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  Geral
 

Conscientização: Pró-Medula terá estande no Rock in Rio

Criado em Petrópolis, projeto atua em todo o Brasil e em outros países para conscientizar sobre a doação de medula óssea

João Vitor Brum, especial para o Diário


 Desde 2015, o terceiro sábado de setembro é marcado pela celebração, em mais de 50 países, do Dia Mundial do Doador de Medula Óssea (WMDD na sigla em inglês). O Brasil é o terceiro país com maior número de doadores e, neste ano, pela segunda vez consecutiva, o Pró-Medula, projeto criado em Petrópolis para orientar a população sobre a importância de se tornar doador, contará com um estande no Rock in Rio. O espaço é uma forma de dar visibilidade ao assunto, ainda pouco conhecido pelas pessoas.

A medula óssea é um tecido líquido-gelatinoso, que ocupa o interior dos ossos. Ela desempenha um papel fundamental no desenvolvimento das células sanguíneas, pois os leucócitos (glóbulos brancos), as hemácias (glóbulos vermelhos) e as plaquetas são produzidas ali.

- Falar de medula óssea não é simples, pois é um tema muito desconhecido. Até no meio médico falta clareza aos profissionais, por ser uma área muito específica da hematologia - disse a médica Gabriela Mesquita, idealizadora e fundadora do Pró-Medula.

Chance de compatibilidade é de 1 em cada 100 mil pessoas

O transplante é indicado para o tratamento de doenças que afetam as células do sangue, como leucemias e linfomas, e consiste na substituição de uma medula doente ou deficitária por células normais, visando reconstituir uma medula saudável. A chance de encontrar um doador compatível é de uma em cada 100 mil pessoas.

No Rio de Janeiro, o possível doador precisa ir até a capital para se cadastrar, em um dos dois locais disponíveis, o Inca (Instituto Nacional de Câncer) e o Hemorio. Chegando em um dos espaços, a pessoa preenche um ficha e cinco ml de seu sangue são coletados.

O material é enviado para análise laboratorial, onde é identificado o HLA (antígeno leucocitário humano, traduzido do inglês) do possível doador. Quando o exame da identidade genética fica pronto, ele é lançado na plataforma Redome (Registro Nacional de Doadores de Medula Óssea), que cruza as informações com outra plataforma, o Rereme (Registro Nacional de Receptores de Medula Óssea).

Então, é analisada a compatibilidade entre doador e receptor. Se identificada, o possível doador é chamado para outra coleta, para avaliar o quanto ele é compatível com o receptor e se há a possibilidade de realizar o transplante.

- Dependemos da solidariedade da população para o trabalho. Além de se cadastrar, é preciso que a pessoa esteja disponível para doar quando acontecer a chamada - disse Gabriela.

O procedimento de doação acontece em um centro cirúrgico, sob anestesia peridural ou geral, e requer internação de 24 horas. A medula é retirada do interior de ossos da bacia e o procedimento dura cerca de 90 minutos. A medula do doador se recompõe em 15 dias.

Projeto criado em Petrópolis é destaque em todo o país

Em 2009, quando estava no segundo ano da faculdade de medicina, Gabriela Mesquita conheceu o pequeno Natan, que estava enfrentando uma leucemia em estágio avançado e precisava de uma doação de medula. Sensibilizada com o caso, ela começou a mobilizar colegas de curso para que se cadastrassem, e assim o Pró-Medula teve início.

- Eu estava em Teresópolis, onde meus avós moravam, e tinha uma campanha acontecendo em uma praça, com uma criança careca, usando uma máscara. Quando me aproximei, ele veio e falou "tia, você não quer se cadastrar? Você pode ser compatível comigo" - contou emocionada.

- Ele disse que estava buscando uma medula óssea e me explicou o que era. Então, comecei a buscar um doador para ele. Assim comecei o projeto, na faculdade, falando com quem conhecia. Tive muito contato com ele e sua família, cheguei até a ir em sua casa na época de Natal. Infelizmente, o Natan não sobreviveu, mas graças a ele comecei o trabalho. Ele tocou profundamente o meu coração e decidi ajudar outras pessoas. Ele foi a estrela que motivou o início do projeto - completou Gabriela.

