja o esclarecimento de todas essas questões. Não estou aqui depreciando o trabalho da Defensoria, que tem sim o dever de cobrar, só não acho adequado o jeito como foi impetrada a ação.

Existe necessidade de novos leitos de UTI?

Aparecida Barbosa: Montar uma UTI é absurdamente caro. Temos que levantar os parâmetros e a real necessidade para essa demanda. Atualmente, temos 1.085 leitos disponíveis, que abrangem todas as complexidades e 23 UTIs espalhadas pela cidade. São cinco leitos de UTI no Hospital Alcides Carneiro (HAC), sete no Hospital Municipal Nelson Sá Earp, um na Casa da Providencia e 10 no Hospital Santa Teresa. Mas, no meu entendimento, o paciente que precisa da UTI não obteve um acompanhamento eficaz na assistência básica. Temos que combinar a assistência básica com o tratamento mais complexo. Temos que olhar para saúde como um todo e reestruturar a rede municipal.

Como será feita a reestruturação da Saúde em Petrópolis?

Aparecida Barbosa: O prefeito Paulo Mustrangi priorizou a total reestruturação da Saúde no município e vai realizar as mudanças necessárias. Por anos não houve nenhum tipo de planejamento ou revisão da estrutura da rede municipal. Historicamente, a alternância dos gestores da saúde de Petrópolis prejudicou o funcionamento da Secretaria de Saúde. O que vamos fazer é constituir o Plano Municipal de Saúde, que dará base para ter o controle de tudo o que realmente acontece dentro do setor. Vamos promover também a Conferência Municipal de Saúde, que será realizada durante este fim de semana para debatermos os temas inerentes ao assunto com transparência, entre outras ações. Existem muitas distorções na área da saúde que precisam ser enfrentadas. O grande problema a ser resolvido é o da gestão e planejamento, e posso garantir que isso será feito. Não vou tolerar distorções porque existe agora um comando dentro da Secretaria.

Como funciona a rede municipal atualmente e o que precisa ser mudado?

Aparecida Barbosa: Acho que a rede municipal é super dimensionada. O problema de Petrópolis é ter o serviço e não ter uma forma correta de acessar essa oferta. O exemplo da Posse pode ser usado para figurar a distorção que existe. Temos duas equipes de PSF, uma unidade 24 horas e um ambulatório de especialidades. Mesmo com essa cobertura, a população reclama que há problemas. É preciso repensar o sistema. Hoje, quanto mais dinheiro é colocado na Saúde, mais dificuldades aparecem.

Para isso, vamos mexer na estrutura de forma abrangente, a rede municipal será toda informatizada. Estão sendo adquiridos 240 novos computadores e o sistema que será implantado abrangerá todas as 63 unidades de atendimento do município. Poderemos com isso, a médio prazo, controlar estoques, gastos, entre outras questões. Outro ponto será o controle de como o paciente é acompanhado na rede, que é feito de maneira precária.

Como está à situação do Programa Saúde da Família em Petrópolis?

Aparecida Barbosa: A cobertura do Programa Saúde da Família (PSF) atende hoje 42% da população. O nível não é satisfatório e é outro problema que precisa de revisão e reestruturação. A cobertura médica precisa ser melhor analisada.

Os atendimentos a pacientes de fora da cidade. Existe uma grande demanda?

Aparecida Barbosa: Petrópolis atende hoje a 30% de pacientes de urgência de fora da cidade. A cidade é um pólo especifico de atendimento da região serrana. Com a reordenação do sistema, teremos como pressionar o Estado para poder cobrar uma maior ação nesta área. Petrópolis atende a 97% dos casos de moradores da cidade. Os casos mais complexos são transferidos para o Rio de Janeiro.

A produtividade dos médicos da rede municipal é satisfatória?

Aparecida Barbosa: A produtividade dos médicos da rede é baixa. Vamos fazer o enfrentamento dentro desta questão. A meta é que todos cumpram suas cargas horárias e que a produtividade aumente. O exemplo é a questão da fisioterapia do HAC. Havia o problema e três fisioterapeutas foram transferidas para a área da UTI infantil, outras duas foram remanejadas para o Posto de Saúde do Itamarati e uma foi para Itaipava. Não existe perseguição, apenas temos que observar onde existem falhas, sem distinção e corrigi-las.

