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  Colunistas
Frederico Amaro Haack
COLUNISTA

 

 

 A BATALHA DE TUIUTI E PETRÓPOLIS.

A Batalha de Tuiuti ou Primeira Batalha de Tuiuti é considerada a maior e mais sangrenta batalha campal de toda a Guerra do Paraguai e do continente sul-americano, na qual envolveu cerca de 55 mil soldados. Foi travada no dia 24 de maio de 1866, em uma região pantanosa, arenosa e de difícil locomoção chamada Tuyutí, no sudoeste do Paraguai.

Durante o avanço para o interior do Paraguai, as forças aliadas acamparam em uma área muito pequena em comparação com o número de soldados de suas fileiras, que somavam 32 mil homens assentados em um espaço de quatro quilômetros de comprimento por 2,4 de largura de terra seca, e assim encontravam-se particularmente concentradas em uma mesma área. Além disso, sem ter conhecimento da região ou mapas adequados, os aliados se encontravam diante de formidáveis posições defensivas paraguaias, como a trincheira do Sauce que possuía mais de três mil homens e diversos canhões à sua disposição. Apesar da fragilidade da situação aliada, o marechal paraguaio Francisco Solano López optou por atacar os aliados com um plano considerado inovador, usando a cavalaria como ponta de lança, em um período em que esta era usada no fim da batalha. As forças empregadas por López somavam 24 mil soldados, divididos em quatro colunas, que atacaram pelo centro e pelos flancos do acampamento aliado. Em um primeiro momento, as forças paraguaias obtiveram êxito ao aniquilarem alguns batalhões aliados inteiros. Embora esse ataque paraguaio tenha sido bem planejado, ele não foi corretamente executado. Além de atrasos em iniciar o ataque, ele não contou com um comando unificado e muitos generais agiram sozinhos no calor da batalha. Adicionalmente, o plano não previa um objetivo claro sobre onde os soldados deveriam convergir, e não se distribuiu corretamente as armas do exército, com colunas com sobras de cavalaria e pobres em infantaria, e vice-versa.

As forças aliadas foram pegas completamente de surpresa, pois não esperavam um ataque em uma região que favorecia a defesa. Contudo, apesar da confusão que se instalou no acampamento e das grandes perdas que sofreram, as tropas da tríplice aliança conseguiram resistir e contra-atacar os paraguaios, fazendo valer a sua superioridade numérica e sua poderosa artilharia. Destacou-se o general Manuel Luís Osório, o futuro Marquês do Herval, que no desenrolar da batalha assumiu o posto de comandante-em-chefe e reorganizou as fileiras em fuga, conduzindo-as à vitória. Adicionalmente, ele enviou tropas a pontos que estavam quebrando e sacrificou outros para impedir que os paraguaios flanqueassem e cercassem o acampamento.

Após cinco horas de combate, as forças paraguaias se retiraram do campo de batalha, sofrendo uma amarga derrota que incluiu treze mil baixas, contra cerca de quatro mil dos aliados. Após a batalha, muitos oficiais e soldados criticaram o fato de os aliados não terem perseguidos os paraguaios na sequência do confronto, o que poderia ter aumentado as baixas inimigas devido à dificuldade que eles enfrentavam de se refazer se reorganizar, a voltar a si após tamanha perda. Em resposta, o alto comando atribuiu sua decisão à indisponibilidade de cavalaria e de outros meios de mobilidade para o exército argentino, e à deficiência de víveres. Pelas próximas quatro décadas, esse episódio seria comemorado como a principal atuação do Exército Imperial Brasileiro e depois do Exército Brasileiro. Os comandantes como Osório, Antônio de Sampaio e Emílio Mallet, seriam feitos seus patronos. Por muitos anos, na data de 24 de maio seria comemorado o Dia do Exército.

E o que essa batalha tem haver com Petrópolis, vamos descobrir agora...

