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  Colunistas
Fernando Costa
COLUNISTA

 

 

93º aniversário de  Wanda D’Ângelo!

É um privilégio renovar a visita a doce Wanda D’Ângelo em sua residência da Rua da Imperatriz.  Adentrar os umbrais da acolhedora residência e assisti-la a dedilhar belos acordes ao piano “Por Elise de Beethoven”. Da janela avisto lá fora, num dos ângulos a Catedral, a palmeira imperial e os arvoredos cobertos pela cerração, o “fog” petropolitano a brincar de esconde, esconde com os belos monumentos históricos. Imponente, a sala adornada do mobiliário de época e obras de arte em perfeita sintonia com centenária pinacoteca e fotos da família! Uma vida, junto ao pranteado Dr. Donato D’Ângelo, expressão maior da ortopedia de relevo internacional onde os inúmeros congressos, conclaves e solenidades constituem a história viva em cada fragmento! Quanta beleza em reviver as reminiscências da infância de Wanda e Donato; ela, nascida de família portuguesa cujo avô teve formação em Lion na França, tendo se graduado em engenharia elétrica. No Brasil ele exerceu importante cargo na empresa “Light” enquanto o avô de origem materna foi proprietário de importante empresa de panificação na Cidade Maravilhosa. Seus pais Dr. Gaspar Machado de Marques Leitão e Sra. Isabel da Rocha Marques Leitão trouxeram duas filhas à luz: Wanda e Wilma (falecida), nascidas no Rio de Janeiro onde concluíram os primeiros estudos. O tempo passou e seu pai acidentou uma das mãos e começou a reclamar do intenso calor até que vieram passar o verão em Petrópolis e acabaram por decidir a vinda definitiva para a Imperial Cidade no Bairro Mosela. Aqui Wanda foi matriculada no Colégio Santa Catarina, onde colou grau no curso até então denominado “Guarda-Livros” hoje chamado “Contador” ou “Técnico em Contabilidade.” Nos finais de semana, principalmente aos domingos, se reunia com as amigas para assistir as tardes musicais no “Tênis Clube” hoje Petropolitano Futebol Clube. O jovem Donato residente nesta cidade, mas cursando medicina no Rio de Janeiro ao invés de passar os fins de semana naquela cidade não abdicava de seu comparecimento junto a seus pais João D’Ângelo e Catharina Kling D’Ângelo, por isso, frequentava o mesmo espaço social que sua musa. Ali, ambos se viam, mas, não passava de um flert. Num desses domingos Wanda veio com suas amigas tomar um chá na Casa D’Ângelo e, por coincidência Donato estava ali na Praça Dom Pedro a conversar com seu amigo Maneco Müller o tão conhecido jornalista da época Jacinto de Thormes introdutor do colunismo social no Brasil. Ele viu aquela bela e longilínea moça de olhos negros e longos cabelos da mesma cor, pele de pêssego e perguntou a Donato: notei que estão a se olhar, vocês se conhecem? O jovem Donato demonstrava timidez, raridade em nossos dias. Assim, Maneco Müller cuidou em ser cupido e se encaminhou junto de Donato até Wanda e os apresentou. Dali por diante tudo começou. Casaram-se em histórica cerimônia na Catedral São Pedro de Alcântara oficiada por Monsenhor Gentil Pároco daquele templo. Depois do enlace foram residir no Valparaíso nesta cidade. O Casal teve seis filhos: Mário Donato (médico), João Donato (advogado), Fábio Donato (dedicado aos esportes), Elizabeth (professora), Liliana (graduada nos E.U.A. como secretária especializada em área médica) e Cristiana (área de gastronomia) que lhes deram 17 netos e 16 bisnetos, alguns desses inclusive escolheram a mesma profissão do pai e bisavô, a medicina.   Nesse ínterim Donato fundou uma importante clínica ortopédica na Cidade do Rio de Janeiro “Clínica Doutor Donato D’Ângelo” à Rua Barata Ribeiro onde atuou ininterruptamente por cerca de quarenta anos e Wanda o secretariou por pelo menos vinte e cinco anos quando transferiu essa tarefa para sua filha Liliana. Donato D’Ângelo conquistou o grau excelência em sua especialidade e  era figura obrigatória nos congressos nacionais e internacionais tendo inclusive residido com Wanda e filhos por um ano em Bolonha onde fez pós-graduação no “Instituto Rizzoli” palavra máxima da ortopedia em sua época. Fala com ternura de seus sogros e de seus pais que junto ao seu “staff” davam suporte a seus filhos e sua residência e ao corpo clínico quando o casal realizava suas viagens e cruzeiros, tendo em vista que a presença da iluminada Wanda era obrigatória nesses eventos. Nessa perfunctória resenha estou a lhes dar pequena mostra do carisma e dinamismo dessa extraordinária mulher que, não obstante aos inúmeros afazeres encontrou e ainda encontra tempo para participar ativamente da vida social, benemerente e religiosa da comunidade. A festa para ser completa haveria de contar com a presença de Wanda e Donato! E ainda é assim. Wanda tem luz própria. Uma guinada no tempo, Donato em tratamento de saúde. Baldados todos os esforços: o retorno do amado esposo ao regaço celestial. E, no entanto, é preciso viver, servir e executar as canções. Por isso continua sua missão com altivez e elegância à altura de seus noventa e três anos  completados em seis de setembro do ano em curso.  Tem recebido várias manifestações de carinho de seus amigos, assim como, Missa em Ação de Graças na Catedral onde se casou quando renovara as bênçãos dos tempos das “Equipes de Nossa Senhora” onde o casal compartilhou por mais de trinta anos. Não se esquece de louvar as virtudes do marido Donato lembrando suas palavras a ela e aos filhos: “não basta ser um brilhante profissional. É preciso amor e humildade, fidelidade e serviço, disponibilidade sem egoísmo e buscar ser o melhor para o bem de seu próximo”. Seguindo este fio condutor retira ela dos faustos da história um exemplo legado por seu marido ao curar o  menino simples de Cachoeiro. Quis o destino que o pobre garoto se tornasse uma celebridade da música. Seu nome: Roberto Carlos. E essa gratidão tem sido renovada pelo rei tendo sido uma delas durante um congresso médico perante quatro mil espectadores. Roberto também fez questão de comparecer e cantar para seus queridos amigos Wanda e Donato durante as cerimônias das “Bodas de Ouro” e dos “Oitenta anos de Donato” em cujas solenidades eu tive a honra de estar presente. Fiquemos com a beleza e a dignidade de Wanda D’Ângelo uma lição de vida para todos nós. 

 



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