Por que a ala de fisioterapia do Hospital Alcides Carneiro foi fechada?

Aparecida Barbosa: O local onde ficava a fisioterapia é uma área nobre do hospital e que está sendo usado para isolar pacientes com suspeita de gripe A atualmente. No futuro, a ala abrigará mais 30 leitos e isso faz parte do sistema de aperfeiçoamento da unidade hospitalar. Não deixamos de atender os pacientes que precisam do tratamento de fisioterapia, apenas houve um remanejamento.

Sobre o HAC. A senhora é favorável ao atual modelo de gestão?

Aparecida Barbosa: Já existia a ideia de dar autonomia ao Hospital no período em que estive a frente da Secretaria de Saúde em outro momento. Pela lógica de gestão, não há problema nenhum em dizer que a iniciativa do governo anterior estava certa. O que é necessário é avançar na melhora da gestão e não esquecermos que o hospital ainda é público. Hoje não há diretor geral, e a Prefeitura vai participar da escolha do nome para o cargo. Promovemos reuniões semanais e os gestores do hospital estão sempre presentes. Queremos que a metas estipuladas no contrato sejam cumpridas. Mas quem vê o hospital ontem e o vê hoje, sente que existe diferença.

A Prefeitura pretende implementar esse modelo em outro hospital da cidade?

Aparecida Barbosa: A idéia do prefeito Mustrangi é implementar algo parecido no Hospital Municipal Nelson Sá Earp. Essa unidade precisa ser mais leve, ter maior autonomia para que as condições de assistência possam ser melhoradas.

Como será resolvido o problema na área de pediatria?

Aparecida Barbosa: Com o trabalho das campanhas de imunização feitas pela Prefeitura, o número de casos de pediatria acontecem com menos incidência. Isso deixa a especialidade menos atraente e a oferta de profissionais é menor. Com isso, temos que olhar para a nossa rede. Hoje, são 87 pediatras na rede municipal e com as dobras de horário esse número chega a 116. Temos pedido a cooperação dos profissionais para as questões dos plantões aos sábados, com o cumprimento do rodízio. O HAC possui uma equipe completa, no Alto da Serra, os contratos são precários e no HMNSE não existem pediatras há dois anos. Um pediatra ganha R$ 800, mas com as incorporações o salário chega a R$ 2,7 mil. Daqui a 15 dias haverá uma nova reunião, onde será apresentada uma contraproposta por parte dos profissionais e a Prefeitura faz um estudo para rever os salários e o seu impacto na folha. Ate lá, não ocorrerá ausência de pediatras nos plantões de final de semana. Vamos buscar também alternativas dentro da rede para solucionar a questão.

A situação da gripe A está controlada em Petrópolis?

Aparecida Barbosa: Desde o início, seguimos o protocolo e estruturamos toda rede de maneira satisfatória. A vigilância epidemiológica agiu de maneira muito correta e após seis semanas do ciclo, que é onde existe o maior problema, os índices começaram a cair. Tomamos medidas corretas como prorrogar as férias escolares e mantivemos a sociedade informada do número de casos suspeitos. A rede municipal tratou e está tratando de maneira adequada todos os registros. Não houve nenhum caso que nós não tenhamos conhecimento, mesmo os advindos da rede particular. A demora do envio dos resultados dos exames também não prejudicou o atendimento.

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2 Responses

  1. Geovania Carvalho Says:

    Penso que a Secretária herdou um grande problema para restruturar a Saúde do nosso município. Porém, cabe aqui deixar meu agradecimento à Secretária de Saúde, pois, precisei levar meu Tio ao H.T.O, no Rio de Janeiro e conseguí agendar duas vagas na Van (minha Tia como acompanhante) sem nenhuma burocracia pelo tel. 22212508. Está de parabéns a prefeitura por este serviço.

    Posted on agosto 27th, 2009 at 19:21

  2. Virgulino Says:

    Esse governo tá de brincadeira! Contando a transição, já são quase 11 meses de inoperância com essa desculpa de que as dívidas os impedem de governar.

    Tá ok, a cidade inteira já sabe que existe uma dívida deixada pelo ex-prefeito. E daí? Não consegue trabalhar? Então “peça as contas” e passe o boné pra outro!

    Posted on agosto 28th, 2009 at 11:49

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