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  Colunistas
Frederico Amaro Haack
COLUNISTA

 

 

RELATÓRIO PROVINCIAL DE 1846.

Nesse artigo transcrevo na integra o relatório do presidente da província do Rio de Janeiro, Aureliano de Souza e Oliveira Coutinho, em 1º de maio de 1846, tratando sobre a fundação da Imperial Colônia de Petrópolis. A transcrição foi feita respeitando a ortografia do século XIX.

“Vendo eu porém por um lado, que as empresas para colônias agrícolas ou se offerecião desvantajosamente, ou tinhão mao êxito; considerando por outro, que o augmento da população livre exige a introducção de casaes, e não somente de homens solteiros: vendo que a província despende grandes sommas nas suas obras em hornaes á braços escravos, que convém antes não desviar da lavoura; considerando mais que alguns casaes de colonos empregados na importante obra da serra normal da Estrella podião melhor aclimatar-se ali, informando o núcleo de uma colônia na povoação denominada Petropolis, onde S. M. o Imperador, ordenando se aforassem terras a particulares, mandou edificar um palácio para sua residência de recreio, e de saúde no tempo de verão; contractei-me com a casa de Mr. Carlos Delrue, negociante de Dunquerk e ali vice-consul do Brasil (o qual havia feito proposições ao governo) a introducção de 600 casaes de colonos allemães trabalhadores, e officiaes dos officios de que mais se podia precisar, debaixo das condições explicitas, e restrictas, que se achão no contracto datado de 17 de Junho de 1844 pagando-se a 245 francos pelos adultos e metade pelos de 5 até 15, e nada pelos menores de 5 annos.

Esta casa, tendo a princípio encontrado difficuldades no engajamento de taes colonos com as restrições do contracto, julgou dever dar conta da sua commisão, e fazer um serviço ao paiz, e a si, sahindo um pouco fora das condições do mesmo contracto: assim He que por casaes entendeu famílias mais numerosas, em algumas das quaes não só comprehendeu os filhos, como também os pais de taes casaes, e alguns (mui poucos) maiores de 60 annos, quando o contracto estabelecia o Maximo de 40; dando por fundamento, ou escusa, que esses casaes, aliás vigorosos, e cheios de filhos uteis ao paiz, não querião vir sem serem acompanhados de seus pais. Igualmente fez a remessa quasi a um tempo, quando o contracto estabelecia prasos, para que podesse e governo ir com pausa acommodando os colonos. Resultou d’ahi achar-se o mesmo governo a princípio algum tanto embaraçado com um número maior de colono do que encommendára, se bem que todos muito morigerados, robustos, e industriosos, sendo o número da gente moça entre 5 e 18 annos de ambos os sexos de 1200 individuos, e elevando-se a 2303 o total dos colonos importados em diferentes navios. S.M. o imperador, sempre sollicito pela prosperidade, e engrandecimento do seu império, logo que chegou de Dunquerk o primeiro navio “Virgine” trazendo a seu bordo 160 desses colonos, não só autorisou o seu mordomo a offerecer ao governo da província as suas terras de Petropolis para n’ellas se estabelecerem logo os mesmos colonos, visto que erão destinados aos trabalhos da serra da Estrella, como mesmo se dignou ir vel-os no arsenal da marinha quando indo de Nictheroy partirão para Petropolis, e lhes assegurou a sua proteção por meio de allocuções, que lhes mandou fazer,e de donativos pecuniários. Forão seguindo para o mesmo destino os mais que vinhão chegando, e á excepção de alguns casaes composto de 106 individuos que pedirão ao mesmo augusto senhor ir antes para a colocação de S. Leopoldo, onde tem parentes, e de outros que encontrarão logo empregos na corte, e arsenaes., achão-se todos os mais reunidos em Petropolis, onde munificência imperial, e as obras tanto da província, como da casa de S. M. Imperador, e dos particulares, que ali estão edificando, lhes garantem os primeiros soccorros, e meios de subsistência, emquanto os nãos adquirem pela sua industria, e lavoura, que começão a desenvolver com maravilhosa actividade.

Acha-se pois, sob os auspícios, e proteção de S. M. o Imperador, fundasda em Petrópolis uma colônia, que promete prosperar, e ser de muita vantagem á capital do impérionão só pelo lado da horticultura, e plantio de fructas, e cereaes, e creação de aves, com que pode abastecer o grande mercado de côrtes que lhe fica tão próximo, mas também por meio das artes mechanicas, de que pela abundância de madeiras se podem ali estabelecer officinas, como ferrarias, marcenarias, tanoerias, etc; sendo igualmente um viveiro onde os particulares podem contractar officiaes de officios, creados, e operários industriosos. A colônia está assentada tanto no centro da povoação de um, e outro lado das ruas (as quaes tem de largura, uns 100 palmos, sem rio, e outras 150 palnos com os rios encanados no centro, sendo este encanamento de 20 palmos de largura, que permittirá navegação por todo o povoado) porém também, e muito principalmente se estende pelos suberbios da referida povoação de um, e outro lado de 3 principaes rios, e seus confluentes, que correndo placidamente banhão as terras da fazenda imperal do Corrego Secco, e da denominada “Quitandinha”, offerecida para esse fim a S. M. o Imperador pelo Major Julio Frederico Koeller, que na distribuição das terras, collocação dos colonos, construcção de suas casas, e todos os mais arranjos necessários, desenvolveu uma actividade, e zelo dignos de elogios.

Continua...



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