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  Esporte

Autismo e esporte: dedicação, superação e avanços na socialização

 


 

Fernanda Tavares – especial para o Diário

O mês de abril é dedicado à conscientização Mundial sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA), tendo no dia 2 a principal data. Muito além do diagnóstico e da participação nas terapias recomendadas pelos profissionais que dão suporte às crianças autistas e suas famílias, é cada vez mais visível a importância do esporte no desenvolvimento físico e intelectual dos pacientes.

O transtorno do Espectro Autista se refere a condições caracterizadas por alterações no desenvolvimento neurológico. Essas condições podem ocasionar comprometimento na comunicação, interação social e no comportamento. Cada caso é um caso. É preciso, antes de tudo, entender que o espectro autista é considerado, atualmente, em três níveis: leve, moderado e severo. Mas, os casos devem ser analisados um por um. O que vem ganhando cada vez mais força é a importância que o estímulo ao esporte tem na vida dos autistas. A participação em atividades físicas direcionadas e supervisionadas alcançam resultados positivos na socialização, um dos pontos que requer atenção e estímulo após o recebimento do diagnóstico. Além disso, a prática esportiva favorece a saúde como um todo, com especial atenção para a evolução cognitiva e condicionamento físico.

Outros pontos também podem ser trabalhados com louvor através do esporte, como o fortalecimento da postura corporal, alcance do equilíbrio e coordenação motora.

 “Autista ou não, a prática de esportes traz inúmeros benefícios para as crianças  no que diz respeito a disciplina e aprendizado de vida como exercício e convivência”, conta Naila Pinheiro, professora de educação física que trabalha com crianças há 40 anos.

Para a prática de esportes é necessário uma análise das características da criança e, sobretudo, levar em consideração o que ela mais gosta de fazer.

 “Para cada esporte há necessidades e limitações e a prática deve ser, sempre, feita para o prazer. Importante observar a alegria e disponibilidade da criança no esporte que foi ofertado. Como tenho mais de 20 anos de experiência com crianças em aulas de natação, acredito que o esporte é um dos mais indicados. A natação causa a sensação na pele, a alegria do autista na água é impressionante. Eles têm muita facilidade para aprender a nadar e temos sempre que levar em consideração que aprender a nadar é salvamento. A criança que sabe, corre menos risco em uma situação de perigo”, completa Naila, explicando a importância da análise de cada caso.

 “O ideal é que a criança participe das aulas junto com seus amigos, mas, se for necessário, um professor pode acompanhá-la durante todo o tempo. Há casos em que o melhor é um trabalho exclusivo com a criança. As possibilidades são inúmeras. O importante é que a criança seja inserida nesse ambiente esportivo”.

A dificuldade de aceitação, que pode ser percebida em algumas famílias ao receberem o diagnóstico, pode ser transformada em superação, quando os tutores passam a acompanhar o desempenho e as mudanças positivas no comportamento da criança.

 “É muito difícil para algumas famílias aceitar que a criança está com dificuldades. Por isso o acompanhamento profissional é tão importante. Depois do avanço com as terapias, orientações corretas, vejo pais com dedicação e muito orgulho em cada avanço alcançado. Para as mães de autista eu digo ame o máximo que você puder e tenha muito orgulho do seu filho”, diz Naila.

Reforço no desenvolvimento de habilidades socioemocionais

Professora de educação física com especialização em Educação Física para deficientes pela UFJF, Ana Carolina Kapler Ferreira confirma os benefícios do esporte com o público autista e destaca o avanço nas habilidades socioemocionais.

 “Quando a adaptação ocorre e a prática é feita com constância, há o estímulo na concentração e melhora nos comportamentos agressivos e de hiperatividade. Os pais devem conversar com o médico que acompanha a criança, que, de acordo com o laudo, fará restrições ou não sobre atividades específicas. Depois devem conversar com o professor de educação física para que possam ser esclarecidas possíveis dúvidas. O acompanhamento regular e o feedback são importantes pontos nesse processo”, conta.

O suporte reforça o desenvolvimento das habilidades socioemocionais e de respeito com o outro. “Já na parte física, percebemos a melhora na coordenação motora, equilíbrio e postura. Diminuem os problemas associados ao baixo tônus muscular. Na ação prática, o esporte desenvolve autoconhecimento, confiança e autonomia, e cria-se um vínculo entre o autista e os demais participantes, fortalecendo uma relação de respeito entre todos.

É comum observar nas aulas os autistas ajudarem e serem ajudados durante a prática”, afirma Ana Carolina.

Para os pais de autistas, a professora deixa uma mensagem de perseverança. “Eles vão avançar no tempo deles. É preciso ter paciência e disciplina com o tratamento. Todas as conquistas devem ser comemoradas, por menor que possa parecer. Seu filho é capaz de conquistas extraordinárias”, disse Ana Carolina Kapler.

Avanços festejados pelas famílias

Mariana Domingos Carolino é mãe do Theo Carolino Ojeda, de 8 anos. Theo participa das aulas de natação que são ofertadas na Escola Municipal Monsenhor João de Deus Rodrigues, através do Projeto ISE Inclusão Social e Esportiva - que promove  as aulas na piscina com acompanhamento de profissionais especializados.

 “A natação ajuda na coordenação motora, o Theo tem hipotonia. Ajudou a ter disciplina pois, geralmente as crianças no espectro têm dificuldades com regras e a lidar com o não. Com as aulas ele passou a entender que tem horário para entrar e para sair. Também percebi melhora na socialização porque ele tem contato com outras crianças”, afirmou Mariana.



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