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  Colunistas
José Luiz Alquéres
COLUNISTA

 

 

A OCUPAÇÃO DO INTERIOR DO BRASIL

Em meados do século XVII, portanto 150 anos após sua chegada oficial no território que viria a ser o Brasil, os portugueses estavam no processo de exploração e demarcação dos limites de suas posses no novo continente. Isto ocorreu do norte, no Amapá e Amazonas, ao extremo sul desta vasta extensão de terras, passando pelo Paraguai e chegando à colônia do Sacramento, às margens do Rio da Prata.

Povoar esta superfície imensa era outro desafio. O interior do Brasil era largamente desconhecido e esparsamente povoado por tribos indígenas de diferentes nações, sem uma língua comum. Ainda no início do século XVII, Frei Vicente Salvador, autor da primeira história do Brasil, já dizia que os portugueses permaneciam ao longo da costa “como caranguejos”, poucos se aventurando pelo interior.

Os bandeirantes de São Paulo, meio portugueses e meio índios, conheciam um pouco melhor estas rotas internas. Partiam de São Paulo, desciam o Rio Tietê até sua confluência com o Rio Paraná e por ali subiam (ou navegavam rio abaixo). No trajeto capturavam índios e fundavam acampamentos permanentes. Contrariamente a outros povos colonizadores, em tais acampamentos os europeus se integravam com os indígenas aliados, às vezes tendo 20 ou mais índias como concubinas, e destes relacionamentos tivemos lançadas as bases de nosso país eminentemente mestiço. Dezenas de povoados se formaram com este modelo. Nada semelhante à tensa relação entre o branco colonizador e os nativos norte-americanos durante o violento processo de conquista do chamado “oeste selvagem” daquele país. Ao contrário de lá, aqui a ação de ocupação por meio da formação de aldeias em vez de fortes cercados de paliçadas. Naturalmente bárbaros extermínios e escravidão de selvagens eram uma constante.

No retrato da ocupação do interior, deve-se registrar a viagem de Álvar Núñes Cabeza de Vaca para tomar posse da região do Paraguai. Cabeza de Vaca já era autor de uma dramática narrativa da sua marcha de 10 anos da Flórida à Califórnia após um naufrágio. Considera-se que alguns bois e vacas extraviados desta expedição multiplicaram-se nos pampas e, décadas depois, eram milhares vivendo selvagemente, nas grandes pradarias do Rio Grande do Sul, para espanto de outros viajantes.

No centro do Brasil a penetração foi efetuada rio acima ao longo do Rio São Francisco. Este rio se constituiu na mais notável via da integração nacional. Muito embora seu curso passe por regiões áridas, este rio era navegável por 1.200 quilômetros, indo da cidade de Pirapora, em Minas Gerais, até a cidade de Juazeiro, na Bahia, paralelamente à costa marítima. Ocupada por fazendas de gado e alguma agricultura, esta região supriu as necessidades de carnes, couro e gêneros alimentícios da economia canavieira até meados do século XVIII. Foi neste momento em que se deu uma mudança nos negócios: com a descoberta de ouro em Minas Gerais, os antigos engenhos do nordeste brasileiro passaram a fornecer escravos e alimentos para as zonas de mineração do interior. Isto agravou a crise na economia canavieira que se estendia desde as planícies costeiras da região do Rio Grande do Norte até o norte fluminense.

Estas minas de ouro em Minas Gerais, descobertas ainda ao final do século XVII, fazem convergir para esta região os bandeirantes vindos do planalto paulista e vale do Paraíba do Sul, onde entram em choque com estrangeiros, apelidados depreciativamente de “emboabas”, em geral portugueses incentivados a ocupar a região pela Coroa, já que os paulistas eram mamelucos rebeldes difíceis de controlar.

O choque entre os bandeirantes e emboabas, com escaramuças e muitos mortos, foi o pretexto para separação entre São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, e reforço do controle pela Coroa portuguesa (ávida por tributos).

Os bandeirantes, independentes, voltam-se então para o interior de Goiás e Mato Grosso, fugindo ao controle português e estendem assim a ocupação mais ainda para o oeste do território.

Este deslocamento do núcleo da economia para o sul do país em função da descoberta do ouro causou a mudança da capital do Brasil para o Rio de Janeiro e o fechamento de todas as estradas para o interior, com exceção da que chegava ao Rio de Janeiro.



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