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  Colunistas
Frederico Amaro Haack
COLUNISTA

 

 

PALÁCIO IMPERIAL DE PETRÓPOLIS, O NOSSO MUSEU...

O local para a construção do Palácio Imperial foi escolhido pelo próprio imperador D. Pedro II, quando de uma de suas viagens a Petrópolis em abril de 1845. Sua majestade achou que o melhor lugar para a construção de seu palácio era no canto da Rua da Imperatriz de frente a Praça do Imperador, no lugar denominado Monte de Santa Cruz, pequena elevação aonde em 8 de julho de 1843 o presidente da província Caldas Viannas, mandou erguer uma cruz com o a seguinte inscrição:  “Cruz de São Pedro de Alcântara de Petrópolis”. Em 18 de julho de 1845, dois anos após o erguimento da dita cruz, foi assentada na presença de várias pessoas e de Suas Majestades, a pedra fundamental do futuro palácio de veraneio da família Imperial.

É bom deixar claro, que na construção do Palácio Imperial de Petrópolis não foi usado dinheiro público, todos os gastos da obras vieram do bolso do imperador, que acho por bem usar do seu dinheiro visto que o palácio estava sendo erguido em suas terras para uso próprio.

D. Pedro II tinha pressa em passar o verão em Petrópolis e em 1847 foi veranear na sede da antiga fazenda do Córrego Seco e assim acompanhar de perto todo o trabalho de construção de seu palácio.

O projeto de construção do Palácio, ficou a cargo do Major Júlio Frederico Koeler, até sua repentina morte quando passou a ser responsável pela obra José Alexandre Cirne, sendo também superintendente da Imperial Fazenda de Petrópolis de março de 1849 à março de 1853, passando o cargo a José Maria Jacinto Rabelo que ficou no cargo até maio de 1858, mais tarde passando a Vicente Marques Lisboa comandou as obras até 1862.

No trabalhando na execução das obras tínhamos: 142 trabalhadores, 4 feitores, 39 escravos vindo da Fazenda de Santa Cruz, 2 empregados e 22 africanos livres. E alguns dos 193 colonos germânicos vindos de Dunquerque em julho de 1845 e dos 552 chegados em agosto do mesmo ano.

O início da construção se deu pela ala direita projetada por Koeler, sendo a pedras dos alicerces vindas de uma pedreira próxima – acredita-se ser uma que ficava perto da Casa dos Semanários, que causa enorme embaraço nos início das obras do palácio, o que foi resolvido com a sua demolição e as pedras usadas para os alicerces da construção.  Essa ala foi feita as pressas e não teve o mesmo acabamento que a outra, o teto não os mesmos estuques e claraboias o corredor era mais estreito, ficou conhecida como “ala pobre”. Isto porque o imperador e sua família tinha pressa em habitar a nova morada de veraneio na serra.

O italiano Cristofono Bonini, engenheiro, ficou responsável por alguns detalhes: projetou o pórtico de granitos e o sobrado em cima do pórtico de entrada, com o assoalho em mármore branco debruado de preto com florão ao centro.

As madeiras usadas na decoração do palácio vieram de diversas partes do Brasil como o pau –cetim que veio do Pará para ser colocado na Sala de Estado. Madeiras de leis também foram utilizadas como peroba ou jacarandá para os assoalhos, pequiá para os parapeitos, peroba para os rodapés e vinhático para as portas.

As ferragens das portas e de alguns móveis foram feitas de bronze dourado e as maçanetas de vidro, porcelana ou cristal.

As paredes foram feitas pelo sistema enxaimel – hastes de madeiras entrelaçadas na vertical, na horizontal e inclinadas, usando barro, cal e pedras. Depois de prontas foram empapeladas, ou seja coberta com papeis decorativos e pinturas em escaiola – pintura que imita os desenhos do mármore, feita com gesso e cola.

Para fazer a ligação do andar térreo com o superior foram construídas três escadas, uma com 32 degraus, executada por Henrique Luís Jaeger, colono alemão, outra em espiral de ferro com 25 degraus e uma que ligava o Vestíbulo ao andar superior mas foi retirada quando o Palácio virou Museu Imperial.

A pintura das janelas da ala direita era verde, mas foram mudadas para uma cor que imitava a cor de madeira de cedro para igualar com a outra ala. Em 1856 a cerca de madeira que contornava o palácio foi trocada por grades de ferros e colocado um muro pequeno. O telhado da ala direita que era zinco foi substituído por telhas de cerâmica por chovia em alguns cômodos.

À medida que o Palácio Imperial era construído, ao redor do mesmo eram erguidos alguns prédios: Quartel dos Semanários, para hospedar os camaristas, o bispo diocesano e o médico da família imperial e outras pessoas; a Superintendência; casa para o mordomo e os ministros; cocheiras, despensas e a senzala; cozinhas e banheiros.

O jardim do Palácio ficou a cargo de Jean Baptiste Binot, famoso botânico que residia em Petrópolis, o contrato para a execução do jardim imperial foi assinado em 1854. O contrato apresentava algumas obrigações ao contratante tais como: a importação de plantas, o nivelamento do terreno na frente e ao lado do palácio e também “procurará terra própria e a fará conduzir, bem como o estrume. E ainda riscará e armará e encanteirará com grama as diferentes banquetas e canteiros, cavando pelo menos três palmos de profundidade para encher com boa terra, dependente da natureza e tamanho das plantas”.

No jardim encontra-se hoje plantadas diversas árvores exóticas tais como: ciprestes indostânicos, pândamos da África, palmeiras da Austrália, árvores de incenso, bananeiras de Madagascar, jaqueiras, ingás, cedros e magnólias.

O jardim possuía quatro fontes, entre elas a fonte do sapo, próxima ao morro do Palácio, aonde as pessoas iam pegar água, pois considerável a água do imperador a melhor para beber.  Ainda no jardim tinham alguns pedestais com estatuas de figuras mitológicas e ao fundo no jardim perto do muro uma fonte aonde uma figura mitológica deixava cair água de uma cornucópia apoiada no ombro. Também possuía um pavilhão com balanço para as princesas quando crianças brincarem. E em meio às árvores Pedro II mandou construir um viveiro com diversos pássaros raros, que o próprio imperador cuidava, sendo um dos seus hobbies.

Esse era o Palácio Imperial de Petrópolis que anos depois da família imperial partir para o exílio abrigou dois colégios: Notre Dame de Sion de 1892 a 1907 e São Vicente de Paula de 1910 a 1938. E em 1940 foi adquirido pelo Governo Federal para ali ser instalado o Museu Imperial.

 



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