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  Colunistas
Frederico Amaro Haack
COLUNISTA

 

 

A TORRE DA IGREJA LUTERANA DE PETRÓPOLIS.

Para quem não sabe na rua Ipiranga existe uma igreja evangélica, o templo religioso mais antigo de antigo da cidade de Petrópolis, a Igreja Luterana.

Durante o período imperial por determinação da constitucional de 1824, os templos religiosos não-católicos eram proibidos de terem ornamentação exterior, devido a religião oficial do império brasileiro ser a Católica, que vem do latim que quer dizer “Universal”. Só em 1890, com a proclamação da República, os templos de outras religiosos receberam a permissão de ostentarem ornamentação especifica de suas crenças.

Vejam bem a Igreja luterana data de 1846 e somente em 1903, obteve a devida autorização para edificar a sua torre com sino. Para entendermos o fato segue a notícia da inauguração da Torre publicada no Jornal Tribuna de Petrópolis em 23 de junho de 1903:

“A torre evangelica.

 Nun danket alle Gott! eis o titulo do bello choral entoado antehontem no templo evangelico desta cidade em louvor ao Creador por centenares de pessoas, que ahi foram assisitir ao solemne culto divino celebrado em commemoração da inauguração da bella obra, que honra não só á Communidade Evangelica côo a todos aquelles que, com seus obulo, sem distinção de crença, concorreram directam ou indirectamente para a elevação de tão imponente monumento em gloria do Altissimo.

 O auspicioso facto causou geraes alegrias no seio dos habitantes desta cidade que, em demonstração de seu jubilo, correram em massa á assistir as festas ceçlebradas antehontem no magestoso templo que se ergue na avenida Ypiranga, em honra de Deus.

 E se nestas linhas descrevemos o que presenciamos na festa, justo se torna não esquecer, que, por entre nanifestaçoes de prazer e jubilo o nobre sentimento de gratidão não deixou também de ser manifestado.

 Gustavo Geisler, o modesto e digno sacerdote, della se tornou credor e por isso tivemos occasião de ouvir os unânimes louvores e o profundo reconhecimento tecidos aquelle que, como bom pastor, soube congregar elementos que compõem a Communidade  Evangelica desta cidade e no seio da qual se tornou um benemérito, e por isso alvo de geraes symtapathias e affectos.

 Passaremos agora a descrever as soleminidades que tiveram por assistentes milhares de pessoas de todas as classes sociais.

 - Sabbado, ás 6 horas da tarde, ao som de varios choraes, entre os quaes o Nun dankt alle Gott, tocados do alto da torre que se achava embandeirada, repicaram os tres sinos annunciando a sua inauguração e a do novo edifício, sendo soltadas nesta ocasião innumeras gyrandolas.

 - Domingo, o verdadeiro dia da festa, ás 10 horas da manhã realizou se no templo solemne culto divino.

 Ao contrario dos outros dias, o interior do edifício achava-se decorado com simplicidade.

 Palmas, camélias e outras flores naturaes ornavam o altar, o púlpito e a pia baptismal, vendo-se tambem sobre os dous primeiros ricos tapetes de velludo bordados a ouro, sendo estes enfeites collocados por diversas senhoras da commissão de festejos.

 Officiaram os illustres pastores Gustavo Geisler, dr. Gruel e Zink, tendo estes últimos chegado expressamente da Capital Federal e de Juiz de Fóra, para tomar parte da ceremonia.

 Após os cantos entoados pela Communidade e acompanhados ao órgão pelo sr. F. Standacher, assomou ao púlpito o sr. pastor dr. Gruel que, durante uma hora seguramente prendeu attenção do auditorio, pronunciando notável sermão.

 Em seguida, os pastores Zink e Geisler proferiam diversas orações.

 Gentilmente tomaram parte na solemnidade o coro mixto, composto de distictas damas e cavalheiros, e o corpo de cantores do Sangerbund Eintracht, este sob a direção do venerando professor Friedrich Stroele.

 Antes de findar a ceremonia o sr. pastor Geisler pronunciou palavras de agradecimento a todos que cooperaram para a construcção da torre, assim como ás pessoas e corporações que assistiram á festa.

 Entre as pessoas presentes, notamos, além de representantes de toas as classes, os srs dr. Hermogenio Pereira da Silva, presidente da Camara Municipal, que com os vereadores dr. Barros Franco Junior e coronel José Land, representou a mesma corporação, dr. Hainel, secretrio da legção allemão, plo respectivo ministro von Treuther, e commissões da Guarda Nacional, do Deustescher Verein, Cecilie Verein, Harmonie Mozerthal, Bruderbund, Turverein Petropolis e Sangerbund Eintrancht, que compareceu incorporada e com seu estandarte.

 Da imprensa compareceram os sr. Edmundo Hees pelo Nacrichten e um dos redactores desta folhas.

 - Ás 3 horas da tarde teve inicio a grande festa popular no Salão Floresta.

 A conforme noticiamos esta festividade constou de leilão de prendas Kermesse e sorteio de 400 prendas, entre os quaes figuravam objetos de arte e de valor, e isto em numero considerável.

 Foram tambem vendidos durante a festa innumeros exemplares da photografia da torre e as medalhas commemorativas, cunhadas pela antiga e conhecida casa Rittmeyer. Umagentil commissão de senhoras e senhoritas, cujos esforços em prol do êxito da festa foram extraordinários, vendia flores, tirava espórtulas em salvas e apurava por outros meios donativos para auxiliar a nobre idéa.

 O baile, durante o qual tocou a banda de musica Filhos do Euterpe, esteve animadíssimo, se bem que a compacta multidão alli reunida difficultasse um tanto as dansas.

 Na melhor ordem e sem que houvesse um incidente que pertubasse a harmonia, que reinou de principio a fim, terminou ás 3 horas da manhã.

 - Á 1 hora da tarde, realizou-se no Hotel Rio de Janeiro um banquete offerecidoaos srs. Pastore Gustavo Geisler, dr. Gruel e Zink pela commissão de festejos, tomando parte nelle varios cavalheiros e senhoras.

 Os brindes de honra foram levantados pelos srs. Hainel, secretario da legação allemã, ao imperador Guilherme II e major Carlos Hamann ao sr. dr. Rorigues Alves, presidente da Republica Brazileira.

 - Encerrando aqui a esta noticia resta-nos saudar á commissão de senhoras, senhoritas e cavalheiros pelo brilhantismo de todo festival.”

 



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