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  Saúde

Idosos sofrem mais no inverno

Dores nas articulações estão entre as queixas

Jaqueline Gomes

A estação mais fria do ano já chegou e as baixas temperaturas dos últimos dias já dão uma pequena mostra do que vem por aí. Não se pode negar que inverno tem o seu charme, os ambientes ficam mais aconchegantes e as roupas mais sofisticadas. Mas, para os idosos, que são os principais afetados pelas doenças típicas desta época, como a pneumonia, hipertensão arterial e as dores nas articulações que se agravam com o frio, esta estação é sinônimo de sofrimento. Isso, sem contar com o novo coronavírus, que vem causando problemas respiratórios graves e até a morte.

 

Doenças mais comuns da estação

Para o cardiologista Mário Fernandes, as doenças respiratórias e a hipertensão são os principais motivos de preocupação.

- Com as temperaturas baixas os idosos sofrem mais com os estados gripais que, se não forem bem cuidados podem evoluir para uma pneumonia, que é a doença que mais mata pessoas em idade avançada. Outra grande preocupação é que o frio causa um aumento da pressão arterial, que se não for controlada pode gerar um AVC (acidente vascular cerebral) - alerta o cardiologista.

Ele recomenda o consumo de alimentos quentes e o uso de lenços descartáveis.

- Os idosos devem se agasalhar bem, evitar correntes de ar e mudanças bruscas de temperatura, evitar aglomerações, usar lenços descartáveis em caso de secreções e lavar bem as mãos, além de evitar o contato com pessoas doentes. A alimentação deve ser reforçada com alimentos calóricos como sopas, mas não abusar do sal para não alterar a pressão arterial - indicou o médico. 

Imunidade

Para se proteger de qualquer doença é fundamental que o corpo esteja saudável, com imunidade alta. Para isso, é preciso ter uma alimentação equilibrada e rica em vitaminas, sugere a geriatra Roberta França.

- Alimentos que aumentam a imunidade são basicamente frutas e legumes. Ter uma dieta balanceada, com bastante vitamina C, ácido fólico, vitamina B12 e banho de sol regularmente para que o corpo absorva as vitaminas é fundamental para uma vida saudável – recomenda.

A especialista avalia também as vitaminas industrializadas e orienta para o uso apenas com recomendação médica.

- Tem gente que acha que vitamina comprada em farmácia é bobagem, mas é um medicamento. Toda medicação passa pelo estômago, intestino e é metabolizada pelo fígado ou rim. Se tomar quantidade imensa de vitamina vai sobrecarregar algum desses órgãos, sem contar que o idoso já é polimedicado, ou seja, toma inúmeras medicações para vários tipos de problemas, se acrescentar ainda muita vitamina, pode provocar uma hepatite medicamentosa pelo excesso de remédios. Portanto, só se deve repor vitaminas de acordo com a necessidade verificada pelo médico. Tanto suplementos vitamínicos como proteicos devem estar sob supervisão de um profissional para se evitar sobrecarga de função hepática ou renal e a piora do sistema imunológico do idoso ao invés de ajudar.

Dores nas articulações

Nesta época também são comuns as queixas de pessoas de idade mais avançada sobre o agravamento das dores nas articulações. De acordo com a fisioterapeuta Delane Amaral, a artrose, quadro que frequentemente acomete idosos, é uma grande vilã no período que compreende os meses mais frios do ano.

- Com a queda de temperatura, pacientes que já sofrem desta doença costumam ter as dores agravadas nessa época, porque no inverno as pessoas ficam mais encolhidas, os músculos mais contraídos, há uma diminuição no fluxo sanguíneo por constrição vascular e a friagem deixa a sensibilidade mais evidente - explica.

De acordo com a fisioterapeuta, esta afecção dolorosa das articulações ocorre por insuficiência da cartilagem, ocasionada por um desequilíbrio entre a formação e a destruição dos seus principais elementos, associada a uma variedade de condições como: sobrecarga mecânica (esforço sobre a articulação), alterações bioquímicas da cartilagem e membrana sinovial (comuns em algumas doenças reumáticas), além de fatores genéticos.

A aposentada Thereza Gutierres diz que esse período só é bom para dormir. “Nesta época do ano, o que a maioria das pessoas sonham é em ficar mais tempo na cama, embaixo das cobertas, ou mesmo ficar encolhido próximo ao calor de uma lareira ou dos aquecedores, tão comuns hoje em dia”, analisou. Mas, a fisioterapeuta Delane destaca que durante o inverno devem-se realizar exercícios físicos, principalmente com o objetivo de minimizar o desconforto provocado pelas dores articulares e melhorar a qualidade de vida.

- O ideal seria fazer uma caminhada, entre 20 e 30 minutos diários, mas, com o isolamento social, isso não está sendo recomendado. Então, a solução é fazer exercícios em casa mesmo, mas, alguns cuidados precisam ser tomados nos dias frios. Recomenda-se fazer exercícios de aquecimento antes de esforços maiores e sempre no final executar os alongamentos musculares. De preferência, os exercícios devem ser supervisionados por um profissional da área, mesmo que seja online,  já que é preciso desenvolver movimentos específicos, que não podem ser realizados em demasia ou mesmo em quantidade inferior ao necessário - orientou. 

Cuidados com a pele

O inverno exige também cuidados especiais com a pele, pois ocorre redução de oleosidade, podendo levar a problemas como dermatite.

- No processo do envelhecimento ocorrem alterações na pele consideradas normais como rugas, manchas e pele seca e áspera. Com as baixas temperaturas esses danos se acentuam. Por isso, os cuidados com a pele do idoso devem ser seguidos rigorosamente. É recomendável reduzir o tempo gasto no chuveiro, pois a água quente desidrata a pele. O protetor solar, mesmo com o sol mais ameno do inverno, não deve ser dispensado - considerou a dermatologista Patricia Silva.

De acordo com a médica, o rosto é a região do corpo que mais sofre com os efeitos do frio. “Não caia na tentação de usar água quente para lavar o rosto, use sempre água em temperatura ambiente. O uso de buchas ou esponjas também não é indicado para essa área tão sensível. O ideal é usar uma loção ou gel de limpeza, com ação mais profunda”, recomendou a dermatologista, lembrando que estas dicas servem não só para os idosos, mas para as pessoas de todas as idades.

 

 



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