Edição anterior (2051):
segunda-feira, 22 de junho de 2020
Ed. 2051:

Capa

Compartilhe:

Voltar:

HOJE

Edição anterior (2051): segunda-feira, 22 de junho de 2020

Ed.2051:

Compartilhe:

Voltar:


  Educação
 

Ensino a distância: vantagens e desafios

Especialista dá dicas para maximização do conhecimento

Camila Caetano – especial para o Diário

Apesar de ser a opção mais vantajosa à situação atípica que estamos vivendo, o ensino a distância ainda deixa lacunas em algumas etapas da aprendizagem. O principal dos problemas, é falta de acesso à internet, que, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua - Tecnologia da Informação e Comunicação (Pnad Contínua TIC), realizada em 2018 e divulgada pelo IBGE no final de abril deste ano, uma em cada quatro pessoas no Brasil não tem acesso à internet. De 2017 para 2018, o índice passou de 69,8% para 74,7%. Entretanto, 25,3% de brasileiros ainda não têm acesso a internet. Segundo a Agência Brasil, nas áreas rurais, o índice de pessoas sem acesso é ainda maior que nas cidades, enquanto nas áreas urbanas os números chegam a 20,6%, nas rurais o valor representa 53,5%. No total, a falta do acesso a internet é um problema que assola a realidade de 46 milhões de brasileiros.

Nesta última sexta-feira, a Secretaria Municipal de Educação informou que a rede de ensino do município conta com aproximadamente 41 mil alunos matriculados, dos quais 65% deste números têm acesso à internet. Dos 35% que relataram dificuldade em acessar ao site, 87,9% optaram pelo recebimento das atividades impressas, cuja entrega segue as determinações recebidas pela Secretaria de Saúde para este fim, e 12,1% recebem o material em formato PDF pelo WhatsApp. 

No entanto, de acordo com especialistas, ter internet em casa não é garantia de ensino. A falta de foco e concentração têm sido os maiores vilões da aprendizagem neste momento.

- Meu sobrinho, João Pedro, tem 9 anos. Graças ao acesso que temos à internet, ele recebe todos os materiais direitinho, mas não consegue se concentrar. Ele perde o foco no estudo e a vontade de se dedicar por causa dos jogos que o celular tem – informou sua tia, Mariana Bueno.

Explicação da especialista:

Christine Lourenço 

Diante disto, o Diário de Petrópolis consultou Christine Lourenço, que é Gerente Pedagógico do Ensino Fundamental 1 e 2 da rede Pensi, e também é professora de biologia. Ela explica que a maior dificuldade dos estudantes do ensino não presencial, é que agora, eles estão mais proativos e mais protagonistas do próprio aprendizado. Essa centralidade no aluno já vinha ocorrendo aos poucos, mas, os vendavais da pandemia impulsionaram o processo fazendo com que um objetivo se tornasse uma obrigação abrupta que gera várias informações adicionais.

- Tradicionalmente, o professor fala e o aluno escuta. Isso relativamente funciona, mas no ensino a distância percebemos que não é bem assim. Temos que pensar em formas de, mesmo em casa, manter os alunos focados. O grande problema nisso tudo, é que somos guiados por gatilhos. Na escola, sentimos o gatilho de que temos que estudar, então os alunos conseguem prestar atenção na aula presencial com um pouco mais de facilidade do que agora. Isso não torna a aprendizagem mais fácil, pois também é um desafio. Contudo, o ensino presencial, conta com um gatilho que desencadeia o hábito do estudo. O fato de estar no colégio já é um motivo para estudar e prestar atenção. Em casa, não necessariamente os alunos conseguem ter esses gatilhos, e aí precisam criar novos hábitos. Essa criação de gatilhos pra gerar esse hábito de estudo em ambiente diferente demanda muita força e energia – explicou.

Dicas para aprimorar o ensino a distância

Christine orienta sobre as questões. Ela diz que, por características hormonais e padrões de sono, as crianças são como cotovias por dormirem mais cedo e acordarem mais cedo. Já os adolescentes são como corujas, visto que dormem mais tarde e acordam mais tarde. Para tanto, é necessário saber em qual horário cada pessoa é mais produtiva. Logo, disciplina, organização e espaço físico são as palavras chaves pro aluno conseguir lidar com esse “novo normal” no aprendizado.

Disciplina: ela diz que na escola existe hora pra tudo, e em casa, as coisas as vezes parecem que ficam meio aéreas. - Por mais que tenhamos vídeo aulas com horários, esses estímulos dependem da disciplina do aluno. Ele deve pensar: qual é o melhor momento que tenho de estudo? Como funciono melhor? Em que horário? – disse a especialista.

Espaço fisico: Segundo ela, é muito importante ter um ambiente reservado para o estudo, com tudo organizado, pra cada dia de aula. Isso faz toda diferença para desencadear o gatilho de que, naquele momento, o aluno irá estudar.

Organização: Christine conta que a organização entra nos aspectos físico, temporal e mental do aluno conseguir estabelecer uma meta de estudos, criar e perseguir objetivos. – O aluno deve criar planejamentos em que seja possível se organizar para o que virá no dia seguinte – informou

Ela continua com as orientações

- Para não procrastinar no estudo, é preciso não procrastinar em outras atividades. Se tenho costume de adiar outras tarefas, isso cria um hábito. Logo, falar que vou estudar em determinado momento não me causa nenhuma mudança, pois, já me acostumei a ser uma pessoa que deixa tudo para depois, inclusive estudar. Temos que quebrar esse padrão cerebral em outras atividades. Assim, na hora dos estudos, será necessário apenas aplicar um padrão que já adotei na minha vida como um todo – disse ela, reiterando que o ideal é programar tempo de estudo e intervalos de descanso.

- O ideal é ter um tempo de estudo e um tempo de descanso, por exemplo: a cada 30 minutos, descansar por cinco e, por aí vai. Esse intervalo tem que ser combinado com algum movimento. Se estudei sentada, durante o intervalo vou levantar. Isso facilita a aprendizagem. O cérebro ganha oxigênio e permite que estudemos com mais vigor. O importante é conseguir dar foco total ao momento de estudo, com distrações apenas no intervalo. Saber que tenho trinta minutos pra estudar, é menos cansativo que saber que tenho o dia inteiro – esclareceu Christine, que continuou:- Um grande problema do EaD, é o excesso das telas. Agora, além de os alunos se distraírem por telas (televisão, celular e afins) os alunos também estudam por uma tela. Isso de fato cansa muito. O recomendado é encontrar um equilíbrio, exemplo, se o seu hobby é ver TV, troque por ler um livro, interagir com a família, entre outras atividades – concluiu.

Vale lembrar que nesta segunda-feira (22) às 18h, uma live entre Christine e Virgínia Chaves, professora de biologia e neurocientista, ocorrerá no perfil do Instagram do Colégio e Curso Pensi (@pensicolegioecurso).



Edição anterior (2051):
segunda-feira, 22 de junho de 2020
Ed. 2051:

Capa

Compartilhe:

Voltar:

HOJE

Edição anterior (2051): segunda-feira, 22 de junho de 2020

Ed.2051:

Compartilhe:

Voltar:








Rua Joaquim Moreira, 106
Centro – Petrópolis – RJ
Cep: 25600-000

ABRAJORI – Associação Brasileira dos Jornais do Interior