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  Religião

Culto de Ifá é realizado em Petrópolis com festejos, cerimônias e consultas

 

  

Wesley Fernandes - especial para o Diário

 

Quando pensamos em religiões de matriz africana, logo vêm à mente Umbanda e Candomblé. No entanto, existem pelo menos dez religiões brasileiras com elementos cujas as raízes estão fincadas na África. Entre elas, está o Culto de Ifá que é ligado ao Orixá Orunmilá da religião iorubá, mais precisamente da Nigéria. Apesar de menos conhecida, a prática está presente na cidade de Petrópolis e conta com um espaço voltado para seus festejos, cerimônias e consultas. Na última segunda-feira (04), por exemplo, o Ilè Egbé Ifá Tobi, localizado no bairro Caxambu, celebrou o Dia de Orunmilá - data em que o Orixá é reverenciado pelas famílias de Ifá em seu segmento de rama cubana por todo o mundo.

"Essa data de celebração surgiu como referência, a partir do momento em que africanos escravizados em solo cubano, devido a imposição da religião católica, realizam a assimilação de santos católicos com divindades africanas, assim como também ocorreu no Brasil. Diante da necessidade da continuação de suas práticas religiosas, o Orixá Orunmilá é sincretizado com São Francisco de Assis. Desta forma, mesmo não sendo mais preciso a continuação do sincretismo pelas religiões de matrizes africanas, a referida data de comemoração, os faz unir, mesmo distantes, em um momento de comunhão, onde em vários países os iniciados em Ifá canalizam seus pensamentos e agradecimentos por tudo o que esse Orixá lhes proporciona", explica o Babalawò (sacerdote ou pai que detém o segredo), Luiz Eduardo. Ele é responsável pela transmissão do conhecimento do Culto de Ifá para os iniciados.

O Babalawò explica, ainda, que Orunmilá é o Orixá que representa a inteligência e a sabedoria. "Quando estamos diante de uma situação conflitante onde há perdas recorrentes, dificuldades e problemas, sejam eles por ordem material, emocional ou familiar, é comum para o ser humano ficar se questionando sobre o que está ocorrendo na sua vida. Através de Orunmilá buscamos a resposta e a solução para tais situações. Responsável pelo direcionamento dos seres humanos, ele possui as informações necessárias para que as pessoas possam encontrar os melhores caminhos e, desta forma, alinharem seus destinos", pontuou. 

Para entender melhor sobre Ifá e como buscar as respostas sobre o destino através de Orunmilá, a divindade suprema conhecedora de todos os segredos da vida do ser humano, o Diário de Petrópolis separou alguns pontos sobre o culto e sua história. Confira:

Destino

Os adeptos do culto de Ifá acreditam que antes de vir ao nosso mundo, ainda enquanto espírito, o ser humano se aproxima da espiritualidade divina e recebe as informações necessárias sobre essa nova etapa evolutiva (nascimento) que irá realizar. Munidos de qualidades e debilidades, o ser humano realiza essa viagem, ou seja, vem ao mundo. 

A partir desse momento de passagem, assim como em todos os momentos em que Deus realiza suas criações, Orunmilá observa, toma conhecimento profundo e registra cada criação e destino proposto. Por isso Orunmilá e reconhecido como Elerì Ìpin (testemunho do destino). Essas informações são associados ao Odú Ifá.

 

 

O que é Odú Ifá?

Os Odus em Ifá trazem as informações particulares de tudo o que foi, está sendo ou será criado em algum momento em nosso mundo. Quando o ser humano nasce, ele recebe também um Odú - o que o individualiza e sinaliza tudo o que ele precisa para uma caminhada mais assertiva. Essas informações são estudadas, decodificadas e interpretadas pelo sacerdote de Ifá, nesta caso o Babalawò.

 

"Quando chegamos nessa nova jornada, estamos com os “olhos vendados”, onde muitas vezes o que acreditamos ser o melhor pra nós, logo percebemos que não era. Já em tantas outras situações da vida, o que parece danoso, duro, difícil, é o que pode nos trazer o êxito mais a frente. Portanto, como seres individualizados que somos, precisamos ir em busca de informações precisas e cirúrgicas para cada um de nós e é aí que entra as orientações de Orunmilá, com suas informações e predestinações", explica Luiz Eduardo.

 

Busca pela informação

Os Babalawòs, através dos materiais de consulta ao oráculo de Ifá - Ikins (sementes de Dendezeiro) e  Opelés - além de todo o preparo espiritual e rogações necessárias, realizam a consulta divinatória, onde Orunmilá repassa Odú específico para a ocasião. Desta forma, as pessoas que estão em busca de auxílio recebem as orientações, direcionamentos e “remédios espirituais” necessários para o momento que está vivenciando.

 

 

Quem pode buscar o auxílio de Orunmilá?

Apesar de ser uma religião ligada ao Orixás, pessoas de fora desse segmento podem buscar o auxílio de Orumilá. "Orunmilá não se opõe a fé ou a crença daqueles que procuram seu auxílio. O objetivo de Ifá é o alinhamento do espírito com suas escolhas e objetivos antes de vir pro nosso mundo", afirma Luiz Eduardo.

 

Mudança de vida 

Aqueles que já se iniciaram na religião ou buscaram auxílio de Orunmilá garantem que a transformação é grande. É o caso do Awofakan William Mantovani, de 28 anos, que ingressou na religião em março de 2020. Ele afirma que, desde então, sua forma de ver a vida mudo. "Ifá me mostrou uma nova visão sobre a vida, que independente onde estamos e o que somos, podemos melhorar. A religião nos traz muitos questionamentos que temos na vida e com o auxílio de Orunmilá, temos um direcionamento para uma caminhada plena e feliz. Ifá me ajudou a despertar ainda mais minha fé nos orixás e em meu Órixa, Azowane. Aprendi ainda que sem sacrifico nada se obtém, sem sacrifico nada se encontra, sem sacrifico nada se dá", descreveu.

 

Sobre o Babalawò 

Luiz Eduardo iniciou sua vida religiosa aos 15 anos de idade, em um terreiro de Umbanda localizado no bairro Quissamã. Em 2007, ingressou no Candomblé e na casa do babalorixá Elmano Henrique das Neves (in memoriam), localizada em Pedro do Rio, foi consagrado como Ogàn  (servo do sagrado). Na ocasião foi iniciado no culto dos orixás. Dez anos depois, em janeiro de 2017, ele foi iniciado no culto de Ifá, pelo Babalawò Fabio Soares Bastos Oyekun Berdurá Ifá Ori.



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