Edição anterior (1560):
domingo, 17 de fevereiro de 2019
Ed. 1560:

Capa

Compartilhe:

Voltar:

HOJE

Edição anterior (1560): domingo, 17 de fevereiro de 2019

Ed.1560:

Compartilhe:

Voltar:


  Colunistas
Gilberto Pinheiro
COLUNISTA

 

 

FARRA DO BOI - APESAR DE PROIBIDA, DESAFIA A LEI
A nefasta e insana cultura açoriana permanece no Estado de Santa Catarina, agredindo a decisão do STF.


O tempo passa e algumas "culturas" permanecem vivas, como a miasmática Farra do Boi, em detrimento da vida dos bovinos, subjugados à crueldade, pelo simples "prazer" que alguns sentem em maltratar estes infelizes e indefesos animais.   Esta  primitiva cultura advém do século XVIII, quando açorianos migraram para o Brasil nos idos de 1748 a 1756, estabelecendo-se em regiões de Santa Catarina  e, durante a Semana Santa, soltavam os bois nas ruas, machucando-os de todas as formas possíveis, perseguindo-os, arrancando-lhes o rabo, furando-lhes os olhos e, depois de exaustos e combalidos, sem forças para correr, eram mortos com requintes de crueldade.  Era uma espécie de festa, ou seja, "malhação de Judas".  Pobres animais, vitimados pela agressividade humana gratuita e selvagem.  Como é possível isso?  A estupidez tem for ça na alma de pessoas de instinto primitivo e a farra do boi, apesar de proibida,  ainda persiste, desafiando as leis protetivas aos animais.

MANIFESTAÇÃO DO PRESIDENTE DO STF EM 1997 SOBRE A FARRA DO BOI
STF decide por unanimidade que a farra do boi é crime e tem caráter irrevogável. 

Em pleno terceiro milênio ainda possuímos raízes culturais que definham a sensatez, agridem o bom senso, verdadeira indigência da alma que envergonha a espécie humana e a razão da própria vida.  Estes sádicos e criminosos não respeitam a vida existente dos animais, a senciência deles e descarregam suas frustrações, suas derrotas   e pobreza de espíritos  nos indefesos bovinos, na verdade,  uma falsa e mesquinha alegria compartilhada entre adultos e jovens.  A involução  humana, realmente, ofende a dignidade, subjugando os animais, afrontando a decisão do STF - Supremo Tribunal Federal que, em 1997, através do presidente desta Corte, ministro Francisco Rezek, assim se pronunciou:  "  NÃO posso ver como juridicamente correta a ideia de que em prática dessa natureza a Constituição não & eacute; alvejada.  NÃO há aqui uma manifestação cultural, com abusos avulsos -  há uma prática abertamente violenta e cruel para com os animais e a Constituição não deseja isso".

À luz dos fatos, a turma por maioria entendeu que a referida manifestação popular, ao submeter os animais à crueldade, ofende o art.225/88 1º / VII.
Acrescenta-se que, tomando como base tal jurisprudência, as demais manifestações ditas "culturais" como rodeios, vaquejadas que submetam os animais ao sofrimento e crueldade, ofendem a Constituição Federal, conforme explicitado no citado artigo e alínea.  Não se pode mais tergiversar a verdade!    Farra do boi é CRIME e assim precisa ser entendido pelas autoridades, punindo os criminosos legalmente.

CONFUNDE-SE CULTURA COM CRUELDADE ANIMAL
Por maldade ou ignorância tentam tangenciar a diferença existente entre os artigos 215 e 225 da CF/88, confundindo incautos

Os defensores desta fétida cultura, por maldade ou ignorância, tentam confundir incautos para a prática desta violência.   Com raciocínio pálido e alma doentia, citam que o artigo 215 da Constituição Federal garante-lhes o direito ao divertimento, resguardando as manifestações da cultura popular.  Todavia, não citam o artigo 225 que protege os animais da submissão à crueldade,  impedindo, por sua vez, o exercício de espetáculos públicos que expõem  estes seres vivos e sencientes ao horror e lancinantes dores, causadas pela estupidez humana.  Isso não é cultura - é doença da alma, provavelmente, psicopatia.   A maldade quando se manifesta, torna o ser humano um sujeito rude, bruto, primitivo,  o pior animal existente na Terra.  Como é possível em pleno terceiro milênio algu&e acute;m deleitar-se com o sofrimento de um bovino que sofre exatamente como todos nós?  Que tipo de gente é esta que depois, como se nada de errado tivesse existido, pede a Deus proteção à sua vida e, muitas vezes, frequenta templo religioso?  Que absurdo e paradoxo, não é mesmo?

