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  Colunistas
Reinaldo Paes Barreto
COLUNISTA

Rio, 14 de março de 2019. Invenção “jabuticaba”

Há um restaurante na Rua da Quitanda, no Centro do Rio, chamado Fi-lo Porque Qui-lo,  uma frase que o Jânio nunca disse porque era pinguço e pirado mas conhecia gramática a fundo (o certo é fi-lo porque o quis) que, claro!, vende comida a peso. Duvido que 90% dos passantes associem a ênclise (epa!) ao doido da vassoura, mas vale o jogo de palavras: o local vive cheio.

  

No início, desde tempos ‘imemoriais”, comida barata fora de casa era nas pensões.

Na sequência, vieram as lanchonetes. Esse sistema começou por volta da década de 1980, competindo principalmente com os tradicionais restaurantes de prato feito. Nota: a pioneira foi a Bob`s da Rua Domingos Ferreira, em Copacabana, inaugurada em 1952 e de saudosíssima memória. Sacada comercial audaciosa do Robert Falkenburg  — é ou não destino:  o rei do hamburguer chamar-se “burg”?),  um socialite, jogador de tênis e  corredor de automóvel, mas com o torque de um Ricardo Amaral da  (gringo) da época. Um precursor de modas cariocas.


 

A Bob’s pegou em cheio. E os hamburgers, os mistos quentes, os sanduíches inovadores (de atum) e o sundae, de remate, povoam até hoje a memória gustativa de todo carioca da Zona Sul com mais de 50 anos!


 Infelizmente, fechou.

Mas voltemos à chamada “comida a quilo” ou “por quilo”, como preferem alguns estabelecimentos. É uma dessas (título)  invenções “jabuticaba” que transformou  a refeição em restaurantes – sobretudo nos grandes centros urbanos —  em uma experiência de globalização alimentar.

Já vi em numa mesma gôndola, sushi, salmão, lagosta, frango, quibe de carne, lombinho de porco, linguiças, lasanha, natureba, “arrozes“ e… churrasco!

 
 

A logística é quase sempre a mesma: os alimentos prontos ficam expostos sobre um balcão (que pode ser refrigerado ou aquecido) e o próprio cliente se serve deles, no estilo self-service. Entretanto, certos alimentos como japas, massas ou grelhados podem ser servidos por funcionários do local, a pedido do cliente ou num espaço específico.


  
 Como as bebidas e complementos: sal, pimentas, azeites, água quente, etc.

Geralmente o preço é calculado por cada 100 gramas e alguns são realmente muito baratos. Tipo R$ 3,80 cada 100 gs.

Vantagens para o cliente: variedade de escolha, preço — por cerca de vinte reais come-se bem (sem bebida alcoólica) com cafezinho incluído e quem estiver com pressa, liquida a fatura em 15 minutos. E, muito importante: quem estiver querendo (ou precisando) economizar, terá sempre a desculpa (se flagrado) que tem um compromisso dali a meia hora … ou que está em dieta severa e só come saladas e frios.


  

Vantagens para o dono: comparado com outros tipos de restaurante, as vantagens são o baixo custo de implantação; o ganho em escala, decorrente do preparo dos alimentos em grandes bateladas; a possibilidade de usar cozinheiros menos qualificados e em menor número; a redução de atendentes e a capacidade de servir mais clientes ao mesmo tempo.

 
 

Mas há uma variante chique: a) os restaurantes podem servir “a peso” na hora do almoço e à la carte na hora do jantar, ou no mesmo horário em pisos diferentes; b) os restaurantes cujo bufê observa viés temático; ou seja, comida vegana, portuguesa, japonesa, mineira, nordestina,  árabe, só na brasa — ou portuguesa — se diferenciam dos “misturados”; c) já existem os meio-a-meio: vc escolhe e paga pelo prato escolhido no cardápio e o bufê ou rodízios de acompanhamentos é livre. Ou fica só no bufê por preço inferior.

Ou seja, a criatividade brasileira criou a Torre de Babel gastronomia!



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