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  Colunistas
Gastão Reis
COLUNISTA

 

 

                     PETRÓPOLIS,  RIO DE JANEIRO E O FUTURO POSSÍVEL                                                                                                                                                                                                                                                                          É público e notório a íntima ligação de Petrópolis com o Rio de Janeiro.  Vem dos tempos do Império em que Dom Pedro II vinha veranear na cidade, aqui permanecendo por três meses ou mais. Já no período republicano, após o golpe militar de 1889, o mesmo se deu com os presidentes da república, que também subiam a serra para desfrutar do clima agradável nos meses de verão. Quando agregamos os períodos monárquico e republicano, que somam mais de um século, a cidade imperial se tornava a capital do País por três meses, co-lhendo inúmeros benefícios da presença do governo federal nestas terras altas.

          Foi assim que Petrópolis colecionou um amplo rol de iniciativas pioneiras, como a primeira estrada de ferro do Brasil. A indústria brasileira teve início no estado do Rio de Janeiro no século XIX, com especial destaque para Petrópolis. (Só depois é que São Paulo predominou.) Grandes fábricas têxteis se desenvolveram na cidade, e várias outras atividades industriais e de serviços especializados como o de revisão de turbinas pela GE Celma, que hoje é também montadora de motores a jato, e a quarta maior empresa exportadora do País na área de serviços, vale dizer, de inteligência petropolitana com 85% de seus engenheiros formados na UCP – Universidade Católica de Petrópolis.

        Mais recentemente, a cidade soube se reinventar na área de Tecnologia da Informação (TI), uma iniciativa proposta pela FIRJAN, cerca de 15 anos atrás, como uma das vocações da cidade, além do turismo, num estudo das vocações regionais do estado do Rio de Janeiro. Na época, recebeu o nome de Petrópolis-Tecnópolis, e hoje é uma conquista reconhecida nacionalmente.

       Na área cultural, meu amigo Annibal Villella, ex-superintendente do IPEA- Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, que continua sediado no Rio de Janeiro, comentou comigo que conheceu um diplomata inglês que serviu no Brasil na década de 1950. Ele lhe disse que raramente encontrou, em suas andanças pelo mundo, uma cidade com um ambiente cultural da qualidade do

de Petrópolis. Machado de Assis escreveu aqui seu livro Memórias Póstuma de Brás Cubas, hoje reconhecido como obra-prima pela crítica literária mundial.

        Os problemas começaram por volta de 1960 com a transferência da capital para Brasília, em que a cidade do Rio de Janeiro perdeu seu status  de centro nervoso das grandes decisões nacionais. Lideranças  políticas nacionais radicadas no Rio, como a de Carlos Lacerda, dono do sítio do Rocio e enamorado de Petrópolis, foram cassadas, enfraquecendo ainda mais o peso político e econômico do Rio de Janeiro com óbvios impactos sobre Petrópolis, que viveu forte esvaziamento na década de 1960.

         A boa notícia vem de uma proposta bem fundamentada do cientista político Christian Lynch. Na revista Insight Inteligência, ele defende a ideia de que o Brasil passe a ter duas capitais federais, Brasília e Rio de Janeiro. Ele nos informa que não seria a velha síndrome da jabuticaba brasileira, citando exemplos de vários países que adotam a dupla capital. O Chile tem o Poder Executivo em Santiago e o Legislativo em Valparaiso. A Bolívia tem o Judiciário em Sucre e o Executivo e o Legislativo em La Paz. Alemanha, Holanda e África do Sul também estão nesse grupo, funcionando perfeitamente bem.    

         Lynch nos alerta que a crise vivida pelo Rio de Janeiro é estrutural, e inclui a perda de verbas federais e os cuidados que se tem com uma capital. Mas nem por isso perdeu sua capitalidade, neologismo criado por ele. Afinal, para o mundo, o Rio de Janeiro é a cara do Brasil. No lado operacional, vários órgãos federais importantes continuam no Rio: o IBGE, o Instituto Nacional do Câncer, a Comissão dos Valores Mobiliários, a Casa da Moeda, o Arquivo Nacional e ainda o BNDES e a Petrobrás. A cidade ainda abriga 250 mil funcionários do Executivo federal contra 175 mil em Brasília.

         Além do mais, prédios para receber órgãos federais não faltam como os prédios do Ministério da Fazenda e do antigo Ministério da Educação para não falar no Palácio Itamaraty. O poderoso ministro da Economia,  Paulo Guedes,  já deu a partida, despachando do Rio uma vez por semana. Mãos à obra!

Já pensou, caro leitor, os benefícios que adviriam para Petrópolis?

Autor: Gastão Reis Rodrigues Pereira                              

Empresário e economista                                                     .                           

E-mails: gastaoreis@smart30.com.br// ou gaastaoreis2@gmail.com

Celulares. (24) 9-8872-8269



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