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  Saúde

 Janeiro Branco: sinal de alerta para a saúde mental

Mês é dedicado à conscientização sobre o problema

Jaqueline Gomes/Foto - Arquivo

 

A pandemia do novo coronavírus trouxe consigo, além da grave doença, o aumento de sofrimento psíquico na população, principalmente em quem já tinha fatores preexistentes. Janeiro é o mês dedicado à conscientização a respeito da saúde mental, cada vez mais reconhecida como uma prioridade global de saúde e desenvolvimento econômico. Para chamar a atenção sobre o tema e reforçar a importância dos cuidados, a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) destaca informações relevantes.

De acordo com estudos da Organização Mundial da Saúde (OMS) e da Organização Pan-americana da Saúde (OPAS), o Brasil é o país mais ansioso do mundo (9,3%) e o segundo maior das Américas em depressão (5,8%). A saúde mental representa mais de 13% da incapacidade total no mundo, com transtornos depressivos e ansiosos como maiores causas – os quais respondem, respectivamente, pela 5ª e 6ª causas de anos de vida vividos com incapacidade no Brasil. Ainda segundo a OPAS, entre 35% e 50% das pessoas com transtornos mentais em países de alta renda não recebem tratamento adequado e, nos países de baixa e média renda, o percentual é ainda maior, ficando entre 76% e 85%. 

Em Petrópolis, o Departamento de Saúde Mental foi criado em 2017 e tem como principais metas formular, planejar, coordenar, monitorar e supervisionar a política nacional de Saúde Mental dentro do município para as pessoas com transtorno mental e com necessidades decorrentes do uso abusivo de álcool e outras drogas. O departamento fica inserido no escopo da Secretaria de Saúde.
- O primeiro passo para o tratamento é a conscientização de toda a sociedade de que é preciso cuidar do corpo, mas também da mente. Muitas das doenças diagnosticadas e tratadas na rede de saúde, como diabetes e hipertensão têm origem na saúde mental - declarou o secretário de Saúde Aloísio Barbosa da Silva Filho.

As medidas de isolamento social, embora baseadas em evidências científicas e essenciais para a proteção da saúde da população, podem impactar a saúde mental de algumas pessoas. Devido ao período de distanciamento social, quarentena ou isolamento, a redução de estímulos, perda de renda pela impossibilidade de trabalhar e alterações significativas na rotina geram forte impacto na vida de alguns.

A aposentada Vera Regina, de 80 anos, conta que começou a sofrer de ansiedade por conta da covid-19. Ela precisou buscar tratamento psiquiátrico.

- Eu era muito ativa antes da pandemia, apesar da idade, saía sozinha, encontrava com amigas, fazia aula de dança e de pintura. Com a chegada desse vírus tive que ficar isolada em casa e fiquei muito deprimida. Passei a ter crises de ansiedade e estou me tratando com medicamentos e fazendo terapia virtual. É um momento muito difícil para todos, mas, devemos buscar ajuda, senão fica insustentável – relatou.

Entretanto, é importante destacar que nem todos os problemas psicológicos e sociais apresentados poderão ser qualificados como doenças. A maioria será classificada como reações normais diante de uma situação anormal. Reações comuns diante deste contexto englobam sentimento de impotência e desamparo perante os acontecimentos, solidão, irritabilidade, angústia, tristeza e raiva.

Tendo em vista a instabilidade dos cenários em decorrência da pandemia, o volume de informações e as mudanças constantes experimentadas, é esperado que as pessoas apresentem queda na capacidade de concentração, bem como sensação de letargia, o que muitas vezes leva à diminuição do interesse para realizar atividades cotidianas. Adicionalmente, o medo de ser acometido por uma doença potencialmente fatal, cuja causa e progressão ainda são pouco conhecidas, afeta o bem-estar psicológico das pessoas.

A saúde mental também tem reflexos no desenvolvimento econômico, sendo a segunda causa de afastamento laboral, gerando ainda grande estigma pessoal de incapacidade – especialmente com o advento da pandemia do novo coronavírus. Pesquisa da UERJ demonstrou que casos de depressão dobraram no período de quarentena e que ocorrências de ansiedade e estresse tiveram aumento de 80%, causadas pelas incertezas com o novo coronavírus e as mudanças impostas pelo isolamento social.

Em caso de sofrimento intenso, a procura por ajuda especializada é primordial. De acordo com a Fundação Oswaldo Cruz, estima-se que entre um terço e metade da população exposta a uma epidemia pode vir a sofrer alguma manifestação psicopatológica, caso não seja feita nenhuma intervenção de cuidado específico para as reações e sintomas manifestados.  A rápida mudança nos modos de vida habituais pode contribuir para o desencadeamento de reações e sintomas de estresse, ansiedade e depressão. Observa-se também, maior probabilidade de ocorrência de distúrbios do sono, abuso de substâncias psicoativas e ideação suicida, bem como agravamento de transtornos mentais preexistentes. 

Esses dados demonstram a relevância de se ampliar o debate e as estratégias para enfrentamento desse panorama, sendo também um desafio para a saúde suplementar. No Brasil, em 2019, os beneficiários de planos de saúde realizaram cerca de 29 milhões de procedimentos relacionados ao cuidado em saúde mental - um crescimento de aproximadamente 167% em relação ao número realizado em 2011.