O projeto se fortaleceu e se firmou nos anos de 2012 e 2013, e hoje atua em todo o país. Há cerca de 200 voluntários participantes no Estado, 50 deles apenas em Petrópolis.

São realizadas caravanas para que possíveis doadores sejam levados para os locais de cadastro, com apoio de empresas das cidades específicas. Palestras de conscientização também são ministradas pelos voluntários.

Pessoas de Alagoas, Acre, Amazonas, Bahia, Goiás, Minas Gerais, Pará, Paraná, Paraíba, Pernambuco, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo e Tocantins estão incluídas no projeto, além de voluntários em Portugal e Estados Unidos.

Gabriela é cardiologista pediátrica e atua no Instituto Nacional de Cardiologia de Laranjeiras e Pró Criança Cardíaca, ambos no Rio de Janeiro, e também no Hospital de Ensino Alcides Carneiro e nos Hospitais Unimed Petrópolis e Perinatal  Teresópolis.

- Dentro do projeto, não sou médica, e sim voluntária. Já se passaram dez anos, e até hoje me emociono falando sobre isso. Recebo tanta coisa boa em poder ajudar essas pessoas.

Pró-Medula terá estande no Rock in Rio pela segunda vez

Na última edição do festival Rock in Rio, realizada em 2017, havia um estande do Pró-Medula, graças a um convite de Rubem Medina, criador e organizador do evento. No espaço, era realizado o cadastro de doadores e a atualização da inscrição de pessoas já incluídas no sistema, além de divulgação do trabalho e da importância em doar. Na edição deste ano, que começa no fim de setembro, o projeto contará novamente com o estande, que desta vez será ainda maior.

- Tivemos uma receptividade muito boa. Em 2017, o festival caiu exatamente no dia mundial, e fomos destaque no prêmio mundial de originalidade. Muitas pessoas procuraram o estande e se interessaram pelo assunto - contou Gabriela.

Na ocasião, o Brasil se tornou o segundo país onde a data foi mais comentada, atrás apenas dos Estados Unidos. O Rio de Janeiro, inclusive, foi destaque nos comentários nas redes sociais.

Neste ano, o WMDD será comemorado no dia 21 de setembro, e irá contar a hashtag #LightRedBlueWhite. A ideia é que pontos turísticos sejam iluminados nas cores azul, vermelha e branca - cores que representam a causa -, ao redor do mundo, como forma de chamar atenção para o assunto e agradecer ao doador de medula óssea.

Brasil possui o terceiro maior banco de doadores do mundo

O Brasil possui mais de 4,6 milhões de doadores cadastrados no Redome, de acordo com dados divulgados pela instituição, o que representa cerca de 13% do total de doadores do mundo, que gira em torno de 35 milhões. Com o número, o país é o terceiro com mais doadores no planeta. Os dados dos cadastros estão disponíveis em um banco mundial, e, por isso, é possível receber doações ou doar para outros países.

- Nos outros países, ONGs e instituições de apoio são responsáveis pelos trabalhos. O Brasil é o único em que o sistema é regido pelo governo, e esta centralização atrapalha muito na atuação. Por ser uma instituição federal que funciona como banco de dados, não são realizados muitos trabalhos de divulgação, o que torna a atuação do projeto essencial - destacou a criadora do Pró-Medula.

Há cerca de quatro mil pessoas esperando doação, mas o número varia constantemente, motivo pelo qual não há um levantamento exato. O transporte de medula ou de doadores é custeado pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

- Temos tido muita dificuldade em fazer cadastros, principalmente pela crise financeira que o país enfrente. Continuamos ativos na causa mesmo assim, além de incentivar a doação de sangue e de plaquetas. Mesmo com os obstáculos, acredito que ainda iremos conseguir ajudar muitas pessoas - completou Gabriela.



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