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  Colunistas
Gastão Reis
COLUNISTA

 

UBER, TAXISTAS E POLÍTICOS                                                                                                                                                                                                                                            
                                    Nos tempos em que vivia no Rio de Janeiro, na década de 1980, eu morava em Santa Teresa. Meu apartamento era numa encosta, no último andar, e tinha uma vista deslumbrante: mar, Cristo Redentor e Pão de Açúcar. Até aqui, parece mesmo uma visão do paraíso.  A via crucis era ter que tomar um táxi no centro da cidade, e dizer ao motorista para tocar para Santa Teresa. Após diversas recusas sistemáticas, passei a dar o roteiro a prestações, de tal forma que quando ele se desse conta já estava subindo, a contragosto inevitável, para o fatídico destino. Na época, o tratamento em geral dos taxistas aos passageiros estava longe de ser um primor de educação e solicitude.

          Muitos anos depois, já neste terceiro milênio, surgiu uma invenção disruptiva chamada Uber. Um programa de computador que transformou seu criador no dono da maior frota de taxis do mundo sem que fosse o proprietário de nenhum deles. E foi assim que teve início um programa salutar de reeducação de taxistas no trato dos passageiros no dia a dia. A mãe do milagre não foi Santa Teresa, mas outra chamada Santa Concorrência, de quem Adam Smith era devoto fervoroso antes mesmo de 1776, ano em que publicou A Riqueza das Nações, livro que fundou a ciência econômica moderna.

           Tudo isso me veio à mente e ao coração quando comecei a avaliar em detalhes as vantagens e novidades introduzidas pelo Uber, que a rigor nada mais é do que um programa de computador. Vamos a elas.

           A primeira é a facilidade com que podemos chamar um veículo que vai nos levar aonde queremos através de nosso celular. Um recurso que praticamente não discrimina ninguém em função de seu preço acessível. O acesso aos smartphones já é praticamente universal. Você sabe, em minutos, o nome do motorista, a placa e o modelo do carro, de quem vai levá-lo aonde quer ir. Na mesma tela, é possível tomar conhecimento das opções de preço e veículos à sua disposição. Basta escolher. Como é pago via cartão, crédito ou débito, não existe problema de troco ao chegar ao destino. É só saltar.

          A segunda é que o motorista sabe que vai ser avaliado no fim da corrida, em que ele recebe uma nota. Pode também ser objeto de qualquer reclamação que o passageiro queira fazer. Dependendo da pontuação recebida, ele pode até ser impedido de continuar a fazer uso do Uber. Saber que está sendo monitorado levou a uma mudança radical do motorista no tratamento que ele passou a dar ao passageiro. A gentileza passou a fazer parte do pacote de bondades de que somos alvos. Ajudar a colocar sua bagagem na mala do carro é uma delas, bem como ajudar idosos a entrar no carro quando necessário.     

           A terceira é que isso nos permite constatar a importância do sistema de incentivos e punições que está por trás do programa. Vale notar que, num curto período de tempo, houve melhoras radicais, inclusive no comportamento dos motoristas de táxis quando se deram conta da concorrência que tinham de enfrentar ou morrer. O ser humano é o mesmo, mas suas atitudes mudaram da água para o vinho até mesmo por razões de sobrevivência. Em outros aplicativos, um taxi tradicional também pode fazer uma corrida.

           Não é preciso muita imaginação para antever o que uma  reforma ao estilo Uber poderia provocar no comportamento dos políticos do Patropi. Curiosamente, a receita já existe há séculos, mas o Brasil, desde 1889, a jogou na lata do lixo. Eu me refiro ao voto distrital puro com recall, ou seja, restabelecer a boa tradição de fazer com que os parlamentares (vereadores, deputados estaduais e federais) prestem contas mensalmente a seus eleitores em seus distritos eleitorais. Mais ainda: que possam ser substituídos por outro representante em eleição exclusiva  em seu próprio distrito eleitoral.

            É fácil prever uma mudança rápida de comportamento dos políticos ao se  darem conta de que as rédeas passaram a estar nas mãos dos eleitores. Não haverá mais como manipulá-los, dando as caras apenas a cada quatro anos na eleição seguinte. Essa é a reforma política fundamental de que tanto necessitamos. A boa notícia é que já existe uma comissão na Câmara Federal cuidando dessa reforma. E quem a preside tem plena consciência desse ponto central. Nesse meio tempo, temos que nos manter alertas e ir para as ruas, sempre que necessário, para evitar que os velhos vícios nos façam de bobos.

 

Autor: Gastão Reis Rodrigues Pereira                               

Empresário e economista                                                     .                          

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