Edição anterior (2058):
segunda-feira, 29 de junho de 2020
Ed. 2058:

Capa

Compartilhe:

Voltar:

HOJE

Edição anterior (2058): segunda-feira, 29 de junho de 2020

Ed.2058:

Compartilhe:

Voltar:


  Cidade

 

 Antonio Carlos de Barros Carvalho fotografou a onça-parda na  Rua Paula Buarque, no Parque São Vicente

Aparecimento de animais silvestres em áreas urbanas tem aumento significativo em Petrópolis

Thaciana Ferrante – especial para o Diário/Fotos arquivo

 Coruja é resgatada por Corpo de Bombeiros. Bicho-preguiça é salvo por militares e solto em mata da região. Quase toda semana há uma reportagem deste tipo em Petrópolis. Pois é. Com o desmatamento dos últimos anos, e a quarentena, que “obrigou” a população a se isolar dentro de casa o máximo possível, o número de resgates envolvendo animais silvestres aumentou consideravelmente. Para se ter uma ideia, ao longo de todo ano de 2019 o Corpo de Bombeiro realizou 148 salvamentos/capturas de animais. Enquanto apenas no primeiro semestre deste ano, eles já foram acionados para 179 ocorrências do tipo.

 “É importante salientar que os animais silvestres fazem parte da nossa região. O que ocorre é que quando há muita circulação de pessoas em determinadas áreas, eles tendem a aparecer menos. Diante da reclusão de boa parte da população, eles se sentiram seguros para sair e explorar novas áreas. O problema é com o retorno das atividades estes animais correm sérios riscos de atropelamento, entre outros”, destacou o biólogo da Coordenadoria de Vigilância Ambiental da Secretaria de Saúde de Petrópolis.

Os animais encontrados com mais frequência na cidade são capivaras, bicho-preguiça, corujas, gambás, lontras, macacos, ouriços e até onças-pardas. “Temos muita diversidade de espécies na Mata Atlântica e Petrópolis possui uma área de vegetação significativa preservada, o que torna o aparecimento destes animais ainda mais comuns”, esclareceu. 

Dados são alarmantes

Além dos resgates muitas mortes também são registradas. Apesar de difícil contabilização elas acontecem. No sábado (20), por exemplo, um cachorro do mato morreu atropelado na BR-040, próximo a entrada de Araras. Já uma coruja do mato foi encontrada no dia 9 deste mês, no Vale dos Esquilos com ferimentos nas asas. Ela foi operada e poderá voltar para a natureza tão logo se recupere. Poucos dias depois, no dia 13, outra coruja foi resgatada após ser encontrada presa em uma linha chilena, em Corrêas. Assim que foi libertada ela voou. Uns meses antes, em abril, foi a vez de um bicho-preguiça precisar de ajuda de populares para atravessar a Avenida Barão do Rio Branco, e do Corpo de Bombeiros para sair de lá e ser encaminhado ao Parque Natural da Ipiranga.

Cachorro-do-mato morto na BR-040

As informações foram colhidas pela protetora de animais e coordenadora do AnimaVida, Ana Cristina Ribeiro, que tenta através da ONG triangular com o órgãos públicos atendimento médico aos animais silvestres acidentados. “A destruição dos habitats originais destes animais resultará cada vez mais no aparecimento deles nos ambientes urbanos. Isso porque, eles precisam de uma boa área pra buscar alimentos e parceiros para se reproduzirem. Os felinos, por exemplo, andam 60 km², e claro que no meio do caminho encontrarão estradas e áreas urbanas, por isso tantos atropelamentos”, afirmou.

Ainda de acordo com Ana Cristina, desde 2018 existe um inquérito civil no Ministério Público Federal, aberto nas três esferas municipal, estadual e federal, para definir protocolos de gestão de fauna. “O que existe hoje é um jogo de empurra! A instituição pública mais atuante é o Corpo de Bombeiros, que na prática não tem nenhuma atribuição direta sobre fauna, mas vem agido de maneira incrível ajudando nos resgates de animais silvestres. A Concer também tem tido um papel fundamental no financiamento de tratamentos de animais silvestres”, disse. 

