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  Colunistas
Gilberto Pinheiro
COLUNISTA

 

 

OS ANIMAIS NÃO AGEM SOMENTE POR INSTINTO
A neurociência comprova que há algo mais do que isso

A cada dia que passa, entendo que podemos aprender muito com os animais, observando suas reações em situações distintas.  Quem estuda, sabe que eles são sencientes como todos nós e, por isso, respeita essas vidas. Isso tem nome singular:  evolução!
À luz dos fatos citados, a neurociência avançou muito nessa questão, hoje entendendo que há muito mais que isso, dando respostas confiáveis e que estão registradas na Declaração de Cambridge, a respeito do cérebro dos animais mamíferos, além de aves, peixes, cetáceos, etc.
Quando tenho ciência, por exemplo, que uma galinha, uma ave tão desprezada  pelo ser humano possui vinte tipos de cacarejos, comunicando-se com outras, e que isso extrapola os limitados instintos,  tenho certeza  que nada  nessa vida  é por acaso e que tudo tem uma razão de ser.  É certo que  os animais não agem apenas por instinto como muitos supõem.  Deus é perfeito!

Um golfinho liderando o cardume emite diversos tipos de sons para manter o grupo unido, impedindo, inclusive, que alguns se afastem do restante;  um animal adotando outro de espécie diferente, não é ato instintivo - é compaixão, sentimento puro de amor como o ser humano traz consigo em sua alma.  
Recentemente, a ONG  Ape Action Africa e seus representantes,  dedicados à conservação de espécies de primatas ameaçados em seus habitats,  entendem  os gorilas como gigantes gentis, pela forma como tratam outros seres de espécies diferentes, como um galago, cuidando desse pequeno animal como se fosse seu filhote.  Poderia destruí-lo, mas prefere tratá-lo bem    Ato instintivo?  Claro que não.  Vai muito além!

Há casos também que nos remetem à acurada reflexão, como cães domésticos de grande porte convivendo em lares com crianças, deixando-as fazer com eles o que bem entendem.  Eles percebem a fragilidade das crianças.  Portanto, não é instinto, prezados(as) leitores(as), é amor, sentimento, exatamente o que une corações.   Não é pelo fato de não conseguirem "falar" via linguagem articulada como a nossa que não podemos vê-los com a mesma atenção que damos a um semelhante.  A senciência dos animais é algo ainda muito recente e a Humanidade precisa ter acesso a informações fiduciais, modificando seu entendimento em relação a eles.  Entender os animais como "máquinas com vida", despojados de sentimentos, emoções e, portanto, consciência, parece-me algo muito simplório, próprio de pessoas distantes do conhecimento que se alarga com o passar dos tempos.  O preconceito à vida animal ainda tem fortes e profundas raízes fincadas no obscurantismo das ideias.

É preciso conhecer para entender o que significa a verdade em seu amplo sentido.   A gente aprende muito pela observação em relação às coisas ao nosso redor, como´pássaros, as árvores e estrelas.  Aprende também observando o que é específico e intrínseco a cada forma de vida, como os animais caminham e agem normalmente.  É preciso um pouco de humildade para ver nesses nossos irmãos a qualidade que normalmente encontramos somente na espécie humana quando temos o horizonte  limitado.  Precisamos enxergar mais longe.  Os animais não matam por vingança, como humanos.   Os carnívoros para sobreviverem agem como predadores de outras espécies menores, porque foi determinado pela Natureza, trazendo no fenótipo celular  esta intenção.  Todavia, quando alimentados, se uma presa que pe rtença a sua cadeia alimentar por ele passar, nada faz contra.    Na verdade, não consigo entender o porquê de existirem animais carnívoros e herbívoros.   Se todos se alimentassem do que consideramos vegetais, não haveria isso.  Os animais herbívoros  não são agressivos.   Será que isso explica, por analogia, a agressividade humana, pois grande parte da Humanidade é carnívora?
É um fato a pensar!

Em síntese, os animais não são simples máquinas reprodutoras, consequentemente, vivas, sem sentir dor, forme, tendo sentimentos, emoções, consciência.    Desde 2012, à luz das experiências neurocientíficas, sabemos que eles sentem como todos nós e isso é o suficiente para protegê-los, evitando a agressão humana.   Quando tenho ciência que nos dias de hoje a defesa de certas culturas e entendimentos atávicos como caça a animais silvestres, baleias, golfinhos mares adentro, além da  tração animal, via carroças e charretes, abandono de animais, rodeios, vaquejadas, etc, percebo o quanto o ser humano ainda precisa aprender sobre a vida. Não é aceitável a exploração desses seres vivos e indefesos e, por isso, no rigor do terceiro milênio que nos encontramos, é doloroso sabe r que ainda persistem tantas formas de crueldade contra os animais.  Isso ofende a razão da vida em amplo espectro, ou seja, não apenas a  humana, mas, principalmente, da fauna que não pode se defender.   O ser humano ainda está preso a atavismos culturais inferiores e idiossincrasias ou disposições de seu temperamento agressivo e especista quando maltrata um animal, seja ele qual for.  Precisamos entender que os animais  não agem apenas por instinto, como a alimentação ou procriação.  Eles têm algo superior - eles são sencientes. Mas, poucos sabem que eles sentem como todos nós e, por isso, tanta maldade ainda contra eles.   A luz ainda não clareou a mente dos perseguidores e exploradores dos animais, infelizmente!
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 nota: um dia, um aluno perguntou-me: o que a Humanidade ganha com isso?
Sucintamente, respondi-lhe:  para a Humanidade o conhecimento;
para os animais, a liberdade!

Gilberto Pinheiro
jornalista, palestrante em escolas, universidades
sobre a senciência e direitos dos animais
Somos o coração a alma, a voz dos animais                               



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