E-MAILS QUE RECEBO DE ATIVISTAS DE SANTA CATARINA, COLOCANDO-ME A PAR DA CONTINUIDADE DA FARRA DO BOI
A perplexidade se faz presente, uma vez que os criminosos desrespeitam a decisão do STF

Um deboche ou acinte à sensatez, desrespeitando a legislação vigente, acreditando na impunidade.  O cinismo dos praticantes da farra do boi mostra o tipo de gente que ele são, os valores inferiores que abraçam.
Tenho recebido reiterados e-mails de ativistas na defesa dos animais de Santa Catarina, indignados e perplexos, reclamando da continuidade desta infame cultura, proibida pelo STF que ainda não teve seu fim.  É impressionante como se desafia a lei e tudo passa incólume.   Por isso, acionei o Ministério Público local pedindo enérgicas providências e recebi a seguinte resposta e número do protocolo:  Prezado Senhor, cumprimentando-o cordialmente, informamos que a manifestação encaminhada por V.Sª foi  protocolizada nesta Ouvidoria, sob o nº 11.2019.0000 1880-8. 

Portanto, à luz de atos legais, estou fazendo a minha parte e acompanharei o desfecho para a punição deste abominável crime contra os bovinos neste Estado.  Segundo informações fiduciais, esta insanidade ocorre em 23  cidades do litoral catarinense e, pelo visto, assentaram-se na impunidade, cientes que as leis protetivas dos animais, como a 9605/98, artigo 32 é branda, não punindo rigorosamente como deveria punir.  Nos EUA se alguém matar um animal com requinte de crueldade é sumariamente condenado de 1 a 15 anos. Aqui, o máximo que ocorre é o pagamento de multa e prestação de algum serviço social. 

UMA VEZ MAIS DESTACO QUE É PRECISO EDUCAR

Em meus artigos, sempre destaco a importância da educação nas escolas em todos os níveis sobre a senciência e direitos dos animais como a solução para todos os problemas relacionados à maldade contra os animais.  Não há outro caminho senão conscientizar, alertar para modificar os mais importantes paradigmas em relação à vida de todos os animais em nosso país.  Não podemos mais conviver com a perversidade e ignorância de pessoas com índole má e inferior, movidas pelas piores idiossincrasias de suas almas doentias e corações covardes.  Chega de subjugar animais, fazendo deles o que bem entendem.   Um ser humano evoluído não age assim, não se sente feliz provocando sofrimento aos animais.  Enquanto não evoluir como um todo, será um pária na vida, sentindo prazer em ferir animais.

 Deveria, sinceramente, procurar um psiquiatra, pois a impressão que causa é psicopatia e psicopatas são perigosos para conviver até com a espécie humana.  Nós, que não somos doentes da alma, exigimos providências do Ministério Público, para pôr fim a esta insanidade trazida pelos açorianos séculos passados, criando raízes de insanidade e sadismo.  O bem não pode se submeter ao mal!  Ajamos, então, para colocar  um ponto final nesta atividade própria de pessoas inferiores e, possivelmente, mal-amadas.  .Na verdade, quem não tem compaixão pelos animais não pode ser boa pessoa. Ou estarei errado?    


Gilberto Pinheiro
jornalista, palestrante em escolas, universidades,
ex-consultor da CPDA-OAB-RJ, Comissão de Proteção
e Defesa dos Animais da Ordem dos Advogados e
também ex-articulista da AMAERJ - Associação dos Magistrados
do Estado do Rio de Janeiro destacando a senciência e direitos dos animais           

Somos o coração, a alma, a voz dos animais



Edição anterior (1560):
domingo, 17 de fevereiro de 2019
Ed. 1560:

Capa

Compartilhe:

Voltar:

HOJE

Edição anterior (1560): domingo, 17 de fevereiro de 2019

Ed.1560:

Compartilhe:

Voltar:








Rua Joaquim Moreira, 106
Centro – Petrópolis – RJ
Cep: 25600-000

ABRAJORI – Associação Brasileira dos Jornais do Interior