Edição anterior (1595):
domingo, 24 de março de 2019
Ed. 1595:

Capa

Compartilhe:

Voltar:

HOJE

Edição anterior (1595): domingo, 24 de março de 2019

Ed.1595:

Compartilhe:

Voltar:


  Colunistas
José Luiz Alquéres
COLUNISTA

SEBASTIÃO JOSÉ

O Brasil foi efetivamente criado nos dois primeiros séculos após sua “descoberta” oficial pelos poucos portugueses que neste período se aventuraram por esta terra.

Eles ocuparam com a cana-de-açúcar as planícies costeiras, adentraram pelo interior do território até as atuais fronteiras com Venezuela, Peru, Bolívia; desceram até a Colônia de Sacramento, às margens do Rio da Prata, no extremo sul do país; ocuparam o vale do Rio São Francisco e o planalto ao sul de São Paulo.

Estes primeiros ocupantes também empregaram suas forças na expulsão de invasores holandeses, franceses e espanhóis. Deu-se a miscigenação e nosso povo, fruto deste grande encontro raças – brancos, índios, negros, mulatos, cafuzos, mamelucos – povoou o território de norte a sul, ainda que com mais intensidade em sua vasta costa voltada para o Oceano Atlântico.

Quando se inicia o Século XVIII o mundo é outro. Na Europa, os Estados-nação constituídos nos dois séculos anteriores começam a se dividir entre monarquias constitucionais (herdeiras da Revolução Gloriosa havida na Inglaterra em 1689, que define a subordinação do rei ao Parlamento) e monarquias absolutistas (onde os poderes absolutos são concentrados em uma pessoa).

Em ambos os modelos há uma consciência: a riqueza do país depende de uma atividade empresarial e comercial eficaz. Estas atividades, antes privilégio de cidades-estado independentes como Gênova, Veneza, Lubeck e Florença, serão consolidadas em territórios maiores, os países em formato igual ou próximo do que temos hoje dia. Em outras palavras, unidades políticas de maior expressão que passam a exercer uma forma de capitalismo de estado rudimentar: criam companhias de comércio, estabelecem monopólios, fecham as fronteiras das suas colônias, etc.

Este é o mundo de Sebastião José, futuro Marquês de Pombal. Da pequena nobreza portuguesa, se alça ao poder após um primeiro casamento com esposa de muitas posses, indo residir na Inglaterra como embaixador local. É extremamente malsucedido em suas iniciativas passando a olhar o sistema de poder inglês com muito ceticismo. Percebe bem, porém, o valor do liberalismo no campo econômico. Viúvo, é deslocado para Áustria onde se casa de novo e alcança alguma projeção.

Quando D. José I torna-se rei, já em meados do século XVIII, é como um experiente homem de Estado, “cinquentão”, que volta a Portugal e torna-se por cerca de 20 anos o homem mais importante da nação.

Organiza as finanças da nação utilizando para isso boa parte do imposto criado sobre o ouro brasileiro. Reconstrói Lisboa após o terrível terremoto de 1750. Acaba com o poder da Inquisição. Elimina a distinção entre cristãos-novos e antigos, revendo sua antiga posição contra os judeus. Expulsa os jesuítas e toma posse de suas propriedades. Define as fronteiras do Brasil pelos Tratados de Madri e Santo Ildefonso. Cria o imposto chamado “derrama” e cria monopólios para as companhias estatais de comércio, produção de vinhos e outros gêneros.

Exerce à Justiça com implacável violência. A expulsão dos jesuítas provoca crise no sistema educacional português. Por outro lado, o extermínio dos aldeamentos (as “missões” constituídas pelos jesuítas na América do Sul), acabaram por incrementar o território do Brasil a oeste.

Estes feitos fizeram com que o marquês de Pombal entrasse para a história como um dos maiores articuladores do “despotismo esclarecido”, ou seja, um governo forte, com economia centralizada, antidemocrático, agindo em todo espectro de educação, segurança e produção econômica.

Quando morre o Rei, perde o cargo e, odiado, retira-se para sua casa de campo. Os anos subsequentes já assistirão a emergência de uma nova Europa com a Revolução Francesa e a queda dos regimes absolutistas.



Edição anterior (1595):
domingo, 24 de março de 2019
Ed. 1595:

Capa

Compartilhe:

Voltar:

HOJE

Edição anterior (1595): domingo, 24 de março de 2019

Ed.1595:

Compartilhe:

Voltar:








Rua Joaquim Moreira, 106
Centro – Petrópolis – RJ
Cep: 25600-000

ABRAJORI – Associação Brasileira dos Jornais do Interior