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  Covid-19

Imunidade pós-covid-19 pode ser de três meses

Estudo chinês mostra que anticorpos diminuíram rapidamente

Jaqueline Gomes

 

Em meio às incertezas em torno da covid-19 surgiu mais uma: qual o tempo de imunidade que os recuperados possuem contra a doença. Um estudo realizado por pesquisadores da Universidade Médica de Chongqing, uma filial do Centro de Controle e Prevenção de Doenças da China e de outros institutos, identificou que os níveis de anticorpos encontrados em pacientes recuperados da covid-19 diminuíram rapidamente dois a três meses após a infecção, em pacientes sintomáticos e assintomáticos, o que cria dúvidas a respeito da duração da imunidade contra o novo coronavírus.

De acordo com a pesquisadora em Saúde do CESS/UFRJ (Centro de Estudos em Gestão de Serviços de Saúde da Universidade Federal do Rio de Janeiro) Chrystina Barros, muitos estudos vêm sendo publicados, mas, como já aconteceu com diversos deles, estão sendo revisados e muitas vezes as conclusões são revistas, tanto por um problema de metodologia quanto pelos achados não poderem ser replicados para outras populações. Ou seja, segundo ela, é cedo para declarar certeza quanto a imunidade ser temporária ou não.

- A covid-19 é uma doença muito nova, surgiu em dezembro do ano passado e nós estamos completando seis meses de observação da história natural da doença. No mundo inteiro são mais de 9 milhões de pessoas que confirmaram diagnóstico por testagem. Não existem registros de nenhum país onde tenha havido após a primeira onda da doença, uma segunda onda com casos de reinfecção. Isto seria a comprovação de que a imunidade se encerra em três meses, mas, de fato, ainda precisamos observar o comportamento da doença, inclusive em nosso país. Da mesma forma, existem hipóteses de que haja imunidade cruzada, que talvez respondam por que não foi necessário – ainda – se chegar a contaminação de 60%/ 70% da população, para se alcançar a chamada imunidade de rebanho – analisa a pesquisadora.

Ainda de acordo com Chrystina, a prevenção continua sendo a melhor medida na batalha contra a covid-19. Ela recomenda isolamento social e hábitos de higiene constantes.

- Então, ficam as certezas que temos: a doença se dissemina com facilidade, pelas mãos e gotículas, sendo necessário o uso de máscaras, lavagem de mãos, distanciamento social e o respeito a ela, porque ela pode ser grave – óbvio que com menor frequência – em pessoas novas e sem história de doença prévia. Não existe nenhuma certeza da possibilidade de reinfecção, mas ela não está descartada. Vale o cuidado sempre. E, quanto aos estudos, eles são bem vindos, mas a comunidade científica mundial ainda precisa debatê-los para que de fato as conclusões sejam estabelecidas, mas, isso precisa de tempo, o próprio tempo da história natural da doença – conclui.

O estudo

A pesquisa, que estudou 37 pacientes sintomáticos e 37 assintomáticos, descobriu que, dos que tiveram exames positivos para a presença dos anticorpos IgG, um dos principais tipos de anticorpos induzidos após a infecção, mais de 90% mostraram declínios acentuados dentro de dois a três meses. A porcentagem média de declínio foi de mais de 70% em pacientes sintomáticos e assintomáticos.

A pesquisa, publicada no periódico científico Nature Medicine, no dia 18 de junho, enfatiza o risco de se usar os "passaportes de imunidade" da covid-19 e justifica o uso prolongado de intervenções de saúde pública como o distanciamento social e o isolamento de grupos de alto risco, disseram pesquisadores.

Autoridades de saúde de alguns países, como a Alemanha, estão debatendo a ética e a viabilidade de se permitir que pessoas que tiveram um exame de anticorpos positivo circulem com mais liberdade do que as que não tiveram.

Porém, Jin Dong-Yan, professor de virologia da Universidade de Hong Kong que não participou do grupo de pesquisa, disse que o estudo não nega a possibilidade de outras partes do sistema imunológico poderem oferecer proteção.

- Algumas células memorizam como lidar com um vírus quando são infectadas pela primeira vez e podem apresentar uma proteção eficiente se houver uma segunda rodada de infecção. Cientistas ainda investigam se este mecanismo funciona para o novo coronavírus. A descoberta neste estudo não significa que o céu está desabando - disse Dong-Yan, observando ainda que o número de pacientes estudados foi pequeno.

 

 



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