O “Caminho da Caixa D’água” dos tempos imperiais, que cortava o “Morro do Estado”. No alto dele estava a mina e o depósito de água que abastecia o Quarteirão Vila Imperial, através de chafarizes, um no largo de Dom Affonso (Praça da Liberdade) e outro na Praça Municipal (Praça Visconde de Mauá). O morro começou a ser povoado nos primeiros anos da República, ainda no século XIX. Pode-se, como alguma certeza, dizer que a abolição da escravatura proporcionou que ex-cativos, empregados em trabalhos domésticos nas residências da elite imperial/republicana de Petrópolis tenham se estabelecido nas fraldas do morro dito “do Estado”, portanto terras públicas, e desse modo permanecerem próximos a seus antigos donos, continuando a prestar-lhes serviços, agora “mal-remunerados” e sem casa e comida.

De casas humildes esparsas, até ao alvorecer do século XX, gradativamente, o morro foi sendo povoado por constantes levas de migrantes, notadamente mineiros e alguns retirantes nordestinos. Por esse tempo recebe, espontaneamente, a rua principal a denominação de 24 de Maio. Possível é que esta denominação tenha sido dada durante o período em que Petrópolis foi capital do estado, portanto uma Lei ou Decreto Estadual o tenha feito, porém, tal ato, se ocorreu, se perdeu pelos meandros burocráticos estaduais. De um lado e de outro desta rua surge um sem-número de servidões, travessas e vielas, produto de invasões, grilagens ou loteamentos suspeitos.

Caminho íngreme e retorcido, a 24 de Maio abriga o povo humilde que encontrava trabalho, para seu sustento, no centro da cidade: em casas de família, na construção civil e no comércio. Com a sua maioria de moradores negros fez surgir, desde os primeiros tempos, rodas de batuque, ranchos e blocos de carnaval. Em 1926 já se tem notícia da existência do bloco carnavalesco “Flor Mimosa”. Significativamente, a Delegacia Policial se instala na entrada da rua em 1948 e em 1956, justo em 12 de agosto, se inaugura a torre de “Rádiopatrulha” no alto do morro, ainda chamado por alguns de “Morro do Estado”.

No mesmo ano, alguns meses antes, a 4 de janeiro, uma pelada de garotos faz com que uma bolada atinja a Sra. Odília Costa, que se queixa à polícia. Também em 1956, exatamente a 24 de maio, se funda o Grêmio Recreativo e Escola de Samba Unidos da 24 de Maio e que se torna a primeira escola de samba da cidade e futura maior vencedora do concurso de carnaval.

A violência, fruto de problemas sociais, é mais estereotipada do que real, porém, de todo modo, existente, como exemplo: às vinte horas de 23 de março de 1957, João da Silva, conhecido por João Charuto, residente no número 707 da Rua 24 de Maio, “abateu a tiros de garrucha à senhora Maria Rosa Pereira da Silva, de trinta e dois anos. O disparo foi ouvido na delegacia e o subinspetor José F. Bastos logo compareceu ao local, porém o agressor fugiu. Constatou-se, entretanto, que o autor do crime estava embriagado e havia detonado a arma para o chão, porém o projétil ricocheteou e atingiu a infeliz senhora”, uma das primeiras, hoje tão comuns balas perdidas

O temporal de 12 de janeiro de 1966 destruiu as residências de números 350 e 350 D e S, onde residiam as famílias dos senhores Reinaldo Silva, Geraldo de Souza Ribeiro e Raimundo Alves, respectivamente, sem vítimas fatais. Umas das muitas tragédias que se abateram sobre o morro em vários verões. Muitas fugas de presos colocaram em polvorosa o morro, mas a maior fuga se deu a 9 de maio de 1994, quando sessenta e um presos escaparam do xadrez. O morro foi cercado, como sempre.

As chuvas de todos os verões trouxeram ainda muitos desabrigados, de outras montanhas, o que agravou ainda mais o problema de moradias e a infraestrutura urbana da 24 de Maio.

 



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