Edição anterior (1679):
domingo, 16 de junho de 2019
Ed. 1679:

Capa

Compartilhe:

Voltar:

HOJE

Edição anterior (1679): domingo, 16 de junho de 2019

Ed.1679:

Compartilhe:

Voltar:


  Colunistas
José Luiz Alquéres
COLUNISTA

 

 

Mauá

Uma das mais emblemáticas figuras do primeiro e segundo impérios brasileiros é Irineu Evangelista de Sousa.

Nascido em 1814 mas já ativo no comércio aos 9 anos de idade sua vida profissional se extende até 1888 quando falece.

Foi sucessivamente:

- um jovem caixeiro na Casa Pereira de Almeida de um atacadista português , certamente ex-negociante de escravos,
- um graduado caixeiro da Casa Carruthers onde se instruiu como guarda livros e comerciante, dominou a língua inglesa e os grandes modelos de negócio mundiais.

Quando Carruthers se retira para Inglaterra em vez de vender seu negócio faz de Irineu seu sócio. O negócio ia bem demais para ser vendido.

Em 1841 quando visita a Inglaterra pela primeira vez já é homem riquíssimo e mergulha no grande mundo das finanças e indústrias inglesas.

Ao voltar ao Brasil começa a por em prática o seu modelo de negócios cujas características são :

- identificar uma oportunidade que tenha escala e se enquadre no framework legal brasileiro,

- detalhar o estudo com os melhores engenheiros , contadores, especialistas

- verificar as condições legais, modelos de contrato etc

- atrair um grupo de investidores, brasileiros e estrangeiros interessados no sucesso do negócio e que aportem seus capitais,

- investir com correção e operacionalizar o funcionamento com competência , dividindo os resultados com investidores e empregados.

Um dos segredos do negócio era captar recursos baratos no exterior e aplica-los com rendimentos maiores no país.

Assim se sucedem no Brasil seus bancos, estaleiros, companhias de gás, de navegação , estradas de ferro.

Seus negócios se vulnerabilizam quando se aproxima do governo e abre , a seu pedido, bancos no Uruguai e Argentina , se envolvendo na política desses países onde as vezes acaba em lado que não é mais o do interesse do Brasil ( que mudou no meio do caminho).

Crescem por isso suas divergências com o setor conservador do império e mesmo os liberais , dos quais é um deputado, passam a atacá-lo .

Arrisca, cresce envolve-se em negócios como um verdadeiro banqueiro de investimentos.

Ele havia sido feito Barão de Mauá na inauguração do trecho inicial da ferrovia para Petrópolis mas décadas depois, quando da inauguração do cabo telegráfico submarino para Europa o Imperador o faz Visconde com grandeza.

Três anos depois o Banco do Brasil nega-lhe empréstimo de 3.000 contos e é obrigado a pedir concordata . O montante, quase 100 mil contos, equivale a um ano da arrecadação do Império.

Embora pague  60 por cento deste total, a Justiça nega-lhe um prazo adicional de três anos para pagar o resto d decreta sua falência.  Apesar da sua revolta colabora com os liquidantes e consegue pagar integralmente a todos devedores e ser reabilitado.

Um homem íntegro , muito avançado em relação à sua época , sonhou um Brasil moderno, líder internacional e desenvolvido com base na valorização do trabalho e respeito ao capital.

Foi na época “ vencido mas não convencido” pela quintessência do pensamento conservador, centrado na propriedade fundiária , no bacharelismo, condenado por uma justiça obsoleta e cheia de chicanas.

Para os empresários deste país é desde então o seu patrono , um exemplo de tenacidade .

 



Edição anterior (1679):
domingo, 16 de junho de 2019
Ed. 1679:

Capa

Compartilhe:

Voltar:

HOJE

Edição anterior (1679): domingo, 16 de junho de 2019

Ed.1679:

Compartilhe:

Voltar: