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  Colunistas
Frederico Amaro Haack
COLUNISTA

 

 

O INÍCIO DA PRODUÇÃO DE CAFÉ NO SEGUNDO REINADO.

A organização das fazendas de café no Vale do Paraíba e em Minas Gerais defrontou com a falta de mão de obra. Inicialmente era empregado escravos das antigas áreas de mineração e das lavouras tradicionais da região. No entanto, a ampliação dos cafezais aumentou a necessidade de trabalhadores de tal forma, que nem mesmo o deslocamento de escravos das grandes propriedades do nordeste estagnadas conseguiu suprir.

A solução seria comprar escravos do exterior, mas os ingleses, de quem o Brasil era dependente econômico, faziam pressões para eliminar o tráfico negreiro. Em 1807, a Grã-Bretanha o proibiu em suas colônias nas Antilhas e, em 1833, aboliu definitivamente o trabalho escravo em seus territórios.

Assim, devido ao custo do trabalho assalariado, os produtos das Antilhas inglesas ficaram em desvantagem na concorrência internacional com os produtos dos países que ainda usavam da mão de obra escrava. Os proprietários antilhanos passaram a pressionar o Parlamento inglês para lançar uma campanha antiescravista em nível mundial, apoiados pela burguesia inglesa, que, com o aumento de assalariados nos países agrícolas, esperava ampliar os mercados consumidores para os seus produtos industrializados.

O Brasil adiou por diversas vezes a extinção do tráfico. Em 1810, havia firmado com a Inglaterra o Tratado de Aliança e Amizade, que exigia a extinção lenta do tráfico. Não cumprindo, o acordo, em 1827, sob um novo tratado, nosso país se comprometia a extinguir o tráfico até 1830, o então ministro da Justiça, padre Feijó, decretou o fim do tráfico. A lei, entretanto, nunca foi colocada em prática.

Diante de tantas promessas não cumpridas, e principalmente em represália à tarifa Alves Branco (1844), que elevou as taxas alfandegárias no Brasil, os ingleses instituíram, o Bill Aberdeen, decreto através do qual a Inglaterra se outorgava de aprisionar qualquer navio negreiro, independentemente de sua bandeira, e julgar os traficantes. Essa medida, porém, além de não diminuir o comércio de escravos negros, aumentou sensivelmente seu preço.

Finalmente, em 1850, o Brasil cedeu às pressões inglesa e promulgou a Lei Eusébio de Queiroz, extinguindo definitivamente o tráfico. A partir de então, as soluções para a falta de mão de obra na lavoura cafeeira apoiaram-se no incentivo a imigração.

As primeiras tentativas nesse sentido estão ligadas ao nome do senador Nicolau Pereira Campos Vergueiro, que incentivo a vinda de 80 famílias de germânicos para sua fazenda de Ibicada, em São Paulo, contratadas para trabalhar no sistema de parceira. A firma Vergueiro & Cia. Financiava a vinda dos imigrantes que já chegavam ao Brasil endividados pelos custos da viagem, transporte para o local de trabalho, compra de ferramentas e manutenção até a época da colheita. Essa dívidas, eram pagas com empréstimos a juros de 6% a 12% ao mês. Além disso, os colonos eram obrigados a comprar mantimentos nos armazéns da fazenda, a preços mais altos do que o normal.

Em pouco tempo as dívidas forçavam o imigrante a se sujeitar a um regime de semi-escravidão. Em 1867, os colonos de Ibicada se revoltaram, fato que teve repercussão internacional, levando as autoridades germânicas a proibir a imigração para o Brasil.

Fracassando o sistema de parceria, os fazendeiros passaram a pagar ou um preço fixo por alqueire trabalhado, ou uma remuneração fixa mensal: começava assim o trabalho assalariado no Brasil.

Os capitais necessários a implantação da lavoura cafeeira vieram de diversas fontes. Durante o século XVIII e início do XIX se processou uma acumulação de recursos no Vale do Paraíba. As lavouras de produção de alimentos cresceram, fornecendo produtos para a região mineradora e para o Rio de Janeiro.

No início do século XIX a região possuía animais de transportes, e escravos, fundamentais para o início da lavoura cafeeira, garantindo a organização e expansão das fazendas de café, apesar da crise econômica que se passava pelo Império.

Em São Paulo, a produção açucareira do final do século XVIII, acumulou recursos que, posteriormente, foram empregados na cafeicultura. A fazenda de café, ao contrário dos engenho de açúcar, tinha uma estrutura muito simples, facilitando assim sua montagem. Vencidas as dificuldades de mão de obra e investimento, o café dinamizou a economia brasileira.

 

 



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