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  Ambiente

Com portões fechados, onças pardas tomam trilhas do Parnaso

 


 Enquanto a humanidade tenta superar a pandemia do COVID-19, a fauna silvestre dá sinais de que está reagindo de modo mais positivo. Mundo afora, vêm surgindo relatos, em fotos e vídeos, do aumento da circulação de animais silvestres em áreas urbanas, do clareamento das águas de baías e canais, da redução da poluição atmosférica em grandes cidades e do incremento de registros de animais silvestres em áreas protegidas.

Este é o caso do Parque Nacional da Serra dos Órgãos - Parnaso. Desde 2010, o Parque monitora a ocorrência de médios e grandes mamíferos com auxílio de armadilhas fotográficas (“máquinas” fotográficas digitais com sensores térmicos e de movimento que, instaladas pelos biólogos nas árvores, são acionadas quando animais de médio e grande porte passam próximos a elas). Com o regime de quarentena instaurado em razão da pandemia, o Parnaso – assim como todas as unidades de conservação federais – ficou fechado à visitação pública. Neste contexto, a equipe do Parque, sob coordenação da analista ambiental Cecília Cronemberger de Faria, idealizadora deste projeto de monitoramento, vem instalando armadilhas fotográficas nas trilhas mais utilizadas pelos visitantes, que, agora, estão desertas.

Desertas, contudo, apenas em relação à passagem de pessoas. A fauna silvestre, ao contrário, parece estar aproveitando a maior “privacidade” e vem desfilando com maior frequência pelas trilhas, sob o olhar atento das lentes das armadilhas. Desde o início da quarentena foram realizados três registros de onças-pardas (Puma concolor)-incluindo o registro de mãe e filhote caminhando pela mesma trilha-, vários registros de cachorros-do-mato (Cerdocyon thous), além de registros de outros animais, como gato-do-mato (Leopardus sp), irara (Eira barbara) e furão (Galicitis cuja), em trilhas que normalmente recebem entre 500 e 1000 pessoas por mês. Ainda há bastante material armazenado nos cartões de memória das armadilhas que não foi analisado e ainda serão monitoradas outras áreas de visitação intensiva do Parque; ou seja, há perspectivas de mais boas surpresas pela frente.

Embora qualquer afirmação científica que explique esse fenômeno de maior aparecimento dos animais seja ainda prematura, carecendo de análises mais rigorosas e duradouras (comparações com o “antes” e o “depois” da pandemia) é razoável supor a hipótese de que os animais estejam aumentando suas áreas de circulação e forrageamento (busca por recursos alimentares), motivados pela menor presença humana.

Nestes tempos difíceis que estamos vivendo, é um alento recebermos boas notícias. Para aqueles que amam a natureza e se preocupam com a conservação da biodiversidade, os bichos protegidos no Parnaso oferecem motivos de alegria.



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