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  Colunistas
Reinaldo Paes Barreto
COLUNISTA

 

 

A eficácia portuguesa

Essa crônica é de uma curiosa história vivenciada por mim na Cia. de Cigarros Souza Cruz. Entrei lá em 1974 e sai com o plano Collor em janeiro de 1991. No último período (três anos) eu era o responsável pelas áreas de “new medias” e assessoria institucional à presidência. E esse caso – verdadeiro – que vou narrar, se deu em 1983.

Foi assim. A empresa resolveu comemorar em grande estilo os seus 80 – em 1983 -- e destacou uma pequena equipe para cuidar do projeto e eu fiz parte ativa dos preparativos, pesquisando a história da companhia, das suas marcas (e cicatrizes!), etc.

Ela foi inaugurada pelo português Albino Souza Cruz em 25 de abril – olhem a data! – de 1903, num sobrado da Rua Gonçalves Dias, com 16 funcionários!. E foi pioneira em muitas iniciativas: fabricação mecanizada de cigarros já enrolados, a dianteira na confecção de rótulos lindamente ilustrados e impressos a 4 cores (depois que comprou da “Lithográfica Ferreira Pinto”) e centenas de outras medidas industriais e empresariais (o seu Dpto. de RH era um espetáculo, bem como o plano de benefícios: o mais moderno e generoso de todas as multinacionais).

Mas vamos ao caso. O Albino Souza Cruz era um português desses de merecer biografia na Revista Seleções, como Meu Tipo Inesquecível. Nasceu na remota vila de Santa Eulália da Palmeira, Santo Tirso, em 1869, no fundo de Portugal. Veio para o Brasil aos 16 anos – só – na terceira classe de um navio. Foi pra casa de um tio “que já cá estava” e que o empregou na Fábrica de Fumos Veado (*), aonde trabalhou como um louco durante 18 anos e por fim, comprou a fábrica. E aos 33 anos, “sabendo tudo de cigarros” instalou-se num sobrado, como disse acima e começou a produzir cigarros envolvidos mecanicamente em papel, uma total novidade. Não parou mais. Em 1914 vendeu o controle acionário para os ingleses da British American Tobacco – tendo a sabedoria de preservar um nome luso-brasileiro, que seria um diferencial quando por aqui aportaram a Reynolds, Philip Morris e outras gringas.

 Albino Souza Cruz

Além disso e como todo imigrante do seu tempo, ao se tornar rico e conhecido o Albino queria ser, também, socialmente valorizado. E entrou de sócio do Real Gabinete Português de Leitura, do Liceu Literário, do Vasco da Gama – é claro – e do Joquei Clube, onde frequentava todo janota a Tribuna de Honra. Pois bem: corria o ano de 1931, o Getúlio e a gauchada tinha(m) tomado conta do Rio e o garboso então Ministro da Fazenda, Oswaldo Aranha, frequentava o hipódromo com o seu cigarro permanentemente pendurado na boca.

 Oswaldo – ao lado de outro gaúcho célebre, Flores da Cunha  

Só que os cigarros da Souza Cruz da época tinham nomes e figuras de mulheres (tanto por galanteria quanto para atrair esse emergente público feminino) e um dos mais conhecidos era o Dalilah (que diziam ser amante do patrão e era o endereço telegráfico da companhia...).

 Cigarros Dalilah

Uma imagem antiga, meio art-déco. E o Oswaldo ao ser apresentado ao Albino disse-lhe: “muito bem, sei que o Sr. é o maior fabricantes e cigarros do país e lhe faço um desafio. Quando é que o Sr. vai produzir um cigarro moderno, com a cara dessa revolução que nós vencemos no ano passado?”

E o Albino, não fosse ele quem era, respondeu na bucha: “Sr. M’nistro, em menos de 60 dias estarei lhe oferecendo o primeiro maço!”

 


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