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  Cidade

Fim de auxílios federais preocupa economia da cidade

Auxílio Emergencial injetou R$ 319,8 milhões; já BEm teve 45.728 acordos fechados

Wellington Daniel/Foto arquivo

 Secretário municipal de Desenvolvimento Econômico, Marcelo Soares 

A pandemia de covid-19 trouxe complicações à econômica. Com isso, dois programas de auxílio federal foram importantes para reduzir os impactos. Foram eles: o Auxílio Emergencial, que pagou R$ 600 mensais a indivíduos atingidos pela crise, e o Benefício Emergencial (BEm), que permitiu que as empresas fechassem acordos de redução de jornadas e salários e ou suspendessem contratos, de modo que o que faltasse do salário era complementado pelo Governo Federal.

No entanto, ainda em meio a pandemia, uma nova preocupação surge na economia da cidade: os dois programas não foram prorrogados para 2021. Em Petrópolis, dados do Ministério da Economia de terça-feira (05) apontam que, de abril até dezembro, 45.728 acordos foram firmados dentro do BEm, atendendo a 3.590 empregadores e 20.543 trabalhadores. Só no último mês do ano, foram 744 negociações.

Setores

O setor de serviços foi o que mais realizou estas negociações pelo BEm, com 23.229, o que corresponde a 50,8% do total. Dentro deste grupo, alojamento e alimentação teve a maior quantidade, com o fechamento de 5.796 acordos. O Sindicato de Hospedagem e Alimentação de Petrópolis tenta, junto ao Governo Federal, a extensão do benefício aos setores mais atingidos (eventos e turismo).

- Realmente os setores de hospedagem e alimentação foram dois dos mais afetados pela pandemia e precisaram se utilizar deste benefício federal para diminuir a quantidade de demissões. Embora estejamos em recuperação, ainda falta muito para chegarmos nos patamares pré-pandemia - diz o presidente Germano Valente.

O Sindicato também informou que busca outras formas de diminuir o impacto. Dentre elas, está sendo tentado um termo junto ao sindicato laboral para flexibilizar férias e bancos de horas, visando a manutenção dos empregos. Para a organização, hospedagem e alimentação são a base de uma cadeia muito grande do turismo, que é uma das principais responsáveis pela renda e desenvolvimento social de Petrópolis.

Após serviços, o setor que mais fechou acordos foi o comércio, com 11.180 negociações (24,4% do total) pelo Benefício Emergencial. O Sindicato do Comércio Varejista de Petrópolis (Sicomércio) informou que os empresários estão apreensivos, pois, além do pagamento dos funcionários, a ajuda do governo federal também trouxe uma injeção de recursos para a economia da cidade.

Auxílio Emergencial

E a injeção de recursos foi milionária. De acordo com dados do Ministério da Cidadania, foram pagos R$ 319,8 milhões de Auxílio Emergencial a 95,5 mil pessoas na cidade. A última estimativa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE) aponta que Petrópolis tinha, em 2020, 306.678 habitantes. Ou seja, quase um terço dos petropolitanos recebeu alguma parcela do benefício.

Em outra entrevista ao Diário, o economista do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV IBRE), Rodolpho Guedon, explicou que, apesar de uma recuperação, o mercado de trabalho ainda não consegue absorver a todos que recebiam o Auxílio. Para ele, no entanto, a situação fiscal do Brasil impede programas de transferência de renda.

- E aí, podemos pensar: por que não piorar a questão fiscal em detrimento do benefício do Auxílio Emergencial? A questão é que, qualquer piora da questão fiscal, que a gente já vem observando nos últimos anos, tem consequências muito mais graves no longo prazo. O Brasil começa a perder capacidade de investimento, a ter uma piora no mercado de trabalho estrutural, então isso tudo pode ter consequências muito piores – disse.

Governos

O secretário municipal de desenvolvimento econômico, Marcelo Soares, disse que acredita que o impacto da retirada dos benefícios não será catastrófico. Soares lembra os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) mostram que a cidade já recuperou mais de 40% das vagas de trabalho perdidas nos primeiros meses da economia. Além disso, afirma que há um otimismo para a vacina.

- Eu acredito que haverá, sim, algum impacto, pois a ajuda do governo federal recupera um pouco do poder de compra das pessoas. Com a saída, acredito, sim, que possa haver um impacto, mas não acho que será catastrófico. Acredito que, talvez, seja significativo, mas também há uma possibilidade de ser mínimo. Honestamente, acho que nossa economia de Petrópolis está dando sinais concretos de recuperação e estamos no caminho certo – afirmou.

O secretário também afirma que a pasta trabalha, atualmente, com quatro eixos principais: a liberação de obras particulares, o Condomínio Industrial da Posse, o polo tecnológico e o turismo de negócios. Neste último, está programado para março um encontro com organizadores de eventos corporativos, para que já comecem a ser realizados ainda neste ano. Apesar da atuação com estes focos, Soares também apresentará em breve um projeto que contempla a economia como todo.

O Diário procurou o Ministério da Economia sobre a possibilidade de prorrogação das medidas emergenciais e se há um plano para suavizar o impacto da retirada destes dois recursos, o Auxílio Emergencial e o Benefício Emergencial. A pasta pediu que a reportagem entrasse em contato com o Ministério da Cidadania.

Os mesmos questionamentos foram enviados ao Ministério da Cidadania, conforme a indicação. No entanto, a resposta enviada foi que o BEm é operacionalizado pelo Ministério da Economia e que a demanda deveria ser direcionada para esta outra pasta.

Benefício Emergencial (BEm) por tipo de acordo

Fonte: Ministério da Economia

Intermitente

437

Redução de 25%

4.111

Redução de 50%

9.845

Redução de 70%

13.102

Suspensão

18.233

Total de acordos

45.728

 

Benefício Emergencial (BEm) por setor

Fonte: Ministério da Economia

Agropecuária

47

Comércio

11.180

Construção

495

Indústria

10.776

Serviços

23.229

Não informado

1

Total de acordos

45.728

 

Auxílio Emergencial por parcelas

Fonte: Ministério da Cidadania

Parcela

Valor paga

Beneficiários elegíveis

Parcela 1

R$ 65,1 milhões

95,3 mil

Parcela 2

R$ 64,9 milhões

95 mil

Parcela 3

R$ 64 milhões

93,6 mil

Parcela 4

R$ 63,3 milhões

92,5 mil

Parcela 5

R$ 62,3 milhões

90,9 mil

Total

R$ 319,8 milhões

95,5 mil

 



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