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  Ambiente

Brasil perdeu 24 árvores por segundo em 2020

Governo só agiu em 2% dos alertas de desmatamento,

aponta relatório inédito


 

 

Daniela Curioni – especial para o Diário

O ano de 2020 foi especialmente difícil para o Brasil. A cada dia, enquanto uma média de quase dois mil brasileiros perdiam suas vidas em decorrência da Covid-19, o País perdia uma média de 24 árvores por segundo. Pela primeira vez, um estudo mediu a velocidade do desmatamento no Brasil. Em todo o país, o corte da vegetação nativa emitiu 74.218 alertas de desmatamento em 2020. Os avisos  foram capturados por satélites nos seis biomas brasileiros.

O Relatório Anual do Desmatamento no Brasil 2020, publicado no último dia (11), pelo Projeto MapBiomas, revela que o desmatamento cresceu 13,6% em 2020, atingindo 13.853 km2 ou nove vezes a cidade de São Paulo. Os biomas Amazônia e Cerrado, juntos, responderam por 92% do que foi desmatado. O documento é resultado de uma análise inédita de 74.218 alertas de desmatamento no país e mostra que 99,8% deles, correspondendo a 98,9% da área desmatada, tinham indícios de ilegalidade. Apesar disso, apenas 2% dos alertas ou 5% das áreas desmatadas sofreram multas ou embargos pelo Ibama, revelando a baixa capacidade de resposta do governo federal.

Os dados do MapBiomas Alerta cruzam informações de cinco sistemas de detecção do desmatamento, em tempo real, por satélite, e validam-nos com imagens de alta resolução, com o auxílio de inteligência artificial. De acordo com o Relatório, o desmatamento cresceu 9% na Amazônia, 6% no Cerrado, 43% no Pantanal e 99% no Pampa. Na Mata Atlântica, ele explodiu, subindo 125%. Na Caatinga o crescimento foi de 405%, mas se deveu ao fato de que o bioma agora conta com um novo sistema próprio de detecção de desmates por satélite.

50 MUNICÍPIOS QUE MAIS DESMATARAM EM 2019 E 2020

Apenas 50 municípios concentram 37,2% dos alertas e 49,2% da área desmatada no país. Eles são liderados por Altamira (PA, com 60.608 hectares, aumento de 12% em relação a 2019), São Félix do Xingu (PA, 45.587 hectares) e Porto Velho (RO, 44.076 hectares). Dos 20 municípios mais desmatados, apenas três ficam fora da Amazônia: Formosa do Rio Preto e São Desidério, no Cerrado baiano, e Corumbá, no Pantanal sul-mato-grossense. 

O Estado do Pará lidera o ranking do desmatamento no país, com 33% dos alertas e 26% da área desmatada total (366 mil hectares), seguido de Mato Grosso, com 13%, e do Maranhão, com 12%. 

 ALERTAS

Os dados do MapBiomas Alerta mostram que em pelo menos dois terços dos alertas é possível identificar os responsáveis pelo desmatamento: 68,3% das detecções validadas têm sobreposição total ou parcial com áreas inscritas no CAR, o Cadastro Ambiental Rural. No Pantanal e na Amazônia, esse número é ainda mais alto: 84,8% e 69,2%, respectivamente. Ou seja, em tese, esses proprietários poderiam ser multados até mesmo pelo correio, já que para ter registro no CAR é preciso fornecer os dados do requerente. 

ALERTA POR MUNICÍPIO
Dos 5.570 municípios brasileiros, 2.577 (46%) tiveram pelo menos um evento de desmatamento detectado e validado em 2020 (Figura 9). Destes, os 50 municípios que mais desmataram respondem por 37,2% dos alertas e 49,2% da área total desmatada no Brasil, sendo que 14 desses municípios estão no estado do Pará (Tabela 12). Dentre os dez municípios que mais desmataram em 2020, seis estão no Pará, três no Amazonas e um em Rondônia.

 VELOCIDADE DO DESMATAMENTO – CÁLCULO INÉDITO

O relatório também apresenta um inédito cálculo da velocidade do desmatamento: pela primeira vez foi possível estimar quanto o Brasil perdeu de cobertura vegetal nativa a cada dia de 2020: foram 3.795 hectares desmatados em média, o que dá uma perda de 24 árvores a cada segundo durante todo o ano. No dia mais crítico de desmatamento, 31 de julho, foram desmatados 4.968 hectares, quase 575 m2 por segundo.

INDÍCIOS DE ILEGALIDADE

O cruzamento dos dados revela que a quase totalidade dos alertas de desmate emitidos no ano passado têm um ou mais indícios de ilegalidade: 99,8% deles, o que equivale a 95% da área desmatada, não têm autorização, se sobrepõem a áreas protegidas ou desrespeitam o Código Florestal. A análise das ações realizadas pelos órgãos de controle ambiental para conter o desmatamento ilegal apontam que os embargos e autuações realizadas pelo IBAMA até abril de 2021 atingiram apenas 2% dos desmatamentos e 5% da área desmatada identificada entre 2019 e 2020. Na Amazônia, dos 52 municípios considerados críticos pelas políticas do Ministério do Meio Ambiente, apenas 2% dos alertas e 9,3% da área desmatada tiveram ações de punição. Nos 11 municípios definidos pelo Conselho da Amazônia como mais prioritários, 3% dos alertas e 12% da área desmatada tiveram ações desse tipo, revelando a baixa capacidade de resposta do governo federal diante do problema.

 
  


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