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  Saúde

Brasil tem o maior número de ansiosos do mundo

Para psicóloga, o aumento de casos pode estar relacionado à era digital

Wellington Daniel


 Quase 10% da população brasileira é ansiosa, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS). É o maior número de casos do mundo. Para a psicóloga Jéssica Wayand, a era tecnológica pode ser uma das causas para o crescimento do número de casos.

- Sintomas relacionados à ansiedade sempre estiveram presentes nos consultórios médicos e de psicólogos. Porém, tem-se observado nos últimos anos, um aumento significativo nas taxas de ansiedade no Brasil e no mundo. Acredita-se que esse aumento se dá muito em decorrência do uso cada vez maior dos recursos tecnológicos. Vivemos uma era digital, tecnológica que não nos permite ficar sem o celular nas mãos nem por um minuto. Tudo se resolve por meio de apps de mensagens instantâneas ou por redes sociais. Nos tornamos reféns de nossas próprias criações. Diante desse uso excessivo de tecnologias, estamos nos tornando pessoas sedentárias, impacientes e introspectivas: um prato cheio para a ansiedade – explica.

“Nos tornamos reféns de nossas próprias criações. Diante desse uso excessivo de tecnologias, estamos nos tornando pessoas sedentárias, impacientes e introspectivas: um prato cheio para a ansiedade”, psicóloga Jéssica Wayand

A psicóloga ainda relata que pessoas com problemas de ansiedade tendem a acumular energia.

- Pessoas ansiosas tendem a acumular energias e sentem a necessidade constante de estar produzindo. A energia que acumulam diante de horas em um computador, por exemplo, precisa ser posta para fora, caso contrário poderão somatizar, ou seja, transferir a tensão para o corpo, transformando-a em sintomas – contou.

Duas jovens, uma de 19 e outra de 20 anos, contaram ao Diário um pouco mais sobre suas experiências com a ansiedade. A mais jovem disse que sempre foi muito ansiosa, o que dificultou perceber a ansiedade.

- Só descobri isso por causa de um psicólogo que estava me ajudando há um tempo. Mas foi difícil descobrir, porque sou uma pessoa muito ansiosa. Quando vou fazer alguma coisa ou encontrar alguma pessoa, fico pensando em muitas possibilidades do que pode acontecer. É algo que não sei explicar. Percebi que a situação tinha se agravado num nível absurdo, quando descobri a síndrome do pânico – contou.

A jovem ainda relata que uma de suas crises aconteceu dentro de um ônibus. Ela conta que não conseguia se acalmar e sentia a necessidade de sair.

- Fui pegar ônibus para um evento que iria. E algo impedia o ônibus de descer, o que me fez ficar muito ansiosa. E eu só pensava que precisava ir embora e sair dali. E por mais que eu fizesse as técnicas de respiração para tentar me acalmar, mão conseguia. Comecei a sentir medo, como se uma coisa fosse chegar lá e me matar se eu não saísse logo – disse.

Já a mais velha, de 20 anos, conta que sua primeira experiência com ansiedade não foi com ela. Sua irmã teve uma crise na escola, assustando a todos.

- Minha irmã descobriu primeiro que eu que ela também tinha ansiedade. Eu não fazia idéia do que era. Um dia, minha irmã estava na escola e eles ligaram desesperados para a minha mãe, contando que a filha estava chorando muito, puxava a respiração e não vinha e tremendo muito. Eles tentavam contato, mas ela não respondia. Ela só ficava pálida e nesta situação. Eu fiquei preocupada, sem saber o que era, até que veio o diagnóstico de ansiedade. Antes, eu achava que ansiedade era aquele nervosismo por fazer alguma coisa, apenas. Agora sei que é um problema de saúde e não apenas um sentimento – contou.

“Antes, eu achava que ansiedade era aquele nervosismo por fazer alguma coisa, apenas. Agora sei que é um problema de saúde e não apenas um sentimento”, jovem de 20 anos que sofre com ansiedade.

Após isso, em um tratamento de Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH), descobriu que também possuía ansiedade. A jovem elenca algumas coisas que contribuem para aflição.

- Eu sou bastante acelerada. Quero as coisas para agora e me cobro muito. E por ser assim, por ter esta falta de autoconfiança e medo de crescer, acabei prejudicando minha saúde. Ao invés de conversar e colocar para fora isso, eu sempre guardei para mim. E essas coisas começaram acontecer – explicou.

Sobre os seus sintomas, a moça diz que a situação tem melhorado após o tratamento, mas diz que precisa respirar fundo até passar.

- Agora é mais tranqüilo. Fiz acompanhamento de medicamentos e aprendi como lidar. Mas quando acontece, eu respiro fundo até passar. Quando eu tenho crise, costumo ter falta de ar e fica puxando e o ar não vem. Fico tremendo e nervosa. Acontece quando tenho algum problema ou estou sobrecarregada. E ai acontece uma coisa que também desencadeia: nervoso antes de apresentar um trabalho, de achar que não sou capaz. Esses tipos de pensamentos contribuem para a minha crise – afirmou.

A psicóloga Jéssica Wayand ainda explica que a ansiedade é necessária para a preparação de situações de perigo. Porém, é necessário que haja controle.

- A ansiedade funciona como um estado de alerta e é ela a principal responsável por nos preparar para uma situação de perigo. Portanto ela é de extrema importância para nós e não tem cura, mas precisa ser controlada para que se manifeste nos momentos necessários – contou.

Para Jéssica, também é necessário alguns cuidados para o controle de ansiedade. Tempo de lazer e atividades físicas são alguns dos exemplos, algo que foi procurado pela jovem de 20 anos ouvida pela reportagem.

- Existem algumas formas de fazer esse controle da ansiedade, são eles: a diminuição do uso de tablets, smartphones, notebooks, etc., dedicar tempo ao lazer, pessoas queridas e atividades prazerosas, praticar atividades físicas, alimentar-se bem e sem excessos, dormir de seis a oito horas por noite, evitar álcool e cigarros, além de identificar o que te deixa ansioso para então intervir – concluiu.



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