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Cratera: um ano após tragédia, famílias continuam sem suas casas no Contorno

Pouco mais de 30 imóveis permanecem interditados às margens da BR-040

Vitor Garcia – Especial para o Diário

“O nosso sonho continua sendo o de voltar para casa, nada mais”. O relato é repetido de forma unânime entre os ex-moradores da Comunidade do Contorno, que tiveram suas casas interditadas no dia 7 de novembro do ano passado, após a abertura de uma cratera no quilômetro 81 da BR-040. Na ocasião, 45 famílias ficaram desalojadas, sendo atendidas pela Concer, empresa que administra a rodovia.

 

No dia em que ocorreu a tragédia, a concessionária definiu um conjunto de ações em assistência às famílias afetadas, incluindo, entre as principais medidas, o pagamento de auxílio-aluguel no valor de R$ 1 mil, além da distribuição de cestas básicas e kits de higiene pessoal, ações que perduram até hoje.

- Estamos recebendo auxílios sem nenhum problema há um ano. Porém, o que queremos mesmo é retornar para a nossa casa, local que deixa não somente um valor material, quanto sentimental. Chegaram a avaliar as nossas casas, para que houvesse uma indenização. Entretanto, não estamos colocando os imóveis à venda. E, caso algum dia alguém querer vender, o dono do imóvel que coloca o preço, e não alguém de fora – disse o pedreiro Antônio Carlos Rodrigues, de 54 anos, que morava na região desde criança.

Atualmente morando no bairro Capela, Antônio lamentou a “separação” da família.

- A minha casa e de outros 11 familiares, sendo filha, irmã, tios, primos e sobrinhos, tiveram o imóvel interditado. Após décadas morando um próximo ao outro, agora, cada um precisou ir para algum bairro diferente da cidade. Um sentimento de tristeza ao me deparar com essa situação.

O caminhoneiro Ailton Carlos do Amaral, de 42 anos, afirmou ter mudado toda a rotina de vida, morando agora, no bairro Moinho Preto.

- Enquanto acontecia a obra no túnel, precisei contratar um pedreiro para consertar minha casa, que começou a apresentar rachaduras. Na época, foi feito um trabalho específico, para evitar o desabamento da casa. Ao ser impedido de permanecer no imóvel, a rotina da minha família mudou completamente, a começar pelo meu filho, que precisou mudar de colégio, pois a Escola Municipal Leonardo Boff foi interditada. Hoje, o meu medo é de que o auxílio que recebemos deixe de existir – disse. 

Casas continuam interditadas

Em maio, após estudos apresentados pela Concer garantirem a estabilidade da região, houve a liberação completa da pista. No dia 19 de outubro, a Defesa Civil liberou a via de acesso à Comunidade do Contorno, possibilitando também a desinterdição da Escola Municipal que havia sido interditada. Na sequência, dia 31 do mesmo mês, houve a desinterdição de 22 casas na região. Os imóveis liberados estão na área externa ao raio de 50 metros do perímetro da cratera. Segundo estudos da Concer, a área desinterditada não apresenta qualquer evidência de risco. 

Concer se manifesta

De acordo com a Concer, o afundamento do solo foi causado pela falta de drenagem adequada de águas superficiais, e não pelo túnel da Nova Subida da Serra. A conclusão veio, segundo a empresa, após quatro meses de investigações técnicas do incidente, realizadas por alguns dos maiores especialistas do país em geologia, mecânica do solo e obras subterrâneas. Além disso, na apuração técnica do fato, os equipamentos de medição confirmaram que a cratera tinha, no máximo, 15 metros de profundidade, e não 70 metros, como chegou a ser divulgado na época.

Em março, os laudos das investigações técnicas garantiram a segurança do quilômetro 81 e de seu entorno. Cabe ressaltar ainda, que a conclusão das investigações sobre a segurança na região é restrita somente ao evento de novembro passado, após as intervenções de fechamento da cratera e de monitoramento, não considerando fatores alheios ao incidente.

Com relação às famílias, a concessionária afirmou manter 21 ações de apoio – sendo seis além do que foi estabelecido pelo Termo de Ajustamento.

Retomada dos serviços públicos na região

Por meio de nota, a Defesa Civil solicitou que a concessionária apresente novos relatórios, já que os primeiros estudos não foram conclusivos. Para a liberação do restante dos imóveis, será necessário que a Concer apresente a garantia de que os imóveis estão em segurança quanto à cratera.

A Secretaria de Defesa Civil e Ações Voluntárias vai solicitar junto ao Ministério Público Federal uma reunião entre os órgãos competentes para que os serviços públicos sejam retomados o quanto antes.



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