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  Colunistas
Ronaldo Fiani
COLUNISTA

 

Superando os obstáculos para transformar Petrópolis em cidade inteligente

 

            No nosso último artigo vimos que que a Lei de Inovação proposta pela Prefeitura e que se encontra em exame pela câmara dos vereadores de Petrópolis visa a, entre outras coisas, estimular a inovação na gestão municipal. Esta lei, caso aprovada, abre a possibilidade do emprego de novas tecnologias de informação e comunicação para melhorar a qualidade de vida na cidade, elevando a eficiência e diminuindo os desperdícios de recursos na administração pública.

            Conforme vimos no último domingo, um exemplo de tecnologia empregada em cidades inteligentes é a chamada internet das coisas, que envolve interconectar em rede objetos que são utilizados na vida da cidade, tais como sinais de trânsito, estacionamentos públicos, lixeiras etc., por meio de sensores e atuadores, que recolhem informações e as transmitem para a rede, de forma a otimizar o funcionamento dos sistemas de prestação de serviço.

Por exemplo, um sistema assim pode funcionar ajustando os intervalos de tempo dos sinais de trânsito de acordo com o fluxo de tráfego, reduzindo os congestionamentos e os problemas que surgem quando os intervalos de tempo são fixos. Outro exemplo seria o de sensores em lixeiras, indicando quais devem ser visitadas pelo caminhão de coleta, otimizando o recolhimento e reduzindo o desperdício de combustível.

Já a tecnologia de processamento de grandes volumes de dados, o chamado Big Data, pode ajudar não apenas no funcionamento da internet das coisas, mas também no cruzamento de vários dados que são gerados pelos diferentes departamentos da administração municipal, muitas vezes em formatos diferentes (bancos de dados, planilhas, textos etc.). As possibilidades de ganhos para a gestão da Prefeitura são enormes, pois o Big Data possibilita cruzar informações que permitirão melhorar a gestão financeira, a arrecadação fiscal e a alocação de recursos nas diferentes atividades públicas (saúde, educação, meio ambiente etc.).

Por último, a transformação de Petrópolis em cidade inteligente pode resultar em demanda para as empresas de tecnologia de ponta que se encontram na cidade, fortalecendo seu caráter de polo inovador, o que pode estimular também a pesquisa e a inovação dentro das universidades aqui localizadas, com consequências positivas novamente tanto para a gestão municipal quanto para as empresas de tecnologia. A transformação de Petrópolis em cidade inteligente pode resultar, por conseguinte, em um círculo virtuoso de desenvolvimento para a cidade.

Embora as perspectivas sejam muito promissoras, isto não quer dizer que a caminhada de Petrópolis para se tornar uma cidade inteligente seja fácil. Muitas vezes se acredita que uma inovação resolve de imediato todos os problemas a que se propõe, sem deixar nada pendente para trás, e que sua aplicação é simples e que não envolve maiores dificuldades. Nada mais distante da realidade. Na verdade, os efeitos de uma inovação somente são plenamente conhecidos depois que ela é aplicada. Daí o fato de que inovações em geral são testadas em pequena escala e, somente depois dos seus efeitos avaliados, começam a ser aplicadas em larga escala.

Por outro lado, toda inovação envolve mudanças nas rotinas e processos que eram empregados anteriormente, para acomodar a nova tecnologia. Isto é verdade tanto para uma empresa privada como para a gestão pública. Por exemplo, a possibilidade do cruzamento de informações de diferentes setores da administração municipal exige que os dados gerados em cada setor sejam tratados com maior cuidado, pois o seu cruzamento com dados de outros setores pode multiplicar os erros no tratamento dos dados de um setor para os demais setores. Também a título de exemplo, uma hipotética escolha por uma rede que regule os intervalos dos sinais de trânsito para adequar ao fluxo de veículos, provavelmente demandará uma rotina de manutenção mais apurada do que um sistema de sinais com intervalos fixos.

Por todos estes motivos, um passo fundamental na transformação de Petrópolis em uma cidade inteligente é a adoção de uma gestão de risco adequada. Ou seja, não basta decidir transformar Petrópolis em uma cidade inteligente, é preciso preparar a cidade para isto e avaliar cada passo desta transformação, buscando eliminar ou reduzir as inevitáveis resistências, muitas vezes dentro da própria administração pública. Estima-se que mais de 80% dos projetos de tecnologia de informação falham por fatores que não estão ligados à própria inovação: problemas organizacionais, falhas de gestão e questões políticas. Entre estes, pode-se destacar: planejamento deficiente, falta de apoio no topo da hierarquia, falta de qualificação profissional, vulnerabilidade a mudanças políticas etc.

A Lei de Inovação aponta um caminho promissor para a administração de Petrópolis, mas o caminho é longo e exige uma adequada gestão de risco.



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