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  Colunistas
Gastão Reis
COLUNISTA

                            PEDRO II: UM SÉCULO À FRENTE EM EDUCAÇÃO
                                                                                                                                                             

             A luz da estrela Pedro II continua a brilhar no espaço sideral e atinge o Brasil ainda hoje, mais de um século depois de nos deixar fisicamente. Mas seu espírito, traduzido em versos seus, nos diz que “Sereno, aguardarei no meu jazigo / A justiça de Deus na voz da História”. Aos poucos, essa voz está se fazendo ouvir aos Brasileiros, com B maiúsculo, como ele gostava de grafar nos Conselhos à Regente, a Princesa Isabel. Neste documento, ele se esmerava em prepará-la para conduzir o Terceiro Reinado. Mais ainda: sabedor de que a prática da Chefia de Estado era fundamental, fez três viagens ao exterior, deixando-a como Regente por um período total de quase quatro anos, um  período presidencial atual. Teoria e prática reunidas. Isabel, entre outras medidas importantes, não só assinou a Lei Áurea como a do Ventre Livre.
          Causou um clima de indignação quando o governo afirmou que faria um corte de 30% nas verbas de três universidades públicas: Universidade de Brasília - UnB, Universidade Federal da Bahia – UFBA e na Universidade Federal Fluminense - UFF. Elas foram acusadas de baixo desempenho e de realizar atividades no campus que fogem às finalidades do ensino superior.   Examinemos a questão com a cabeça fria sem os emocionalismos habituais.
        Em primeiro lugar, não se trata propriamente de um corte, mas de destinação desse significativo percentual para outras áreas ligadas à educação, que têm sido descuidadas, como as creches, cujo déficit preocupa. E não são apenas essas três universidades. Vale para todas. O corte só ocorrerá no segundo semestre deste ano, após uma avalição que levará em conta o número de publicações científicas, prestação de contas em dia e posição no ranking de avaliação de desempenho das universidades. Estes indicadores terão a função de calibrar o percentual de corte da cada uma, que pode ser inferior a 30%.

        Outro aspecto crítico é a questão do analfabetismo funcional entre universitários brasileiros, que monta a 38%. Estudantes que não conseguem entender o que estão lendo, que são incapazes de redigir um bom texto e que titubeiam na hora de fazer contas. Trata-se de um monumental desperdício, agravado pelo fato de o governo realizar um gasto per capita muito maior com universitários do que com alunos do ensino fundamental e médio. Nos EUA e na Europa, ocorre o inverso. E a razão é simples: formar cidadãos capazes de ler, escrever e fazer contas com proficiência a partir de um ensino público de excelente qualidade. Gastos nessa direção atendem ao bem comum.

É aqui que a clarividência de Pedro II estava à frente há mais de um século.

O ensino público na cidade de Rio de Janeiro era obrigação do governo central

 do Império. Em 1844, nos informa o historiador Max Fleiuss, existiam no Rio de Janeiro 16 escolas públicas e 34 particulares. Em 1860, em apenas 16 anos, elas saltaram para 3516 escolas públicas e, em 1889, ano da suposta proclamação da república, já eram 7500. Basta dizer que, neste ano, 50% da população do Rio de Janeiro era funcionalmente alfabetizada dada a qualidade do ensino oferecido. Pesquisas internacionais comprovam que a taxa de retorno social de aplicar recursos no ensino básico é bem mais elevada do que no em-sino superior. Em 1889, a remuneração dos professores era o triplo da de hoje.

       Finalmente, a crítica pelo fato de o Brasil só ter tido universidades muito depois dos países de língua espanhola nas Américas. Neles, foram criadas universidades ainda no século XVI. O que não se diz é que universidades naquela época consistiam basicamente de cursos de Direito, Engenharia e Medicina. Estes cursos foram implantados no Brasil por volta de 1800, e  compunham desse modo uma universidade ainda que não localizados todos no mesmo lugar. Sem dúvida que demorou, mas não vieram com as falhas de baixa qualidade tão evidentes como as de hoje em que quase 40% de nossos universitários não têm condições intelectuais de frequentar faculdades. Pena que a sabedoria de Pedro II não foi levada a sério, pois a base que nos deixou teria permitido montar um ensino superior de excelente qualidade. Ainda hoje, 2019, gastamos R$ 903 bilhões com Previdência e Assistência contra apenas 132 bilhões em Educação. É como premiar o passado e matar o futuro. A Reforma da Previdência é crítica para reverter este quadro, cortando privilégios.          

      

Autor: Gastão Reis Rodrigues Pereira                              

Empresário e economista                                                     .                           

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