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  Mobilidade

Mobilidade Urbana,  um grande problema em Petrópolis

Wellington Daniel

 

A frota de automóveis tem crescido constantemente em Petrópolis. Em um ano, de janeiro de 2018 para janeiro de 2019, o salto foi de quase dois mil veículos do tipo, segundo dados do Detran, de 112.203 para 114.643. Em dez anos, o aumento foi de 37.313 unidades. O número era o segundo maior do interior do Rio em 2016, segundo o IBGE. Todo esse aumento traz à tona uma situação debatida em todo o mundo: quantos carros podem ser colocados nas ruas até que a cidade pare de vez?


 O Ministério do Meio Ambiente diz em seu site que a resposta tradicional aos problemas de congestionamento, que seria o aumento da capacidade viária, não resolve a questão. É preciso pensar em uma mobilidade sustentável.

- O que se diz normalmente, que é necessário o aumento da capacidade viária, estimula o uso do carro e gera novos congestionamentos, alimentando um ciclo vicioso responsável pela degradação da qualidade do ar, aquecimento global e comprometimento da qualidade de vida nas cidades – diz um texto no site do Ministério.

A bióloga Cecília Beer explica um pouco mais sobre como os automóveis contribuem para a poluição e diz que os combustíveis contribuem para o tão conhecido Efeito Estufa.

- A queima de combustíveis fósseis causa poluição atmosférica. Isso ocorre porque a queima incompleta desses combustíveis acaba lançando na atmosfera grande quantidade de CO2 (gás carbônico). Esse gás intensifica o efeito estufa e contribui para o processo de aquecimento global. No Brasil, o álcool entre os três combustíveis mais usados, é o menos poluente, o que não quer dizer que não polui. O diesel é o mais poluente – explica.


 Segundo dados do Detran, de janeiro de 2019, de 171.820 veículos (de todos os tipos) existentes na cidade, 6% são movidos apenas por álcool. Tendo apenas o diesel como combustível, são cerca de 5%. Na cidade, há apenas um carro elétrico. O número de movidos apenas a gasolina é campeão, com aproximadamente 47% do total.

O engenheiro civil, mestre em engenharia e professor de mobilidade urbana da Universidade Estácio de Sá, Bruno Azevedo, acrescenta que os altos índices de urbanização contribuem para que o debate sobre mobilidade urbana seja de alta complexidade.

- Os problemas de mobilidade urbana possuem alta complexidade, pois no Brasil nós tínhamos, em 2010, cerca de 80% da população residindo em áreas urbanas e a ONU [Organização das Nações Unidas] prevê que, em 2030, nós teremos em torno de 91%. Essa densidade em áreas urbanas está entre as maiores do mundo e, quanto maior a densidade, mais complexas e caras são as soluções de engenharia – expõe.

Por isso, é necessário pensar em novas formas de locomoção. Uma Lei Federal de 2012 diz que os municípios teriam que apresentar um plano de mobilidade ao então Ministério das Cidades. Mas até agora, apenas 6% dos municípios informaram ter concluído o plano. O prazo já foi adiado três vezes.

A Lei diz que deve ser prioridade os modos de transportes não motorizados e dos serviços de transporte público coletivo. Em Petrópolis, quem escolhe a bicicleta para se locomover, ainda enfrenta dificuldades. Rafael Lima, de 19 anos, entrega quentinhas com sua bicicleta e diz que é perigoso andar nas ruas da cidade.

- Eu prefiro andar na rua, porque na calçada, às vezes, é necessário desviar das pessoas. Então tem que andar no meio dos carros mesmo. Mas é muito perigoso e muitas das vezes eles não respeitam a gente – diz.

Para Bruno Azevedo, é sempre possível melhorar a situação da mobilidade. E nessa melhoria, devem ser pensados transportes coletivos e não motorizados.

- Sempre é possível melhorar a situação da mobilidade e, em Petrópolis, poderíamos citar o maior estímulo e obras de infraestrutura para construção de faixas exclusivas para ônibus, com ações prevendo a troncalização de coletivos, bem como o estímulo a deslocamentos não motorizados, como bicicletas e até a pé. A mobilidade em veículos de média e alta capacidade [transporte de passageiros] ou não motorizada deve ser prioridade nas cidades com altas taxas de urbanização – esclarece.

A locomoção por meio de bicicleta ou caminhada também traz benefícios a saúde. O educador físico Ramon Affonso Cabral, pós-graduado em fisiologia, nutrição e medicina avançada, diz que as atividades podem ser realizadas por pessoas de todas as faixas etárias.

- Existem vários benefícios que uma caminhada ou uma pedalada podem trazer, desde o emagrecimento até uma qualidade de vida melhor. Também são consideradas atividades físicas de baixo impacto, sendo recomendadas a pessoas de todas as faixas etárias. Então é muito importante tirarmos pelo menos 30 minutos do nosso dia para a realização desses exercícios – conta.

Detalhando os benefícios, Ramon cita a melhoria do bem estar diário, prevenindo até mesmo a ansiedade e depressão.

- Essas atividades ajudam no fortalecimento ósseo e da panturrilha. No caso dos ossos, acaba ajudando a prevenir a osteoporose. A panturrilha é considerada o “segundo coração” do corpo humano. Com o fortalecimento desta parte, haverá uma melhora na circulação do sangue. Esses exercícios também contribuem para o aumento do HDL, o colesterol bom e liberam endorfina, o hormônio do prazer. Esse hormônio contribui para o bem estar diário, reduzindo o estresse e ajudando assim na prevenção de depressão e ansiedade – ressalta.

O engenheiro Bruno diz que, devido ao acervo histórico e ambiental da cidade, é necessário que todas as iniciativas sejam avaliadas pelos órgãos e que reforça a necessidade de pensar em formas de mobilidade não motorizada.

- Por se tratar de área com alta participação de órgãos de conservação do patrimônio histórico e meio ambiente, todas as intervenções devem ter a participação dessas organizações. A cidade possui características especiais que favorecem a utilização de espaços para mobilidade não motorizada, o que também favorece o turismo e a preservação do entorno. Toda iniciativa que vise à diminuição de veículos motorizados de pequena capacidade contribuirão para a preservação do espaço construído da cidade e melhoria da qualidade de vida da população – expõe.

Conferência Municipal debaterá questão

A Prefeitura anunciou na sexta-feira (15) que a Conferência Municipal de Transportes de 2019 terá como tema Mobilidade Urbana. No evento, marcado para os dias 22 e 23 de março, em local a definir, será apresentado o PlanMob (Plano de Mobilidade Urbana). As inscrições podem ser feitas através do site da CPTrans. O evento também decidirá quem serão os novos membros da Comutran.

A Prefeitura disse que a CPTrans já realizou consultas e audiências públicas sobre o tema e está na fase de confecção do plano inserindo, também, as informações que foram levantadas nos formulários. Esse plano irá nortear as ações da prefeitura em torno da mobilidade nos próximos dez anos e irá contemplar todos os aspectos que compõem o trânsito e atende as exigências da lei citada.

- Esse é um compromisso assumido e o resultado de um trabalho feito com muito empenho pela equipe da CPTrans. O plano dá os nortes para a mobilidade da cidade, considerando todas as suas características e peculiaridades, ao mesmo tempo que contém as opiniões e sugestões, principal interessada em um plano bem estruturado e que esteja em consonância com o que o petropolitano precisa no dia a dia - destacou o prefeito Bernardo Rossi.



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