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  Colunistas
Ronaldo Fiani
COLUNISTA

 

Poucas Cidades Serão Cidades do Conhecimento

 

 

Ronaldo Fiani

 

Tenho destacado nos últimos artigos que a nova indústria 4.0 (comunicação digital e robótica) está criando dois tipos de cidades: as cidades do conhecimento, que vão produzir conhecimento científico e tecnológico de ponta, ou seja, vão projetar os softwares e equipamentos da nova indústria 4.0; e as cidades do caos, onde a destruição das atividades econômicas tradicionais provocada justamente pela nova indústria 4.0 vai resultar em desemprego e subemprego em grande volume, aumentando a pobreza e a criminalidade.

Mas poucas cidades serão no futuro cidades do conhecimento, como são hoje as cidades do Vale do Silício (nos Estados Unidos), Hong Kong, Singapura e Tel Aviv. Este é um ponto importante, porque a visão de muitos economistas e políticos ainda sustenta uma posição defasada em relação à nova realidade do desenvolvimento. Esta posição defasada ainda está vinculada à indústria tradicional, que vai ser progressivamente sendo desmontada pelas inovações da indústria 4.0.

Na indústria tradicional, como a indústria têxtil e siderúrgica, as tecnologias são conhecidas, e a operação em escala econômica exige apenas que sejam reunidos grandes volumes de capital para a importação dos equipamentos e a instalação das fábricas, e que esteja disponível uma força de trabalho minimamente treinada em número adequado. Isto permitiu que estas grandes fábricas fossem instaladas em vários países do chamado Terceiro Mundo, com a promessa de desenvolvimento econômico e social.

Mas a partir da revolução da indústria 4.0 o cenário vai ser diferente. A conexão de equipamentos e máquinas com a internet vai permitir alocar a produção em qualquer lugar do mundo onde os custos sejam mais reduzidos, provavelmente por meio de robôs acionados remotamente, e enviar o produto obtido também a qualquer lugar do mundo. Caso o produto em questão seja fabricado com impressoras 3D, ele vai ser customizado de acordo com as preferências de cada cliente, mesmo sendo produzido em larga escala. Este novo cenário vai implodir a indústria e o comércio tradicionais.

As cidades que abrigam as indústrias tradicionais (e o comércio convencional) vão sofrer com falências em massa, crescimento exponencial do desemprego e subemprego e a resultante crise social. Daí tê-las chamado em outros artigos de “cidades do caos”. Só vão conseguir prosperar as cidades que produzirem tecnologias para a nova indústria 4.0, que chamei de “cidades do conhecimento”.

Mas poucas serão as cidades a ocupar a posição de cidades do conhecimento no mundo. Isto porque a produção de conhecimento de ponta exige uma rede de instituições altamente capacitadas, que juntamente com empresas inovadoras incentivem a geração de novo conhecimento. Estas instituições são as universidades, laboratórios e institutos de pesquisa.

Nestas instituições, o recurso fundamental é sua mão de obra com elevada especialização, ou seja, cientistas, engenheiros, técnicos e pesquisadores. Esta mão de obra leva tempo para ser preparada e treinada, e de nada adianta reunir fundos financeiros em grande volume sem conhecimento técnico-científico de ponta, como no caso da indústria tradicional.

Mas o leitor deve estar se perguntando: não basta apenas ler manuais, artigos científicos e livros técnicos para absorver o conhecimento de ponta? Não seria fácil assim tornar uma cidade qualquer uma cidade do conhecimento?

O problema é que o conhecimento de ponta, como está na fronteira de um campo de saber, não está consolidado e, portanto, ainda não se encontra em manuais. Quando uma determinada etapa do conhecimento técnico-científico é finalmente consolidada e incorporada em manuais, a fronteira do conhecimento já se deslocou para bem longe. Assim, treinar cientistas e profissionais em tecnologia de ponta exige um esforço expressivo e continuado para inicialmente alcançar, e depois se manter na fronteira do conhecimento, o que leva tempo, bem mais do que dinheiro.

Poucas serão as cidades a conseguir manter este esforço, portanto, poucas serão as cidades do conhecimento no futuro. Vale a pena perguntar novamente: qual será a posição de Petrópolis?



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