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  Colunistas
José Luiz Alquéres
COLUNISTA

 

 

Quando o Rio apareceu para o mundo

Pouco depois da descoberta do Brasil em 1500 o Rio de Janeiro já se tornava conhecido, tendo aqui aportado Américo Vespúcio , cujo nome depois batizou todo o novo continente descoberto por portugueses e espanhóis. Franceses tentaram se estabelecer por aqui e foram repelidos.

Pelos  próximos 100 anos a colonização do Brasil desenvolveu-se no Nordeste, no Planalto de São Paulo e , num certo grau , na região da Baía de Todos os Santos na Bahia.

A cultura predominante do açúcar era a fonte de riqueza e os navios holandeses , em guerra contra Espanha , habituaram-se a pilhar os engenhos em nossas costas, ao final da estação de moagem da cana e produção de açúcar .

Até que, já em 1637, a Holanda envia Mauricio de Nassau ,  um príncipe, para fundar uma colônia permanente, o que ele faz brilhantemente. Os 7 anos que passa no Brasil representam uma enorme contribuição cultural para o país. É uma tentativa para fazer do nosso país uma espécie de Nova Holanda com adoção de  modelos cultural, político , arquitetônicos e religiosos da nova metrópole.

No mesmo ano era nomeado Governador do Rio , Salvador Correa de Sá e Benevides , um ativo fidalgo português. Três anos depois quando Portugal se liberta do domínio espanhol com a restauração do trono na nova dinastia dos Bragança, Salvador adere à este rei e logo parte para libertar a Bahia dos Holandeses.

Popular entre os detentores de interesses comerciais da época , Salvador Correa de Sá após a libertação da Bahia , parte com uma esquadra portuguesa e brasileira, para reconquistar  a cidade de Luanda ,em Angola,  o que consegue e o ratifica como o Grande Almirante dos mares do Sul. Com isso assegura a continuidade do tráfico de escravos  na  época considerado essencial para a agricultura.

O choque com os holandeses dá curso a varias batalhas sendo as mais importantes as duas de Guararapes que marcarão derrotas dos holandeses que colhem algumas reparações de Portugal mas abandonam o Brasil.

Salvador que pelo seu primeiro casamento havia herdado inúmeras propriedades na Espanha e América espanhola teve estes bens confiscados no que foi regiamente compensado com terras no Brasil e vários cargos. 

Ocupou-os com parentes e amigos reforçando o prestígio da família Sá e de seus agregados. Lutou na Índia e foi membro do Conselho Ultramarino embora tenha passado uns 2 anos na prisão face acusações diversas, em geral ligadas a nepotismo e abuso de poder, práticas que o Estado do Rio continua a sofrer quase 400 anos depois.

Sua capacitação militar, senso de oportunidade e alinhamento de interesses entre a elite brasileira - especialmente do Rio de Janeiro- e a portuguesa fizeram-no um nome conhecido e artífice da aproximação entre colônia e metrópole .

Muito rico, a Galeria degli Ufizzi possue um seu magnífico retrato( cerca de 1660) de autoria de pintor desconhecido.

Suas vastas propriedades no Rio de Janeiro fizeram a riqueza e a proeminência de seus  descendentes na cidade e o Rio do Século XVII é palco de muitas histórias de suas lutas, ora ao lado ora contra a Câmara Municipal. Mas foi por causa dele que Portugal percebeu para onde deveria se deslocar a capital ao sair da Bahia o que ainda tardou um pouco, até à descoberta de minas de ouro aqui em Minas Gerais. Minas, diga-se por fim que Salvador enviou varias expedições para procurar, além de outras para repelir índios no território das Missões.

Talvez , com todas suas contradições , seja a mais expressiva figura brasileira do Século XVII.



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