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  Colunistas
Frederico Amaro Haack
COLUNISTA

 

 
RUA MARECHAL DEODORO
Sua denominação anterior era Rua Princesa Dona Januária, modificada pela proposta da Câmara Municipal em 5 de dezembro de 1889. Inicia-se na Praça Dr. Sá Earp Filho e tem o seu final na Rua Aureliano Coutinho.

Manuel Deodoro da Fonseca (1827-1892), militar, o “Proclamador da República”, recebeu a homenagem da Câmara Municipal, ainda em vida, vinte dias após a República. Certamente o primeiro logradouro do Quarteirão Vila Imperial, pois a sua margem se erguia o prédio-sede da Fazenda do Córrego Seco, portanto anterior a 1845. A rua que seria de Dona Januária já estava traçada do Quarteirão Vila Imperial à Quarteirão Vila Thereza, ponto terminal dos carros da Serra, formando com o Hotel de Bragança e os Quartéis da Colônia, o primeiro centro da cidade. Até a construção do Palácio Imperial, o imperador, quando em visita à Colônia de Petrópolis, instalava-se na sede da fazenda, na Rua de Dona Januária, como ocorreu em 8 de outubro de 1847. Em 1858, quase na esquina com a Rua do Imperador, no nº 5, estava o Armarinho do português Jacinto, vizinho a este a Estação de Carros da Serra, construção acanhada, de madeira e zinco, depois ainda o prédio da Fazenda do Córrego Seco. Do outro lado, após a lateral dos barracões do Quartel da Colônia, desde 1853, estava a Padaria Francesa nos nºs 19 e 21, depois Padaria das Famílias até 1978. Vizinho à padaria estava uma cocheira, que em 1858 vendia cavalos. A 27 de maio de 1858, ladrões visitam a Estação de Carros da Serra, porém não encontraram dinheiro, não foram notados, mesmo com a proximidade da Polícia, que se estabelecia nos Quartéis da Colônia, pois ainda não existia nenhum tipo de iluminação pública, o que a população, principalmente a elite do Quarteirão Vila Imperial e adjacências reclamavam junto à Diretoria da Colônia e tinham esperança que se resolvesse com a instalação da nova Câmara Municipal, em 1859. A sede da Fazenda do Córrego Seco transformou-se em Hotel MacDovel em 1874, depois Hotel Inglês e ainda Pensão Geoffroy até a demolição do prédio, em 1942. Por alguns anos foi um terreno vazio e baldio, um pena mesmo sua demolição e principalmente por ter ocorrido tão próximo das comemorações do centenário da cidade.

Na virada do século XIX para o século XX, no nº 5 estava um brechó pertencente ao cidadão israelita Bernard H. Wellische, e residia no nº 24 da Rua Marechal Deodoro o Dr. Laurent Barragat e era sua vizinha a baronesa do Bonfim. A Primeira Igreja Metodista foi erguida em 1920 e demolida em 1990 para construção de um novo templo. O antigo prédio do Sindicato dos Têxteis, desde a década de 1920, era a casa da baronesa do Bonfim. Ao lado, a Casa do Dr. Barragat se transformou em um colégio tradicional da cidade, ambas demolidas deram lugar a altos prédios na década de 1980. Em 1935, no Sindicato dos Têxteis, também estava a sede da Aliança Libertadora Nacional (ALN) que, em 17 de junho deste ano foi interditado e depredado, por forças policiais e militares, em represaria à morte de um policial no Morin, em confronto com grevistas. Foi reaberto no dia seguinte por ordem judicial, às 16 horas. Tudo estava destruído: móveis, retratos e inclusive as bandeiras do Sindicato e do Brasil. Neste dia os cinemas da cidade exibiam: o Petrópolis – “A Batalha” – com Charles Boyer e Annabella; o Capitólio – “Noites Moscovitas” - com Harry Bauer e “Annabella”; o Dom Pedro – “Imitação da Vida” – com Claudette Colbert.

O terreno da demolida sede da Fazenda do Córrego Seco ficou durante muitos anos vazio, sendo utilizado para instalação de parques de diversões e circos em visita à cidade, até que, adquirido por um empreiteiro, ali foi erguido o Edifício Pio XII, em 1958. Durante sua construção, mais precisamente em 17 de setembro de 1957, caiu do andaime, da altura do oitavo andar e faleceu o operário Dionízio Januário de Mello, de trinta anos. Tristemente famoso também ficou o edifício ao lado deste, que abriga uma instituição financeira: muitos suicídios foram cometidos desde suas janelas, em saltos para a morte.

Ao início do século XXI a rua ainda possui o prédio da Companhia Telefônica de 1933 e a lateral do antigo prédio-sede do Banco Construtor do Brasil, de 1895, que hoje abriga repartições da justiça, depois de ter abrigado diversas secretarias municipais. É tudo o que escapou à verticalização desenfreada.

 

 

 



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