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  Colunistas
ARISTÓTELES DRUMMOND
COLUNISTA

 

O TEMPO VAI PASSANDO

O ano brasileiro é diferente do romano, do israelita, do chinês. No   calendário, começa em 1º de janeiro, mas, aqui, só depois do Carnaval.   Janeiro são férias escolares, fuga do calor, algumas empresas dão até   férias coletivas em tempos de pouca demanda. A Quarta-feira de Cinzas  é que marca o início a sério do ano.

E este 2019 não está sendo diferente. O novo governo, com a mais  expressiva manifestação de vontade popular da história republicana  pós-Vargas, pouco apresentou. E, pior, muito se desgastou, revelando a  falta de experiência política, com brigas internas.

A começar pela mãe das reformas, que, na verdade, é a definição do  futuro de nossa economia e credibilidade, a da Previdência. Ela tem  sido mal explicada, uma vez que, no geral, da população ativa só será  mexida a idade mínima ? aliás, compatível com as praticadas nas  principais economias. E o erro de se deixar acuar pela pressão  mesquinha de introduzir no debate a questão dos militares, que estão  sob outro regime, a ser alterado no futuro. Mas cada reforma tem sua  hora. Embaralhar é tumultuar e politizar.

Na própria área econômica, medidas simples, simplificadoras, já  poderiam estar sinalizando a mudança no país. Um exemplo do desgaste  da burocracia entre formadores de opinião: os brasileiros que viajam  são  contribuintes que podem comprar 20 mil dólares em seu banco, por  ano, debitado em sua conta, mas, ao chegar ao aeroporto, têm de  declarar à Receita o que ela já sabe. Deveria ser para os que portam  mais do que os 20 mil. E nas lojas de free-shop, que o limite de 500  dólares vige há 30 anos! Menos do que o do Uruguai. E isso quando se  sabe que poucos gastam a cota permitida e que, hoje, o pagamento pode  ser em reais. Parece simples, mas não é.

Precisa ser feita alguma coisa no sentido de animar o mErcado de  capitais, estimulando o lançamento de novas ações, para direcionar  parte da poupança popular para o setor produtivo. Acabar, por exemplo,  com o imposto sobre ganho de capital, que faz do Estado parceiro da  intuição do investidor, que nem sempre é feliz. Um tipo Rio-Dólar,  defendido pelo avô do presidente do Banco Central, para recuperar as  perdas da cidade no mercado financeiro, embora mantenha quadros da  maior qualidade. E com os espaços disponíveis no Porto Maravilha,  somos uma economia fechada burocratizada  em termos de câmbio.

Até na velocidade de resolver concessões problemáticas, nas estradas,  portos e aeroportos, ressente-se da demora. E nada custa ao governo,  se não administrar o que concedeu e pede ajustes.

O jogo começa, o relógio marca. E o país tem pressa em crescer e  melhorar a vida de todos. Esta eleição foi a grande chance e não pode  ser perdida .

 



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