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  Colunistas
José Luiz Alquéres
COLUNISTA

 

 

O ESPÍRITO URBANO NO BRASIL DOS VICE-REIS

Durante o período colonial do Brasil e desde que Portugal decidiu criar um governo local centralizado e com reporte direto à Coroa, o mais alto posto público local era chamado “Governador-Geral”.

Entre 1543 e 1720 apenas três destes Governadores-Gerais receberam o título de “Vice-Reis” – e não porque tivessem mais poderes, mas apenas porque eram de famílias da nobreza.

A partir de 1720 todos passaram a ser denominados Vice-Reis. Nos 100 anos seguintes o ouro de Minas Gerais passou a ser a maior fonte de tributos do país e uma economia mais urbana passou a prevalecer, especialmente nas cidades localizadas em área de influência da mineração.

Cidades importantes surgem no início do século XVIII ligadas a este chamado “ciclo do ouro”, mas é com a transferência da capital do Brasil para o Rio de Janeiro, em 1763, que se caracteriza o primeiro grande projeto urbano no Brasil.

Tratava-se da manifestação local do “espírito pombalino”, do Marquês de Pombal, grande promotor da liderança do Estado em projetos públicos de expressão, vistos por ele como formas de alavancar o desenvolvimento.

Assim nasce um Rio de Janeiro mais diferenciado, com mais ruas calçadas, aquedutos, fontes públicas para abastecimento de água e a arquitetura – até então concentrada em edificações militares, igrejas e conventos – começa a se voltar para edifícios públicos, comerciais e grandes residências.

A cidade do Rio naquela época, final do século XVIII, era ainda altamente insalubre, de maus odores, onde se dava surtos frequentes de febres e alta mortalidade. Já se configurava como uma cidade complexa com instituições civis e uma intelectualidade que acompanhava as discussões que “ferviam” na Europa.

A reforma no ensino implantada por Pombal havia mudado o foco da Universidade de Coimbra, privilegiando as ciências naturais e com aberturas para valorização do comércio e do mercantilismo.

Embora a colônia continuasse sob rígido controle político do absolutismo, havia, em decorrência da própria natureza urbana, maior interação entre as pessoas e a formação de grupos de interesse como os de comerciantes de “grosso trato”, os atacadistas de então.

Brasileiros começam a frequentar a metrópole e muitos filhos de famílias ricas cursam universidades e circulam pela Europa.

Entre todos eles, José Bonifácio, oriundo de família de exportadores de Santos, foi o brasileiro que mais veio a se destacar na vida pública, tanto em Portugal quanto no Brasil.

Portanto, diz-se que no Rio de Janeiro dos Vice-Reis é que nasceu o caráter da grande cidade brasileira que até hoje subsiste: densa, com mistura de classes sociais, com grande contingente de trabalhadores escravos (que depois derivaram para o viver de biscates), da falta de política habitacional para os pobres mas, ao mesmo tempo e paradoxalmente, rica em manifestações culturais – as mais diversas e muito fortes.

Criou-se uma cidade ímpar. No Rio não prosperaram bairros chineses, japoneses ou italianos. As pressões de integração e miscigenação foram (e são) mais fortes do que os laços culturais de origem que, mesmo quando cultivados, nunca são de um caráter segregacionista.

Esta é a cidade que irá acolher poucas décadas depois uma Corte europeia e consolidar as principais instituições civis do país.



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