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  Saúde

 

 

Diferenças entre alergia e intolerância alimentares

Especialistas explicam como transtornos podem ser identificados e tratados

Leticia Knibel – Especial para o Diário

Estima-se que 3,5% da população adulta brasileira sofre com algum tipo de alergia alimentar; quando os dados referem-se as crianças, o número chega a 6%, segundo a Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (Asbai).


 
 O que muitos não sabem é a diferença entre alergia e intolerância alimentar, ou ainda identificar os sintomas de tais transtornos. Em artigo publicado recentemente por Jamile Nogueira (Foto E) e Nathália Almeida (Foto D) – coordenadora e professora (respectivamente) do curso de Nutrição da Faculdade de Medicina de Petrópolis/Fase, é muito comum que os termos “alergia” e “intolerância” sejam confundidos ou utilizados como sinônimos, mas do ponto de vista fisiopatológico são duas condições bem distintas. Apesar de, em algumas situações, os sintomas serem muito similares.

Para as especialistas, alergia alimentar é um termo utilizado para descrever reações adversas aos alimentos, dependentes de mecanismos imunológicos. “Neste caso, há o envolvimento de uma resposta do sistema imune, como uma reação ao componente alergênico, sendo no caso da alergia alimentar, desencadeada por antígenos alimentares. Já na intolerância alimentar, o indivíduo apresenta uma produção reduzida de enzimas, que deveriam participar do metabolismo de determinados nutrientes”, explicam.

- A alergia alimentar é causada por uma reação contra as proteínas de um alimento, enquanto as intolerâncias alimentares podem ser causadas por qualquer constituinte alimentar, caracterizando-se como um processo metabólico ineficiente – complementa Nogueira.


 Em tratamento há oito anos, Maria Heloísa da Rosa Jesus (Foto), conta que descobriu ter doença celíaca após apresentar sintomas como enjôo, dor no corpo e diarréia crônica. Durante um ano e meio, a balconista realizou exames para descobrir o real problema de saúde. “Eu me sentia muito mal, tinha fortes alterações de humor e, por um período suspendi o tratamento e voltei a comer normalmente, como consequência fiquei muito doente e acabei desenvolvendo também intolerância a lactose”.

A doença celíaca é provocada por intolerância ao glúten, uma proteína encontrada no trigo, aveia, cevada, centeio e seus derivados. A condição é crônica e autoimune afetando todo o intestino delgado de adultos e crianças geneticamente predispostos.

- Modificar minha alimentação foi extremamente difícil, afetou meu humor, meu estado emocional, minha rotina com a família e, a pior parte, foi tirar o pão (meu alimento preferido). Fora que os mercados da cidade não oferecem muitos produtos voltados a pessoas com doença celíaca e, quando encontro, o valor da mercadoria é sempre alto – destaca Maria Heloísa.

Hoje, com 40 anos, a paciente conta que as dificuldades permanecem principalmente na hora de sair, já que restaurantes e lanchonetes raramente oferecem opções de alimentos para quem possui restrição alimentar. Caso não siga a dieta como recomendado pelo médico, a paciente pode desenvolver queda de imunidade e anemia, dor no corpo, diarréia crônica e, em casos mais graves, câncer no intestino.

- As pessoas precisam ficar atentas aos sintomas e não achar que é apenas ‘frescura’. O tratamento é fundamental para ter uma vida saudável e evitar sintomas desagradáveis, que afetam a rotina e o bem-estar – diz. Maria Heloísa ainda explica que mantém uma dieta balanceada incluindo alimentos sem lactose e farinhas de outros tipos, como a de arroz.

Para explicar melhor o contexto, as especialistas usam como exemplo a intolerância a lactose e a alergia a proteína do leite de vaca. “No primeiro caso, o principal fator seria a deficiência da enzima lactase, que é responsável pela quebra de lactose, o açúcar do leite. Muitas vezes, o indivíduo intolerante apresenta certa capacidade de tolerar o alimento, pois ainda que baixa, mantém pouca produção enzimática. Já no processo alérgico, mesmo pequenas porções do alimento alergênico ou até mesmo traços do mesmo, podem desencadear reações graves de hipersensibilidade”, destacam Jamile e Nathália.

Na prática, as manifestações das alergias e intolerâncias alimentares podem ser muito similares. Trata-se de uma série de sintomas que podem envolver reações imediatas ou tardias, sendo mais comuns as gastrointestinais (estômago e intestino), cutâneas (pele) e respiratórias (asma e bronquite). Mais raramente, no entanto, as alergias podem ser mais graves, podendo acontecer reações anafiláticas que surgem em resposta a uma dose mínima do alérgeno.

- Outro fator de risco é a contaminação cruzada, que ocorre quando uma pessoa com a doença compartilha um talher ou outro utensílio doméstico com alguém que o tenha usado para consumir algo ‘contaminado’. Como consequência aparecem sintomas leves, mas, dependendo do caso, pode resultar em algo mais sério – explica Maria Heloísa.

A população deve estar alerta e buscar orientação médica. No caso do nutricionista, o papel do especialista é rastrear o quanto o paciente consegue consumir determinado alimento, inserindo-o da melhor forma no plano alimentar. Já em casos de alergia, muitas vezes, o tratamento inicialmente leva à exclusão do possível alimento alergênico e o profissional irá realizar uma prescrição buscando a inserção de outros alimentos, evitando possíveis quadros de carências nutricionais.

- Em ambos os casos é fundamental o acompanhamento do nutricionista visando à prescrição de um planejamento alimentar individualizado, com orientações gerais, além de instituir a prática da leitura e a interpretação dos rótulos dos alimentos e o fornecimento de receitas, objetivando a adequação do estado nutricional do indivíduo – concluem a coordenadora e professora da FMP/Fase.



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