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  Saúde

Alergias alimentares têm se tornado comuns e podem levar à morte

Semana Mundial da Alergia visa conscientizar e esclarecer mitos sobre o assunto

João Vitor Brum - joaovitor@diariodepetropolis.com.br


 Dados da Organização Mundial de Alergia (WAO, sigla em inglês), informaram que, atualmente, em todo o mundo, cerca de 8% das crianças com até dois anos de idade possuem algum tipo de alergia alimentar, número que cai para 2% nos adultos. Mais de 170 alimentos possuem potencial alergênico, mas um pequeno número destes concentra a maior parte dos casos. Nesta semana, foi realizada a Semana Mundial de Alergia que, neste ano, teve como tema a alergia alimentar, visando conscientizar a população sobre o diagnóstico, tratamento e prevenção dos diversos tipos da doença, que tem atingido cada vez mais pessoas.

A alergia alimentar é uma resposta exagerada do corpo após a ingestão de determinadas proteínas presentes nos alimentos. Os sintomas podem aparecer na pele, sistema gastrointestinal, respiratório e/ou cardiovascular. As reações dependem do organismo, e podem ser leves, como simples coceiras nos lábios, até coisas mais graves, incluindo o comprometimento de vários órgãos e risco de morte.

O quadro alérgico pode se manifestar em qualquer fase da vida, mas a maior incidência é durante a infância. Quando nascemos, nosso sistema imunológico ainda está em formação, e segue em desenvolvimento até a adolescência, o que justifica as reações alérgicas serem mais comuns nesta fase.

              Não há números específicos para o Brasil quando o assunto são alergias alimentares, mas é estimado que a porcentagem seja próxima à mundial. Como cada país e região possuem diferentes hábitos alimentares, alguns alimentos apresentam maior incidência de alergias ao redor do planeta.

              Por exemplo, no sudeste asiático, o arroz é o maior causador de alergias, e nos países nórticos, o que encabeça as listas são os peixes e frutos do mar no geral. Já nos Estados Unidos, o amendoim é um dos alimentos que mais causam alergia.

              No Brasil, segundo o médico, o alimento com maior incidência, com grande folga acima dos outros, é o leite, seguido pela soja, ovo e peixe. Alergias a chocolate, castanhas, corantes e porco são mais registradas em adultos, e menos raras do que se pensa.

O coordenador regional da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (Asbai), o alergista Ney Bartolomeu, destacou a importância do acompanhamento médico e esclareceu dúvidas e mitos acerca do assunto em entrevista ao Diário. Segundo ele, é importante entender a diferença entre alergia e intolerância.

              - Muitas pessoas confundem os termos e dizem que são alérgicas a algo sem ao menos consultar um médico. O diagnóstico só pode ser feito por um especialista, que irá realizar os exames de acordo com o histórico médico do paciente. É importante, também, nunca realizar a provocação com alimento (como teste alérgico) fora de um ambiente hospitalar e sem a presença de um médico, pois o paciente pode, até, ter um choque anafilático e ir a óbito – disse o médico.

              A lactose é um tipo de açúcar encontrado no leite, e não é desencadeador de alergias, e sim de intolerância, fato que causa muita confusão entre leigos. Os sintomas da intolerância são dores abdominais, diarreia, gases e abdômen distendido.

Por outro lado, a alergia ao leite é desencadeada por proteínas, principalmente as caseínas, alfa-lactoalbumina e beta-lactoglobulina. Os sintomas podem ser vários, como placas vermelhas pelo corpo, coceira, inchaço dos lábios e olhos, vômitos em jato e/ou diarreia e até anafilaxia, considerada a reação mais grave. 

A Semana Mundial de Alergia

A Semana Mundial de Alergia, que teve em 2019 o tema “Alergia Alimentar: Um problema Global”, teve início no último domingo (7) e foi encerrada no sábado (13). Em outras edições, temas como urticária, rinite, entre outros, foram abordados. Ney Bartolomeu, que é natural do Rio de Janeiro e se formou em Petrópolis, atua nas duas cidades há cerca de 40 anos como alergista, e comentou que as mudanças nos hábitos alimentares contribuem para a maior incidência de alergias alimentares.

- O homem, há muitos séculos, se alimentava apenas de vegetais. Depois, começou a consumir carnes e outros tipos de alimentos, e, hoje em dia, o leque de opções aumenta a cada dia, o que contribui no crescimento da alergia alimentar em todo o mundo, o que foi fator decisivo na escolha deste tema para a Semana Mundial de Alergia – disse.

Em nível mundial, a Semana é promovida pela WAO, e, no Brasil, a instituição responsável é a ASBAI, criada em 1972. A associação, sem finalidade lucrativa e de caráter científica, tem como missão promover a educação médica continuada e a difusão de conhecimentos na área de Alergia e Imunologia.

Além disso, também visa divulgar para a sociedade a importância da prevenção e do tratamento de doenças alérgicas e imunodeficiências. Atualmente, a associação tem representantes regionais em 21 estados brasileiros.

Saiba os sintomas de alergias alimentares

Diferente do que muitos pensam, a quantidade ingerida não afeta nos sintomas desencadeados por alergias e o excesso no consumo de um alimento não é um fator causador dos casos. A pessoa que possui uma alergia já nasceu com a deficiência, não podendo ser afetada pelo consumo. Em crianças, os sintomas são de percepção mais fácil, devido à anormalidade.

- Em bebês e crianças, as alergias causam cólicas muito violentas, vômito anormal (com quantidade grande), diarreia ou prisão de ventre, palidez, urticária, síncopes (perda temporária de consciência) e até falecimento. Os sintomas são de fácil percepção e um pediatra deve ser procurado imediatamente após o aparecimento de um deles – disse Ney Bartolomeu.

Em adultos, sintomas parecidos podem ser percebidos, mas em proporções menores. Vale também destacar vermelhidão na pele, coceira, dor abdominal, congestão nasal, espirros, tosse, falta de ar, aumento da frequência cardíaca, queda da pressão arterial, tontura, entre outros. Há também as alergias que se manifestam apenas na região da boca, que apresenta forte vermelhidão e coceira nos lábios e céu da boca.

Uma pessoa que convive com alergia alimentar deve realizar uma dieta de exclusão, devido ao consumo destes alimentos. Outro fato importante é a leitura de rótulos de produtos industrializados, sempre garantindo que não há a presença da substância a qual a pessoa é alérgica no alimento. Avisar a garçons e metres de restaurantes ao pedir uma refeição também é imprescindível.

- Às vezes, alimentos são preparados na mesma panela, gordura ou algo assim, o que faz com que a comida absorva a substância. Por exemplo, se a pessoa é alérgica a camarão e pede um arroz que foi preparado na mesma gordura, uma reação pode acontecer da mesma forma – comentou Ney, coordenador regional da ASBAI.

Ao perceber uma reação alérgica, é importante que a pessoa realize a auto injeção, garantindo que a vítima chega a tempo em uma unidade de saúde.



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