A ansiedade e depressão provocadas pela pandemia foram tema de discussão no I Simpósio Virtual ANS, realizado em setembro, quando houve um amplo debate e troca de experiências de operadoras de planos de saúde e de contratantes empresariais sobre a integração dessa linha de cuidado na gestão de saúde corporativa. Na ocasião, a ANS apresentou um painel sobre a importância do cuidado em saúde mental para a promoção da saúde e prevenção de riscos e doenças, a evolução do número de iniciativas em saúde mental nos programas de Promoprev e abordagens em saúde mental na Atenção Primária.

Por todas essas razões, é fundamental que as pessoas que vivem com condições de saúde mental tenham acesso contínuo ao tratamento durante a pandemia. Segundo a OMS, mudanças nas abordagens da prestação de assistência à saúde mental (telessaúde) e apoio psicossocial estão mostrando sinais de sucesso em alguns países. O atendimento remoto apresenta vantagens para a oferta de suporte psicossocial durante a covid-19, uma vez que corrobora com as recomendações de distanciamento social, quarentena e ou isolamento domiciliar. Dessa forma é possível evitar a circulação desnecessária e, ao mesmo tempo, garantir atendimento psicossocial e ou psicoterápico de qualidade.

 

Cuidados e recomendações

A Fiocruz lançou uma série de cartilhas com recomendações para o enfrentamento dos desafios à saúde mental e atenção psicossocial no contexto da pandemia. Nas publicações, destinadas a grupos específicos como trabalhadores dos serviços de saúde, gestores, psicólogos hospitalares, crianças, cuidadores de idosos, são descritas, por exemplo, reações comportamentais mais frequentes, danos psicológicos oriundos do confinamento e apresentam dicas sobre o uso de medicamentos e consumo excessivo de informações. 

Confira aqui algumas recomendações: 

  • Reconheça e acolha seus receios e medos, procurando pessoas de confiança para conversar;
  • Retome estratégias e ferramentas de cuidado que tenha usado em momentos de crise ou sofrimento e ações que trouxeram sensação de maior estabilidade emocional;
  • Invista em exercícios e ações que auxiliem na redução do nível de estresse agudo (meditação, leitura, exercícios de respiração, habilidades manuais);
  • Se você estiver trabalhando durante a epidemia, fique atento a suas necessidades básicas, garantindo pausas sistemáticas durante o trabalho (se possível em um local calmo e relaxante) e entre os turnos.
  • Invista e estimule ações compartilhadas de cuidado, evocando a sensação de pertencimento social (como as ações solidárias e de cuidado familiar e comunitário)
  • Mantenha ativa a rede socioafetiva, estabelecendo contato, mesmo que virtual, com familiares, amigos e colegas;
  • Evite o uso do cigarro, álcool ou outras drogas para lidar com as emoções;
  • Busque um profissional de saúde quando as estratégias utilizadas não estiverem sendo suficientes para sua estabilização emocional;
  • Busque fontes confiáveis de informação e reduza o tempo que passa assistindo ou ouvindo coberturas midiáticas.

Por que Janeiro Branco

A campanha foi criada em 2014 por um grupo de psicólogos de Uberlândia (MG), em alusão às tradicionais comemorações das festas de fim de ano, quando as pessoas costumam realizar balanços das ações individuais e planejar, para o próximo ciclo de 12 meses, novas resoluções e metas.  De acordo com os idealizadores, de maneira simbólica, o primeiro mês do ano é reservado como uma “página em branco” para que novas práticas sejam reescritas, objetivando o bem estar da saúde mental.  

Confira os centros de atendimento em Petrópolis:

Centro de Atenção Psicossocial Nise da Silveira (CAPS II - NISE);
Centro de Atenção Psicossocial Infanto-Juvenil Sylvia Orthof (CAPSi II);
Centro de Atenção Psicossocial Núbia Helena dos Santos (CAPS II-NÚBIA);
Centro de Atenção Psicossocial Fênix - Álcool e outras Drogas (CAPS AD III)
Ambulatório de Especialidades em Saúde Mental Luciana Deolinda da Rocha;
Ambulatório de Saúde Mental de Itaipava – Carl Rogers (AESM);
Serviços de Residência Terapêutica (SRT) - Monsenhor Bacelar;
Serviços de Residência Terapêutica (SRT) - Fortunato Baiteli;
Serviços de Residência Terapêutica (SRT) - Alberto Torres;
Coordenadoria do Programa Municipal de Políticas.

Números de atendimentos:

CAPSi - Sylvia Orthof (infantil) - média de atendimentos mensais 125 pacientes
CAPS - Núbia Helena – média de atendimentos mensais 318 pacientes
CAPS- Nise da Silveira (Adulto) – média de atendimentos mensais 216
CAPS AD III - Fênix: média de atendimentos mensais 814
Ambulatório Central de Especialidades Luciana Deolindo da Rocha: atendimentos 1.443 pacientes/mês
Devido a pandemia covid-19 os atendimentos sofreram alterações observando as normas técnicas de segurança estabelecidas pelas autoridades de saúde, em especial aos procedimentos coletivos, oficinas terapêuticas e espaçamento entre as consultas da equipe técnica, adotadas no município.

 



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