Fogo, terror e destruição em Cascatinha
Gustavo Melquiades
Um depósito de remédios, da Mardimel distribuidoras de medicamentos, no número 113 da Rua Bernardo de Vasconcelos, em Cascatinha, pegou fogo na noite da última quarta-feira (24). O Corpo de Bombeiros demorou cerca de 45 minutos até chegar ao local. As chamas foram controladas depois de quatro horas. Choro e terror tomaram conta dos moradores da rua. Muitos garantem que passaram a noite acordados. O dono, Paulo de Oliveira, não divulgou o valor do prejuízo, mas disse que não tinha seguro.
O incêndio começou por volta das 23h30. Uma criança viu que saia fumaça de dentro do depósito e começou a gritar na rua. Em questão de segundos o Corpo de Bombeiros já havia sido acionado. Apesar disso, os moradores afirmaram que demorou mais de 45 minutos para chegar. Outra questão que dificultou o combate foi a falta de preparo e equipamento para os bombeiros. Moradores contaram que eles não tinham escada e nem água suficiente para controlar as chamas. Um caminhão pipa da “Águas do Imperador” ainda ajudou no combate ao incêndio. Até a água das caixas dos moradores foi usada.
Aline Veiga Soares Ferreira do Valle, 24 anos, mora na casa ao lado do depósito. Ela ficou revoltada ao saber que a rua não tinha nenhum hidrante. “É um absurdo. Cada depósito paga aproximadamente R$ 520 em taxa de incêndio. Quando acontece alguma coisa não temos direito a segurança”, manifestou.
Além da falta de um hidrante, outra preocupação despertada foi a falta de capacidade de armazenamento de água, nos caminhões dos bombeiros. A dona de casa e moradora de uma casa na rua, Maria Elizabethe, 54 anos, contou que os agentes tinham que ir até o Quissamã para encher os caminhões. “Além da falta de equipamentos, como a escada, a falta de preparação do 15º Grupamento de Bombeiros Militar ficou exposta”, analisou. Ela disse ainda que foi uma das primeiras a perceber o incêndio. “Quando o menino começou a gritar que saia fogo do depósito, corri e liguei para o Corpo de Bombeiros, depois comecei a ligar para os vizinhos para ajudarem a tentar apagar”, continuou. Apenas uma casa separa seu apartamento do depósito. “Ficamos desesperados com medo do fogo atingir nossa casa”, relatou. Ela disse ainda que os moradores tentaram arrombar a porta de ferro, mas não conseguiram.
O dono do depósito, Paulo de Oliveira, disse que a distribuidora foi implantada no local há 15 anos. O prédio, de três andares, ficou com o terraço destruído. No primeiro andar funciona uma confecção e o segundo e terceiro andar são da distribuidora.
Ele falou que recebeu a notícia através de vizinhos. O valor do prejuízo já foi contabilizado, mas ele não revelou. Ainda segundo ele, o perito da Polícia Civil esteve no local, mas não revelou o motivo do incêndio. “No terraço ficavam fraldas e lenços, o que ajudou a propagar rapidamente as chamas. Em nenhum local havia produto inflamável”, garantiu.
Até ás 15h de ontem nenhum responsável pelo Corpo de Bombeiros foi encontrado. Outra moradora da rua, Lorita Soares, 43 anos, disse que os agentes explicaram que a ponte em frente ao trevo do Carangola, que dá acesso à Estrada de Cascatinha, está interditada para o tráfego de caminhão e o caminho mais próximo seria a Ponte Branca, em Samambaia. Lá, o trânsito também estava impedido devido a um acidente que teria acabado de acontecer. Os oficiais do Corpo de Bombeiros foram obrigados a retornar pela Avenida Barão do Rio Branco, passando pelo Centro e pela Rua Quissamã.
Hipóteses para incêndio são apontadas
A Polícia Civil, o Corpo de Bombeiros e a Defesa Civil não divulgaram as hipóteses para a causa do incêndio. O dono do depósito, Paulo de Oliveira, apontou para um possível curto circuito. “Se eu soubesse a causa teria impedido”, explicou.
Moradores disseram que fogos de artifícios podem ter iniciado o incêndio. “Tudo começou logo no finalzinho do jogo, por volta das 23h30. Nesse momento muitos torcedores do flamengo soltavam fogos, como de costume no bairro”, disse outra moradora.
Já o comerciante Luis Carlos Gomes, 54 anos, disse que outras pessoas acreditam que um raio foi a causa do acidente. “Apesar de ninguém ter ouvido barulho nenhum de queda de raio, algumas pessoas acreditam nessa hipótese”, relatou.
Moradores ficam sem energia
Com o incêndio, a Ampla precisou cortar o fornecimento de energia para a rua, evitando assim aumento das chamas. Moradores reclamaram que até a tarde de ontem a Rua Bernardo Vasconcelos continuava sem energia. “Todos os moradores e comerciantes estão sendo prejudicados. Os produtos na geladeira já estão descongelando e minha família terá que comer fora, pois estamos sem condições de cozinhar”, disse Cristina Roraima, outra moradora.
Choro, pânico e terror durante a madrugada
Na manhã de ontem, o assunto principal no bairro era o incêndio. Moradores do Quissamã garantiram ter sentido o cheiro de queimado. Uma menina de 9 anos disse que chorou, com medo do fogo alastrar para sua casa. Outra criança, de 8 anos, falou que a avó passou a noite acordada com medo de que as chamas voltassem.
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