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Filha que matou a própria mãe deverá ir a júri popular

Paloma Vasconcelos e Gabriel Molter prestaram depoimento em audiência realizada em Itaipava

João Vitor Brum, especial para o Diário

Aconteceu durante toda a tarde e noite de ontem (10), a primeira audiência de instrução e julgamento de Paloma Botelho Vasconcelos e Gabriel Molter Neves (foto), acusados de matar Dircilene Botelho, mãe de Paloma, no dia 2 de outubro do ano passado, em um caso que chocou o país. Nesta audiência, nove testemunhas foram ouvidas, além do casal. Em seu depoimento, a filha contou que já tinha tentado matar a mãe envenenada, poucos meses antes, e contou outras formas como ela e Gabriel planejavam assassinar a vítima.

A audiência serviu para que os advogados e promotoria comparassem os depoimentos de ontem com os que foram prestados na delegacia, na época do crime. Agora, todas as informações vão ser usadas no julgamento, que deverá ser com júri popular.

Onze pessoas estavam listadas como testemunhas, mas duas não compareceram. Uma delas, a mãe de Gabriel, se recusou a falar se resguardando de seu direito de não prestar depoimento, devido ao parentesco com o acusado.

A primeira testemunha chamada foi o marido de Dirce, Manoel da Silva, que foi casado com a vítima por 18 anos e conheceu a assassina quando a mesma tinha cerca de três anos. Ele contou que a relação de Paloma com a mãe sempre foi conturbada e que, inclusive, a acusada já teria ameaçado matar Dirce.

As ameaças de Paloma contra a mãe foram mencionadas ao longo de muitos depoimentos, e confirmadas pela mesma, que, além disso, alegou ter tentado envenenar a mãe alguns meses antes do crime.

- Coloquei inseticida em um vinho que só ela bebia, pois achei que funcionaria. O problema foi que ela sentiu um gosto diferente e achou que ele estivesse estragado. Eu e Gabriel bolamos vários planos, incluindo um em que eu me ofereceria para trabalhar com ela em Itaipava, e, na volta para casa, diria que vi um animal na pista e puxaria o volante, fazendo com que o carro capotasse. A ideia é que eu me protegeria com um travesseiro e, caso ela não morresse com a colisão, eu a mataria com uma chave de fenda. Não levei este plano para frente pois não conseguiria fazer isso dessa forma, não gosto de mortes violentas. Por exemplo, se eu ver alguém matando uma galinha e colocando na panela, não consigo comer - disse Paloma, de forma fria e sem demonstrar grandes emoções.

Outras testemunhas, como o pai, irmã e cunhado de Gabriel, também comentaram sobre as ameaças de Paloma, alegando que a acusada dizia, constantemente, que "só seria feliz caso a mãe morresse".

A filha, por diversas vezes, alegou que teria planejado o crime pois a mãe teria obrigado que a mesma abortasse, mas, ao longo do depoimento, disse também que o crime foi resultado de uma vida sendo humilhada pela mãe. Até às 22h de ontem, o depoimento de Gabriel ainda não havia sido iniciado.

Familiares contam da frieza de Paloma quando a mãe faleceu

A audiência foi realizada no Fórum Regional de Itaipava e presidida pelo doutor Luis Claudio Rocha Rodrigues, e contou com lugares limitados. Entretanto, ao longo de toda a tarde, familiares da vítima e dos acusados ficaram nos corredores do fórum comentando o caso. Uma sobrinha de Dirce, inclusive, contou detalhes da semana do crime.

- Foi tudo muito estranho, mas, como todos estavam abalados, não juntamos as peças. A Paloma insistiu que colocassem uma pulseira na mãe, que ela nunca usava, e ainda pediu que o caixão fosse fechado para o velório. Depois, descobrimos que o acessório era para disfarçar a marca da seringa que Dirce ficou após o assassinato. Outra coisa que chamou atenção foi o fato de que a Paloma não ficou para o sepultamento da mãe. A realidade é que ninguém da família tem nada de bom para falar dela - disse a prima da acusada, que pediu para não ser identificada.

Depuseram, ao longo da audiência, familiares, amigos e até uma ex-namorada de Gabriel, alguns como testemunhas de acusação e outras de caráter. Paloma, que, inclusive, não possuía advogado e foi defendida por uma defensora pública, não teve testemunhas a seu favor.

Em alguns momentos, foi questionado se o relacionamento do casal, descrito como conturbado por uma das testemunhas, poderia ser por um interesse financeiro de Gabriel, fato negado pela família. Paloma, em um momento, alegou que o namorado dizia não ir mais em sua casa para não agredir sua mãe. Ela disse, também, que gravava a mãe ofendendo a família de Gabriel para que ele não falasse mais com Dirce.



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