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  Geral

31% das mães brasileiras são solteiras

Em Petrópolis, uma mãe deste grupo conta sobre as dificuldades

Wellington Daniel

No dia que é comemorado o Dia das Mães (12), uma realidade cada vez mais crescente vem à tona: as chamadas mães solteiras. Dados do Instituto Data Popular, divulgados pela Agência Brasil em 2015, apontam que o país conta com 67 milhões de mães, das quais 31% são solteiras, ou seja, um pouco mais de 20 milhões. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE) também apontaram para o aumento de cerca de 1 milhão deste grupo entre 2005 e 2015.


 A psicóloga Raquel Martins Silva (foto) explica um pouco mais sobre as novas construções familiares que têm surgido.

- É apontado um novo tipo de família, a chamada família monoparental, ou seja, mãe e filho somente. Antes tínhamos a família patriarcal (mãe, pai e filhos), mas agora temos novos modelos – explica.

A psicóloga também diz que alguns estudiosos fazem distinção entre “mãe solteira” e “mãe sozinha”.

- Alguns estudos fazem a separação de mães solteiras e mães sozinhas. O primeiro é relacionado a mães que tiveram filhos na adolescência ou juventude e que não tiveram condições de arcar financeiramente com os gastos desse filho. Já que ela vai estar sozinha na criação desse filho – disse.

Em Petrópolis, a jovem Renata, que preferiu não ser totalmente identificada, é mãe de uma menina de dois anos. Diz ser feliz como mãe.

- Ser mãe é algo único, inexplicável. É você se dedicar a criança mais do que a você mesma, passa a ver o mundo de outra forma, amar seu filho como nunca imaginou amar alguém. É gratificante ser mãe – conta.

A jovem rejeita o termo “mãe solteira” e se considera mãe como qualquer outra. E ainda diz que não é um bicho de sete cabeças.

- Eu acho o termo "mãe solteira" errado. Eu sou mãe e pronto. Independente de qualquer coisa sou mãe como qualquer outra. Claro que, em partes, tem coisas que são diferentes, mas de modo geral não é um bicho de sete cabeças. Às vezes, a ajuda paterna faz falta, mas nada que não dê pra superar – relatou.

O apoio da família foi fundamental. Renata contou por vezes com a ajuda da irmã e do pai.

- É essencial a ajuda da família, porque eles são um alicerce. Eles ajudam muito e, nesses casos, ajuda é essencial. Alguns casos têm familiares que rejeitam, criticam, mas o importante é ter um foco, que é criar seu filho e não se deixar abalar. Tem horas que abala sim, ninguém é de ferro, mas depois passa, só lembrar-se do seu foco – afirmou.

A psicóloga Raquel também concorda que o apoio da família é fundamental. Ela cita exemplos de algumas coisas que são faladas e impactam as mães.

- Os familiares precisam dar apoio a estas mães. Ainda mais quando se é uma família muito rigorosa, com uma visão mais fechada sobre filhos fora do casamento. É uma situação difícil. Tem famílias que expulsam estas mães de casa e aí se veem com uma responsabilidade da questão da maternidade, do cuidado, e também o prover a esta criança – conta.

O estudante João Vitor Brum, de 22 anos, foi criado apenas pela mãe. O jovem conta que a questão sempre foi levantada por outras pessoas, mas que ele lidou bem com a situação.

- Nunca tive problema com isso. Desde sempre, tive muito orgulho da luta dela, tanto como profissional quanto como mãe. A presença do meu pai foi mais cobrada por terceiros do que por mim, pois nunca tive problema com isso e tinha meu avô materno e meu tio, irmão da minha mãe. Acredito que o maior desafio não foi com relação a ela me criar "sozinha", mas sim de conseguirmos nos desvencilhar do meu pai, que agia de forma abusiva com a minha mãe. O mais difícil foi ajudá-la a superar isso. Ela sempre foi muito presente e sempre tivemos uma relação muito boa e baseada em sinceridade, então enfrentamos tudo juntos, até hoje – relatou.

A psicóloga ainda aponta que quando a criação torna-se monoparental por divórcio, é necessário que seja explicado aos filhos.

- Tem mães que se tornam solteiras devido ao divórcio e um ponto importante sobre isso é a questão de se conversar com o filho sobre a separação. Porque a criança fica naquele meio sem entender o que está acontecendo. Os pais não passam isso, não explicam a situação abordando que apesar de morarem separados, o carinho vai continuar o mesmo. E, às vezes, há um sentimento de abandono que se prolonga para as próximas relações da criança, de sempre achar que vai ser abandonada, porque isso não foi conversado – orienta.



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