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  Educação

Desafios da educação na volta ao ensino presencial

Pais e educadores contam suas impressões sobre a retomada das aulas


 

Priscila Torquato – especial para o Diário

O anúncio da retomada do ensino presencial no município foi feito durante a última semana. Marcada para o dia 24 de agosto, ainda com regras a serem definidas pelo governo interino, a determinação foi publicada em Diário Oficial desta quarta-feira (28). Desde março do ano passado que estudantes, pais e educadores precisaram se adaptar a uma nova realidade na educação. Aulas remotas, redução da carga horária, falta de convívio entre colegas de turma e professores, conteúdo escasso.  Um desafio que não tinha precedentes e nem prazo para acabar.

Mãe de um adolescente, Carla Coelho, acredita que o ensino remoto foi uma nova modalidade que precisou ser criada para cobrir uma lacuna que se formou com a imposição de distanciamento social que nasceu com a pandemia. Uma plataforma, que mesmo com toda a dedicação dos educadores, é impessoal.

“Essa aula que era ministrada em um ambiente social não existe mais. Então, o aluno entra numa plataforma “fria”, on-line em que um professor está do outro lado fazendo o seu melhor e se esforçando ao máximo para prender a atenção dos alunos, mas não tem feedback. Na maior parte das vezes os alunos, não abrem a câmera, não interagem de forma plena e acaba virando um aula enfadonha”, revela depois de perceber o dia a dia das aulas do filho.

A educadora Maria Angela Gomes alerta que esse sistema gera desinteresse e consequentemente aumenta a evasão escolar nas classes dos últimos anos do ensino médio. Reflexo que pode ser visto na baixa adesão ao Enem 2021. O número de inscritos no município foi menor na comparação com o ano anterior e acompanhou a tendência nacional. Ela acredita que mesmo retomando a aulas presenciais agora no segundo semestre do ano, o dano causado pelos mais de 16 meses de aulas no sistema remoto não será superado tão cedo. “Vamos levar alguns anos para recuperar a educação no país e isso vai depender do que será feito daqui para frente. Não tem como reverter esse cenário, voltar ao que estava. É preciso olhar para frente e fazer um planejamento a partir disso da realidade que vivenciamos. Muitos nem estudaram, não tiveram acesso a tecnologia necessária. Temos que pensar em como ensinar de maneira justa.”

Mais do que assimilar conteúdos, educação é se relacionar

A educação, assim como outros setores, foi diretamente afetada pela pandemia de covid-19. De uma semana para outra os mais de 40 mil alunos (isso falando de Petrópolis) sofreram uma ruptura com uma rotina escolar. Mal haviam retornado das férias e tiveram que voltar para casa e aguardar como seria a retomada da educação. A solução foi implementar ensino remoto, com conteúdos diferenciados e aulas transmitidas pelo ambiente virtual. Mas nem todo aluno tinha acesso às tecnologias necessárias para continuar estudando. Em maio de 2020 dados divulgados pelo Fundo das Nações Unidas para Infância (Unicef) revelaram que 4,8 milhões de crianças e adolescentes, com idades entre 9 e 17 anos, não tinham acesso à internet em casa. Isso corresponde a 17% de todos os brasileiros nessa faixa etária.

“A pandemia aumentou as desigualdades eu já eram percebidas no ambiente escolar. Não tem como comparar a rede pública e particular e promover uma concorrência justa se as realidades dos alunos são extremamente diferentes. Alguns perceberam isso de maneirara mais cruel com a pandemia. Será preciso mudar a grade curricular e criar um novo jeito de ensinar. O principal será respeitando a situação social de cada aluno. A retomada tem que ser cuidado e com muita cautela”, pontua Maria Angela.

O ambiente escolar é mais do que apenas a transferência de conteúdo do professor para os alunos. É o local onde se criam relações humanas e onde é lapidada a personalidade daquela criança. A crise sanitária também foi percebida pelos pequenos e os educadores precisam levar em consideração essas questões na retomada gradual do sistema presencial.

“Muito alunos voltarão para escolas desanimados, outros em luto. Nesse período eles também absorveram informações sobre a doença. E como trabalhar essas informações?  É preciso cuidado com a saúde psicológica desse aluno”, aponta Maria.

Por isso a educadora reforça que o ensino híbrido e a retomada gradual dos alunos em salas de aula deve acontecer em um outro ritmo. E que mudanças serão necessárias para recuperação do ambiente escolar. “Eles voltarão para as escolas com essa sede de comunicação e aprendizagem. É preciso planejar e retomar com cuidado. É preciso investimento e tornar a educação prioridade no país.”


 

 



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