Edição anterior (1820):
segunda-feira, 04 de novembro de 2019
Ed. 1820:

Capa

Compartilhe:

Voltar:

HOJE

Edição anterior (1820): segunda-feira, 04 de novembro de 2019

Ed.1820:

Compartilhe:

Voltar:


  Geral
 EM VISITA AO Diário, Roseni foi recebida pelo diretor presidente do jornal, Paulo Antônio Carneiro Dias

Escritora petropolitana é sucesso na Alemanha

Autora de 27 livros publicados conta que já teve dislexia na infância

 

Camila Caetano – Especial para o Diário

A autora petropolitana Roseni Kuranyi, que tem 27 dos seus inúmeros livros publicados conta que quando criança já sofreu dislexia. "Eu não conseguia aprender, daí saí da escola e fui trabalhar na fábrica"

Mas, o que ela não sabia, é que esse era apenas o começo da sua longa jornada como escritora.

Entre as muitas profissões que exerceu, Roseni conta que quando começou a trabalhar em lojas, também começou a ler e escrever muito, e esta leitura em demasia influenciou-a tão positivamente que decidiu retomar os estudos. "Aquilo mudou a minha vida, em qualquer horário vago eu lia, eu acordava mais cedo, e dormia mais tarde, só para ler mais".

E assim, após fazer o supletivo, com muito esforço e dedicação, aos 30 anos foi aprovada no vestibular, e deu início ao curso de Psicologia na UCP.

O Inesperado:

Como todas as histórias que nem sempre têm um final feliz, essa não poderia ser diferente. Aliás, é bem verdade que, como dissera Drummond: "entre a boca e o beijo, tudo se evapora!"

Antes de Roseni dar início à faculdade, já havia conhecido seu marido, Kont Kuranyi. O homem húngaro criado na Alemanha com o qual tinha filhos e uma pousada, fonte da renda familiar aqui no Brasil.

Roseni, na maioria das vezes, teve que dividir seu tempo entre matrimônio, maternidade, e faculdade. E, ao completar o quarto período do curso de psicologia, o inesperado aconteceu: devido a expropriação de um terreno que seu  marido sofrera, a renda familiar declinou tanto, que tudo conspirou para saírem do Brasil e irem para Alemanha, onde Kont tinha família e amigos capazes de ajudar-lhes.

E é no meio dessa pilha de eventos inesperados que a Roseni Escritora começa a ganhar vida e atuação.

Chegada na Alemanha

Roseni conta que chegou na Alemanha com inúmeros sonhos fortemente influenciados pelo fato de o Primeiro Laboratório de Psicologia Experimental ter sido fundado em Leipzig, na Alemanha. "Eu cheguei pensando 'vou fazer faculdade lá, eu gosto da língua alemã'". No entanto, não passara de um breve presságio, pois, segundo ela, ao chegar lá, nada saiu como esperado e acabou virando dona de casa.

- Stuttgart tinha tudo, menos faculdade de psicologia! Aí a frustração foi de arrasar, eu fui pra um buraco, mas esse buraco foi ótimo pois eu escrevia muito. Fui colocando tudo pra fora –  explica Roseni, que complementa dizendo que ter se tornado escritora, deve-se ao fato de antes, ter se tornado dona de casa.

"Quando virei dona de casa, vieram as frustrações, as crises, existenciais. Com isso, comecei a escrever pequenos ensaios, e contos, colocando as frustrações pra fora".

Surgimento da Escritora

Roseni sempre tivera uma família que a apoiara na tomada de decisões. Sr. Geraldo, seu pai, um homem simples que estudou somente até a quarta série, não poderia deixar de ser um tremendo bombeiro, e um tremendo contador de histórias!

Tendo recebido fortes influências do pai, além de escrever, uma das alternativas que ajudava a escritora a se livrar das frustrações, era um evento que organizara junto com sua amiga, Solange Bernadinho, chamado "Hora de Poesia" que reunia amantes da língua portuguesa de diversos tipos. O evento acontecia na Primeira Biblioteca Brasileira em Stuttgart, fundada por Roseni.

A escritora, assim como seu pai, escrevia histórias e contava para seus filhos "a intensidade com que fui contando as histórias pros meus filhos foi mudando e fazendo com que eu escrevesse outros gêneros" – explica.

- Meu filho contava as minhas histórias na escola, um dia a professora me chamou e disse: "que interessante sua profissão de escritora". Aí é que tudo começou, eu me sentia uma simples dona de casa. Depois que a professora falou isso nunca mais parei de escrever.

Hoje, Roseni tem 27 livros publicados variando entre literatura infantil, e romances. Alguns deles de narrativas muito densas, e em língua alemã. A autora conta que chorou muito ao reler Vida Alheia (um de seus livros), pois as histórias que escreve fazem com que ela se encontre através de uma linguagem que não foi falada "quando eu escrevo, me entrego totalmente. Talvez seja o momento mais importante pra mim" – salienta.

Seu romance policial, Reverendo Antônio, que denuncia o abuso de poder, e a violência social em diversas esferas, foi o vencedor do prêmio Maestro Guerra Peixe em 2015.

Enquanto escritora, sempre visou fazer visitas em escolas públicas e distantes do centro da cidade, com intuito levar representatividade para as crianças "quando eu era pequenininha, eu gostaria que alguém assim tivesse ido a minha escola" – diz Roseni.

Nas visitas, levava livros para a biblioteca das escolas, realizava algumas atividades, e até mesmo, ensinava algumas palavras em alemão para as crianças, como por exemplo, "danke" (obrigado/obrigada em linguagem alemã).

- Eu chegava no Brasil e mal via minha família, já ia direto pras escolas públicas. Hoje com 52 anos eu paro em algum posto de gasolina e ouço uma voz grossa gritando "danke" e aí eu choro de emoção dentro do carro. A voz grossa de hoje foi uma criança que conheci em uma visita há 15 anos atrás.



Edição anterior (1820):
segunda-feira, 04 de novembro de 2019
Ed. 1820:

Capa

Compartilhe:

Voltar:

HOJE

Edição anterior (1820): segunda-feira, 04 de novembro de 2019

Ed.1820:

Compartilhe:

Voltar:








Rua Joaquim Moreira, 106
Centro – Petrópolis – RJ
Cep: 25600-000

ABRAJORI – Associação Brasileira dos Jornais do Interior