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  Cidade

Histórias da Cidade Imperial

André Barros e Marta Bonimond

 

Ante a iminência de virar banquete de cupins, salvamos a biblioteca de nosso falecido avô Claudio Pestana Magalhães, em Samambaia. Não dava pra terminar de qualquer jeito a empreitada de desmanchar as pilhas do chão, tirar a poeira de um por um e guardar de volta três mil livros na estante. Era preciso classificar em seções: história, literatura, do Brasil, do mundo, do “Rio Grande, tchê!”,  sociologia, filosofia, marxismos, best sellers, Pedro Nava, Marguerite Duras, Jorge Amado, Freud, Nise da Silveira, Dostoiévski e, no meio disso tudo: Petrópolis!

Marta Bonimond

  

Numa singela obra intitulada “Petrópolis antigamente”, aprendemos que esta foi a primeira cidade brasileira a receber o sufixo grego pólis. Além disso,  encontramos o relato de um viajante do início do século XIX sobre o árduo trajeto do Rio até aqui:

“Logo que meu propósito de viajar foi conhecido, recomendaram-me um excelente tropeiro (...) deixamos a cidade, costeando o litoral leste da Ilha do Governador (...), avançamos até a foz do Rio Inhomirim e, pelo entardecer, alcançamos o Porto da Estrela (...) Prosseguindo viagem, o aspecto das montanhas que nos defrontavam tornou-se imponente, a cordilheira composta de altíssimos píncaros, proeminências arrojadas e precipícios imensos (...) À medida que subíamos, o desfiladeiro apresentava admiráveis paisagens de montanha e mata. Chegando ao cume, alcançamos uma venda miserável na foz do Córrego Seco (...) As montanhas de cada lado eram muito escarpadas e cobertas de mata virgem. Passamos, então , a descer, atravessando um pequeno povoado em que um regato corria a juntar-se ao rio principal (confluência dos rios Quitandinha e Palatino, onde fica hoje a Praça Dom Pedro)” (Dunlop, 1978)

Pedro I, por sua vez, também encarava a viagem e chegou a trazer sua filha Paula Mariana para tratar da saúde em temperaturas mais amenas. Quando passava por estas bandas, a caminho de inúmeras missões nas Minas Gerais, ele costumava se hospedar na fazenda do Padre Antônio Tomás de Aquino Correa da Silva Goulão, logo ali, onde hoje fica o bairro de Corrêas.

Quando o padre faleceu, o imperador pediu para comprar a fazenda, ao que a irmã dele, Dona Arcângela, respondeu: “Sinto muito, Vossa Majestade, mas firmamos um compromisso de que a propriedade jamais sairia de nossa família...”.

Depois de procurar outras terras na região, D. Pedro I comprou a fazenda do “Córrego Seco”, entre o Alto da Serra e Quissamã, e depois adquiriu mais outras, por compras e doações. Entretanto, ele não teve tempo de construir nada antes de abdicar do trono e partir para assumir o de Portugal, em 1831. Foi o ainda adolescente Dom Pedro II que determinou, em decreto de 16/03/1843, a edificação do Palácio Imperial.

Turistas de todos os cantos do mundo chegam para ver de perto dos objetos emblemáticos da monarquia: coroa, trono e cetro reais, além dos móveis, utensílios, retratos. Quem não carrega na memória a diversão infantil de patinar nas deliciosas pantufas que servem para proteger o assoalho dos suntuosos cômodos e corredores do Museu Imperial?

 



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