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Deficiente físico e ativista fala sobre as dificuldades em Petrópolis

Douglas Mattos é sócio de empresa que criou aplicativo para auxiliar mobilidade de pessoas com deficiência

Wellington Daniel

A causa dos deficientes físicos, apesar de ganhar maior notoriedade nos últimos tempos, ainda precisa de auxílio. É o resumo do que afirma o sócio da BioMob, analista de sistema da Orange Business Service e ativista, Douglas Mattos, 32. Com todo este currículo, Mattos tem desenvolvido um trabalho que foi reconhecido na cidade na última quarta-feira (28), quando ganhou uma Moção Congratulatória na Câmara Municipal. A iniciativa foi da vereadora Gilda Beatriz (MDB).

A BioMob criou um aplicativo que garante a mobilidade de pessoas com deficiência. Até o final do ano, a ferramenta digital deve ganhar uma nova versão, ainda mais completa, conforme mostrado pelo Diário de Petrópolis na edição do dia 8 de agosto.

Douglas Mattos conta que enfrentou dificuldades para começar a alfabetização. Naquela época, poucas escolas aceitavam pessoas com deficiência. Hoje em dia, segundo ele, a lei é mais cumprida.

- Eu nasci com paralisia cerebral e comecei a andar com 12 anos de idade.Comecei a estudar com 8 anos.Foi muito difícil. Minha mãe me alfabetizou em casa praticamente, porque escola nenhuma queria. Era um preconceito muito grande. Hoje há lei que garante a educação de pessoas com deficiência, mas na época, não era cumprida. Nesta época, os pais tinham que implorar para que os filhos pudessem estudar – contou.

A escolha por análise de sistemas se deu pelo gosto que Mattos tinha pela informática. Ele também observou o crescimento do mercado de trabalho da área.

- Na época que comecei a estudar era muito difícil. Não havia muitas opções de faculdades. Meus pais não tinham condições de bancar uma faculdade fora. E aí, optei pela informática. Um dos motivos também foi o crescimento do mercado de trabalho nesta área, que estava em alta. E desde garoto, sem gostei de computador – disse.

Dificuldades

Para o analista de sistemas, a maior dificuldade ao longo da caminhada foi a falta de conhecimento da sociedade com a causa das pessoas deficientes. Há a lei de inclusão, de 1995, que foi recebendo modificações ao longo das últimas décadas. Ainda assim, Douglas aponta que muitas pessoas a desconhecem.

- A maior dificuldade foi a falta de conhecimento da sociedade com a causa das pessoas com necessidades especiais. Há 20 anos, a falta de informação era muito grande. As pessoas tinham medo, receio de ir a público. A lei de inclusão já está em vigor desde a década de 90. Mas nem 20% das pessoas com deficiência usufruem da lei. E é por falta de informação da família e das pessoas – explicou.

Mudanças

Mattos afirma que apesar de as coisas estarem melhorando, ainda é necessário que as pessoas com necessidades especiais busquem uma capacitação profissional. Ele explica que, com esforço, conseguiu conquistar o que tem hoje.

- Hoje há oportunidades. As pessoas com necessidades especiais precisam querer. É difícil, mas tem que fazer um esforço. É necessária uma disciplina e traçar uma meta, para conseguir chegar onde se deseja. Hoje sou casado, tenho filho, dirijo, mas passei por muitos perrengues – disse.

Também lembra as mudanças no sistema de ensino, que tem cumprido a lei para garantir que deficientes físicos também possam aprender. Para ele, isso se dá principalmente pelas redes sociais, onde é possível denunciar aquilo que não está correto.

- As unidades de ensino não aceitavam pessoas com necessidades especiais, porque o local não era adaptado e seria necessário um profissional para estar com aquela pessoa. Agora, vejo que, principalmente com as várias formas de comunicação, a lei está sendo mais cumprida – afirmou.

Cidade

Para Douglas, não basta apenas o poder público fazer seu papel. É necessário que todas as pessoas respeitem uns aos outros. Por exemplo, não ocupar vagas de deficientes e também prestar auxílios. Ele lembra de um caso quando estava saindo do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e não conseguiu ajuda para atravessar a rua.

- Hoje, Petrópolis está carente de uma pessoa com o objetivo de ajudar em alguma coisa. Um exemplo simples: uma vez estava tentando atravessar a rua na frente ao INSS e pedi ajuda a três pessoas. Nenhuma me ajudou. Uma idosa que me deu auxílio. Precisa de mais pessoas com boa vontade – afirmou.

O analista de sistemas também está desenvolvendo um projeto de trabalho voluntário para a inclusão digital, que terá apoio de sua empresa, Orange, e da Prefeitura.

- Estou com um projeto de treinar pessoas que não tem conhecimento nenhum de informática. No caso, idosos e jovens. Será um trabalho voluntário e vão me sortear para uma associação de moradores. E é gratificante mostrar um mundo diferente para uma pessoa – explicou.



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