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  Colunistas
Frederico Amaro Haack
COLUNISTA

 

 

RUA MONTECASEROS

Nas primeiras plantas da cidade, Köeler (1845) e Reymarus (1852) esta rua denomina-se “do Cemitério” justifica-se, pois o cemitério velho, o primeiro da colônia, localizava-se às suas margens, precisamente onde hoje temos o conjunto da Igreja do Sagrado Coração de Jesus e o Convento dos Padres Franciscanos. O cemitério foi transferido para o local atual em 1854, pelo diretor da Colônia Alexandre Manoel Albino de Carvalho, que reurbanizou a área, não havendo mais motivos para, digamos, a alcunha da rua.

A rua passa a denominar-se “San Martin” neste 1854. Curiosamente, Taunay, em 1861, ainda a denomina “do Cemitério”. Com certeza, o nome dado por Albino de Carvalho não caiu no gosto ou no conhecimento do povo. Porém, muito interessante é o Ato republicano que se encontra na Ata da reunião da Câmara Municipal de 14 de dezembro de 1890, que substituiu a homenagem ao libertador e herói argentino, general San Martin, pela batalha vencida pelo Exército Imperial a 3 de fevereiro de 1852, batalha que os argentinos denominam “dos Santos Lugares”, onde os brasileiros comandados pelo brigadeiro Manoel Marques de Souza derrotaram o exército do caudilho Rosas. Os cemitérios podem ser chamados de “santos lugares”, será que os vereadores da época fizeram esta possível e única relação?

A Rua Montecaseros tem início na confluência das ruas Sete de Abril e Frei Rogério e termina na Rua Piabanha, depois do número 649. Recebeu o primeiro calçamento, pelo sistema de “Mac Adam”, em 1857, quando começa a construção de uma igreja para os colonos católicos, que seria a Igreja do Sagrado Coração de Jesus, a qual domina todo o primeiro terço do lado ímpar da rua. Durante todo o restante do século XIX e boa parte das primeiras décadas do século XX foi local de encontros dominicais dos colonos e seus descendentes, principalmente dos que moravam para os lados dos Quarteirões Bingen e Mosela, logo atraindo comerciantes que nela se estabeleceram, comercializando artigos populares, calçados, tecidos, panelas etc. e alguns bares, padarias, quitandas e armazéns.

Na última década do século XIX constrói-se o colégio e a Capela de Santa Catarina, que recebeu o número 288. As irmãs fundadoras do colégio vieram da Prússia Oriental, à época fazendo parte do Império Alemão, hoje Polônia, a chamado do frei Ciríaco Hielscher, primeiro superior do Convento Franciscano. O colégio Santa Catarina é construído e fundado em paralelo com o Instituto São José, este, vizinho à Igreja do Sagrado e ao Convento Franciscano, destinado aos meninos filhos de descendentes de colonos e, o Santa Catarina para as meninas. Também da última década do século XIX é a construção da residência que pertenceu ao Dr. Oswaldo Cruz, famoso cientista e primeiro prefeito, nomeado, de Petrópolis. Localizava-se no local do atual número 250, onde se ergue hoje o prédio moderno de um colégio particular, o que surpreende que um colégio não tenha preservado o histórico prédio.

Pelo início do século XX, ainda nos antigos números 13 e 20 residiam os senhores José Elias Pereira Castiço e Joaquim Araújo, respectivamente, que requerem à Câmara Municipal, em março de 1901 melhorias para a rua. Durante o ano de 1911 anunciava pela “Tribuna de Petrópolis” o dentista Maurício Bicalho: “... especialista em pontes, que é uma dentadura que não se pode tirar. Aceita-se pagamentos em prestações”.

Em 1926, ainda ponto de concentração dominical dos moradores católicos dos Quarteirões Coloniais, por essa época acrescida dos protestantes luteranos, que caminhavam desde a sua igreja, na Avenida Ipiranga, até a “Montecaseros”, como a rua passou a ser conhecida, para comprar o “pão de padaria” aos domingos, diferente do pão caseiro da semana e, pegar o ônibus para ir e vir de casa. Neste ano de 1926 havia na rua, além de outros, os seguintes estabelecimentos comerciais: nº 74 o Armazém Nastazi, de Carmine Nastazi; nº 100 a Casa Guiomar - Chapéus para senhoras, Perfumes, etc., direção de Madame Guiomar; nº 116 a Padaria e Confeitaria Rio Branco, do senhor Constantino Rodrigues; nº 170 a Sapataria Popular; nº 133 a Casa Kling - Armarinho - Tecidos, modas, brinquedos e miudezas; nº 204 Francione & Filho - Oficina de artigos de ferro batido; nº 413 o Armazém Werneck, de Pedro Essinger; nº 377 havia um Curso Preparatório para concursos do Banco do Brasil e admissão às Escolas Militares e de Comércio - Direção do capitão de engenheiros militares Polydoro Barbosa; nº 520 a residência e consultório do Dr. Joviano de Rezende - Clínico geral. 1926 viu também a construção do Convento de Lourdes, na esquina com a Sete de Abril; o término do calçamento a paralelepípedos da rua, que havia começado no ano anterior e, o frei Donato Bücker foi eleito guardião do Convento dos Franciscanos, em fevereiro.

Na década de 1950 são demolidos alguns sobrados e construídos edifícios de três e quatro andares. Em frente à Igreja do Sagrado, um posto de gasolina nos terrenos dos franciscanos é inaugurado; surge o Armazém Maurício, origem de uma cadeia de supermercados, empresa petropolitana que se expandiu por outras cidades do estado. Havia na Rua Montecaseros até uma sala de cinema.

Em 18 de abril de 1957, sexta-feira santa, às vinte e três horas, ao passar um ônibus pela esquina da Montecaseros com a Piabanha, tiveram motorista e passageiros, sua atenção voltada para um grupo de homens que velava um corpo estendido na calçada, tendo velas acesas em torno. Estacionado o ônibus, passageiros curiosos chegaram às janelas: um tira o chapéu, outro faz o sinal-da-cruz. Os homens que velavam o “defunto” caem na gargalhada e caçoam de todos. O “cadáver” era um “Judas”, que seria posteriormente pendurado em um poste.

Tornou-se uma rua de trânsito intenso, lojas de material de construção e autopeças desde os anos 1960 foram dominando o comércio, tornando-se uma característica da rua de hoje. Local que foi palco de muitos encontros “depois da missa” entre casais de quarteirões diferentes e de muitos escolares dos colégios dos “Canarinhos” e das meninas moças do Santa Catarina. Hoje temos ainda um colégio particular, misto; um grande edifício, para os lados da Piabanha e dois pequenos hotéis, para turistas, viajantes e encontros de casais de... quarteirões diferentes.

 



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