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  Colunistas
José Luiz Alquéres
COLUNISTA

 

 

VIEIRA E A FORMAÇÃO DA NACIONALIDADE

É nosso entendimento que a formação da nacionalidade brasileira se deu no século XVII centrada em três vetores principais.

O primeiro, o português, a liderança heroica, aventureira amante do exercício do poder absoluto, uma figura maquiavélica, tão bem personificada por Salvador de Sá, sobre o qual falamos no artigo anterior.

O segundo, o vetor religioso jesuíta, catequético, defensor dos índios contra os colonos, impedindo sua exploração ou escravidão, defensor da tolerância em relação aos judeus e a não distinção entre cristãos, novos (judeus convertidos) e antigos.

O terceiro vetor seria a integração entre povos autóctones e de diferentes procedências.

Trataremos aqui neste artigo da figura mais emblemática e representativa do segundo vetor, o religioso, perfeitamente encarnado no Padre Antônio Vieira. Nascido em 1608, em Lisboa, e falecido em 1697, em Salvador, aos 89 anos. Aderiu ao noviciado dos Jesuítas na Bahia aos 15 anos de idade e tornou-se missionário catequético no interior durante o domínio holandês. Adquiriu grande conhecimento sobre os indígenas. Defendeu-os intransigentemente nos contatos com autoridades e na pressão sobre os colonizadores através de sermões.

Foi intensamente perseguido e várias vezes teve que mudar de cidade e mesmo ir para Europa onde a todos deslumbrou com sua cultura.

Apoiou a restauração em Portugal, quando este país se libertou do domínio da Espanha, tornando-se depois conselheiro do Rei D. João IV – instituidor da dinastia dos Bragança em 1640, que se manteve no poder no Brasil até 1889 e em Portugal até 1910. Tal posição lhe deu grande prestígio tendo sido designado pelo Rei para negociar junto aos Países Baixos a devolução do Nordeste para Portugal.

Seus sermões são considerados grandes peças da oratória e retórica setecentistas. Vale destacar o sermão em que prega no Maranhão e lá se dirige aos peixes, já que, segundo ele, os homens (colonos refratários a libertar os índios) não lhe escutavam. Pregação feita no Dia de Santo Antônio, de quem se reporta milagre análogo.

Em outro famoso sermão “pelo sucesso das armas de Portugal contra Holanda”, dirige as maiores ameaças a Deus por estar abandonando os portugueses deixando que holandeses protestantes ganhassem muitas batalhas. E brada: “Também a vós, Senhor, recairá o castigo ao ver vossos altares profanados” e prossegue em tom ameaçador.

Odiado pela inquisição, foi várias vezes preso por defender judeus.

Pregava o sebastianismo, uma visão de um futuro brilhante para Portugal na forma do Quinto Império, liderado por D. Sebastião, que retornaria ao trono, miraculosamente, para exercer este papel. Esta versão portuguesa do Rei Artur da Inglaterra – “The once and future king” ou o “Rex quondam, Rex futurus”, descrita em sua obra ‘História do Futuro’, trouxe-lhe acusações de herético.

Acabou se tornando um traço característico de nossa cultura: este almejar por um poderoso salvador, meio homem-meio deus.

Hoje seria considerado um justo entre as nações, alguém que vai além de suas origens e credo na defesa do humanismo e solidariedade entre os homens.

Da herança de seus ensinamentos e de sua ordem religiosa estão moldados vários dos valores da cultura e da vida em sociedade no Brasil.



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