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  Bauernfest

De uma pequena comemoração, à grande e esperada Bauernfest

Segundo fundadora da festa, o primeiro evento reuniu no máximo 50 pessoas

Camila Caetano – especial para o Diário

 

 

Todo mundo já deve ter ouvido falar na Bauernfest, tradicional festa do colono alemão que acontece na cidade de Petrópolis, geralmente, de junho a julho. Devido a pandemia, este ano, a comemoração será virtual. Entretanto, é importante lembrar que além da bagagem histórica, a comemoração também é responsável por fomentar diversos setores do município como, por exemplo, turístico, econômico, cultural, gastronômico e afins. Sua importância pode ser percebida de acordo com a ocorrência do ano de 2019, visto que, a mesma foi responsável por movimentar R$ 55 milhões e reunir 450 mil pessoas que se espalharam por vários pontos do Centro da Cidade, como por exemplo, Praça da Águia, Praça da Liberdade, e Palácio de Cristal. O que poucas pessoas sabem sobre o evento, é que, foi criado por Emygdia Hoelz, uma descendente de quatro famílias alemães. Segundo ela, na primeira edição, a festa reuniu no máximo 50 pessoas.

Em 29 de junho de 1845, uma leva de 3 mil alemãs chegou a Petrópolis, para, a princípio, ajudar o Major Koeler em algumas construções pelo município. Os anos se passaram até que, no ano de 1959, foi criado o Clube 29 de junho que tinha como objetivo resgatar a tradição e a cultura germânica dos colonos que se estabeleceram aqui. Até 1988, o grupo foi presidido por Carlos Rheingantz, historiador e membro da Escola de Genealogia do Rio de Janeiro. Com o seu falecimento, a líder do grupo passou a ser Emygdia Hoelz, que é descendente de quatro famílias alemãs. São elas: Hoelz e Platz (pelo lado paterno), Müller e Klippel (pelo lado materno). Nos dias de hoje, ela ainda é a presidente.

Em uma entrevista realizada pelo Diário, ela conta um pouco da trajetória da festa da tradicional Bauernfest.

Trajetória da Bauernfest

- A princípio, eu comecei frequentar a casa do professor semanalmente, em 1981, para fazermos a árvore genealógica da minha família, naquela época, era uma coisa muito trabalhosa e nem sempre eu podia ir até lá. No ano de 1983, eu estava lá, e ele me convidou para assistir uma reunião do Clube 29 de Junho. Eu nem sabia o que era, mas ele me explicou e decidi participar – disse ela, entre gargalhadas, que continuou:- Em uma das reuniões, eles estavam organizando a programação para o dia 29 de junho, dia que se comemora a chegada dos colonos alemães. Eu fiquei prestando atenção. Foi marcado um culto na Igreja Luterana, uma missa na Catedral, um almoço e a colocação de uma palma de flores no Obelisco, pois, ali contém o nome das famílias que vieram pra cá. No meio disso tudo, dei a ideia de fazermos uma quermesse – informou dona Emygdia.

Segunda ela, na reunião, constatou-se duas dificuldades. A primeira era a falta de um local para realização da festa, e a segunda, era falta de barracas. No entanto, ela, enquanto membro da Igreja Luterana, conseguiu emprestado as barracas que a instituição utilizava para fazer as festas juninas. Em relação ao local, ela relata que, na época, o diretor do Clube 29 de Junho também era diretor do Palácio de Cristal, e ele conseguiu com o prefeito Paulo Rattes, um espaço atrás do Palácio para realização da festa.

- A festa recebeu o nome de Primeiro Festival Germânico, e nós tínhamos três barracas: uma de doce, uma de salgados, e uma de bebidas. Elas foram transportadas por uma carroça até o Palácio de Cristal. Fiquei preocupada, pois não teria música nem atração, mas na comunidade luterana, uma integrante tinha uma academia de balé. Ela se prontificou a levar seu grupo para dançar lá. A festa durou três dias, e teve no máximo 50 pessoas – salientou ela, reiterando que com o passar dos anos, a festa foi melhorando.

Ela relembra que em 2020, fazem 61 desde a fundação do Clube 29 de Junho, e 175 anos desde a chegada dos colonos alemães. Se não houvesse a pandemia, ela ressalva que ocorreria a 37° edição do evento, e não a 31°. Além do mais, ela faz um apelo, salientando que a fundação da Bauern, e as festas que aconteciam na casa de uma família de descendentes, localizada no Fazenda Inglesa desde meados de 1950, são eventos distintos e não devem ser confundidos.

- A comemoração foi melhorando. Num determinado ano eu consegui quatro barracas com a Brahma, e mudamos o nome de Festival Germânico para Festa do Colono. Em 1989, chegou ao meu conhecimento que tinha uma banda austríaca no Rio de Janeiro chamada Saint Peter Fregstein, composta por uns 30 integrantes. A banda estava cobrando 1.000 cruzeiros pra tocar, segundo o Consulado Alemão do Rio. Eu não tinha esse dinheiro, mas fui até às indústrias de Petrópolis e arrecadei o cachê para pagar a banda. Eles vieram e foi um sucesso – contou Emygdia, empolgada com a realização.

No entanto, a então presidente infartou no final de 1989. Ela diz que a diretoria, compreensiva, entendeu que, devido aos procedimentos cirúrgicos, talvez não conseguisse realizar a festa no ano seguinte. - Aí recorremos à Secretaria de Cultura, que aceitou nos ajudar. Mudamos o nome de Festa do Colono para Bauernfest, e o evento se tornou essa grande festa. Eu não poderia imaginar que aquela mini-comemoração se tornaria no que é hoje, a principal festa de Petrópolis, e do Rio de Janeiro – disse ela, muito contente. Sobre a festa online, ela pontuou:- Já estou com 86 anos, não gosto e não tenho acesso a nada virtual. A graça das coisas é o calor humano. Mas não tem jeito, espero essa pandemia passar para que ano que vem possamos fazer uma festa maior ainda – finalizou ela, ressaltando que também fundou o Grupo de Dança 29 de junho, que atualmente, não existe mais.

Vale ressaltar que, a festa que em sua primeira realização possuía apenas três barracas, foi responsável por, no ano passado, reunir 200 atrações, vender 9,5 toneladas de salsichão, e 150 mil litros de chope em seus 17 dias de comemoração. Se não houvesse a incidência da pandemia, este ano, ocorreria a 31° edição do evento.

Bauernfest em Casa:

Segundo informações da Prefeitura, a Bauernfest em Casa contará com danças folclóricas, shows, atividades para as crianças, histórias e até mesmo os concursos estão na programação que acontecerá pela internet, de 26 a 29 de junho, feriado do Dia do Colono Alemão. Os mesmos poderão ser acessados pelo site oficial, e pelo Facebook da Bauernfest.

Vale ressaltar, que a festa também prevê a arrecadação de alimentos para famílias que foram prejudicadas com a pandemia. No ano que vem, a festa ocorrerá do dia 19 de junho, ao dia 04 de julho.



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