Aparecimento de animais silvestres na Rodovia BR-040 diminuiu

Em contrapartida aos dados relacionados às áreas urbanas, o aparecimento de animais silvestres na BR-040 reduziu, segundo a Concer – que administra a rodovia. Ainda de acordo com a concessionária, o que se observa é uma queda acentuada, sobretudo em 2020, do número de resgates e atropelamentos de fauna. Uma tendência que vinha sendo registrada bem antes da pandemia e de seus efeitos no dia a dia da rodovia, conforme análise da Coordenadoria de Meio Ambiente na Concer. A gradativa redução das ocorrências desse tipo é atribuída pelo setor ao afastamento destes animais da rodovia ao longo do tempo, devido a fatores como ocupação humana e ruído, entre outras causas.

 

 Lobo-guará

“Normalmente, observa-se aumento brusco de animais na rodovia apenas em ocorrências envolvendo a destruição do habitat de maneira abrupta, forçando-os a buscar novos lugares, como no caso de sucessivos incêndios em áreas de mata. Em 2019, 22 animais foram resgatados e atendidos em clínicas veterinárias conveniadas ao serviço prestado pela Concer, entre corujas, gaviões, gato-do-mato e um lobo-guará (estes dois últimos se enquadram entre espécies ameaçadas de extinção). Em 2020, foram cinco animais atendidos até abril”, explicou a analista de Meio Ambiente da Concer, Mariana Fernanda Pérez de Almeida.

Concer custeia tratamentos de animais silvestres resgatados por órgãos públicos

  Um aspecto positivo sobre o serviço de resgate e socorro à fauna diz respeito à parceria da empresa com as unidades de conservação da região. Além de realizar o resgate e atendimento veterinário a animais silvestres atropelados ou encontrados feridos na rodovia, previsto pelo licenciamento ambiental, a Concessionária presta atendimento veterinário à fauna silvestre em apoio à Rebio-Tinguá, APA Petrópolis e à Revis Serra da Estrela, mesmo que o contexto do resgate não guarde relação com ocorrências na rodovia. “Assim, o serviço disponibiliza a prestação do serviço veterinário a estes animais, através das clínicas parceiras nos municípios de Petrópolis e Juiz de Fora”, acrescenta a bióloga.

O que fazer ao se deparar com animais silvestres

Os riscos para estes animais silvestres em ambientes urbanos são variados atropelamentos, possibilidade de adquirirem doenças, de sofrerem maus tratos ou mesmo de serem atacados por animais domésticos, entre outras ameaças. Caso um animal silvestre seja encontrado em ambiente urbano, o correto é se afastar e acionar o Corpo de Bombeiros (193) ou a Concer pelo 0800-2820040. Não é aconselhável alimentar estes animais, visto que possuem dietas muito específicas e podem ter problemas de saúde ao ingerir alimentos diferentes.

 Onça-parda atropelada na Estrada União e Industra em Pedro do Rio

Grupo de Conservação da Onça-parda é criado em Petrópolis

A Coordenadoria de Meio Ambiente da Concer também integra um grupo de estudo sobre a Conservação da Onça-parda de Petrópolis. O objetivo é mapear onças que têm aparecido na região e promover ações em prol da conservação dessa espécie, evitando que sejam mortas ou atropeladas. Vale ressaltar, que o grupo foi criado pelo biólogo Dione Satyro Storck.

 “Estamos trabalhando em projetos de conservação. Principalmente devido ao aparecimento de onças-pardas no 5º distrito (Posse e Brejal). Queremos que as pessoas entendam que ninguém precisa temer estes animais. Para se ter uma ideia, no Brasil não existe nenhum registro de ataque de onça-parda a seres humanos. Eles fazem parte do nosso ecossistema e da nossa mata atlântica”, salientou o especialista.

 Essa onça da foto apareceu em Itaipava


Edição anterior (2058):
segunda-feira, 29 de junho de 2020
Ed. 2058:

Capa

Compartilhe:

Voltar:

HOJE

Edição anterior (2058): segunda-feira, 29 de junho de 2020

Ed.2058:

Compartilhe:

Voltar:








Rua Joaquim Moreira, 106
Centro – Petrópolis – RJ
Cep: 25600-000

ABRAJORI – Associação Brasileira dos Jornais do Interior