31
de julho de 2010
sábado

Vitor Abdala/ABr

Rio de Janeiro – A alta-comissária de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU), Navanethem Pillay, visitou hoje (10) o Morro Dona Marta, na zona sul da cidade, e elogiou o modelo de policiamento comunitário adotado na favela pelo governo do Rio de Janeiro. Apesar disso, Navanethem Pillay criticou o excesso de mortes provocadas pela polícia no Rio e nos demais estados brasileiros.

Segundo ela, foram dados os passos necessários para aproximar a polícia dos moradores do Morro Dona Marta, uma das cinco favelas cariocas que têm policiamento comunitário. “Visitei a sede da polícia [comunitária], que tomou importantes medidas para ganhar a confiança da comunidade. Algumas dessas medidas funcionaram, porque essa favela não tem os níveis inaceitáveis de violência e mortes extrajudiciais que ocorrem em outras favelas.”

A comissária da ONU conheceu os projetos realizados pela própria polícia, que ensina música e artes marciais para crianças da comunidade, e disse que é a primeira vez que vê o envolvimento da polícia com o ensino da música.

No entanto, Navanethem Pillay ressaltou que é “inaceitável” o excesso de mortes provocadas pela polícia no Rio e no Brasil. Ela destacou que sua agenda no Brasil é curta e que, por isso, não poderá visitar favelas mais violentas do Rio de Janeiro.

Para conhecer a realidade da violência nessas outras comunidades, a comissária vai se reunir com representantes da sociedade civil no final do dia de hoje e manter, por intermédio de seus funcionários e relatores especiais, “um olhar atento” em todas as favelas e nos problemas de segurança que ocorrem nesses locais.

Ainda nesta tarde, Navanethem Pillay reúne-se com o presidente da Assembleia Legislativa do Rio e Janeiro, deputado Jorge Picciani, com o presidente do Tribunal de Justiça, Luiz Zveiter, e com o procurador-geral de Justiça, Cláudio Lopes.

A alta-comissária de Direitos Humanos da ONU iniciou a visita ao Brasil pela Bahia, no último fim de semana, onde conheceu comunidades quilombolas e se reuniu com representantes da sociedade civil. Amanhã (11), ela segue para Brasília, onde encerrará sua agenda no país.

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